Busca

“Muçulmano participa das celebrações do Ramadã, período de jejum, oração e reflexão espiritual.” “Muçulmano participa das celebrações do Ramadã, período de jejum, oração e reflexão espiritual.”  (ANSA)

A proximidade com os muçulmanos pelo Ramadã, com apelo à paz

Mensagem por ocasião do Ramadã e do Id al-Fitr destaca a coincidência com a Quaresma e convida os fiéis a promoverem a paz por meio da oração, do jejum e da caridade

Matheus Macedo - Cidade do Vaticano

O Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso divulgou nesta sexta-feira (20/02) uma mensagem dirigida aos muçulmanos por ocasião do Ramadã e do Id al-Fitr.

O texto é assinado pelo cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do organismo vaticano, e pelo secretário, monsenhor Indunil J.K. Kodithuwakku. Na mensagem, os representantes expressam proximidade, solidariedade e respeito a todos os muçulmanos, reconhecidos como crentes no único Deus, “vivo e subsistente, misericordioso e onipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens”, conforme afirma a declaração Nostra Aetate do Concílio Vaticano II.

Ouça a reportagem

O cardeal destacou que, neste ano, há uma coincidência providencial entre os calendários religioso cristão e muçulmano. “Os cristãos observam este período de jejum e devoção juntamente com vocês durante o sagrado tempo da Quaresma, que conduz a Igreja à celebração da Páscoa”, afirmou.

Segundo a mensagem, esse tempo é marcado por intensa espiritualidade e pelo esforço de viver mais fielmente a vontade de Deus. “Este caminho compartilhado permite-nos reconhecer nossa fragilidade intrínseca e enfrentar as provações que pesam sobre nossos corações”, ressalta o texto.

Provações, discernimento e desafios humanos


O purpurado indiano observou ainda que, diante de provações pessoais, familiares ou institucionais, é comum que as pessoas busquem compreender suas causas como forma de encontrar um caminho. No entanto, segundo ele, a complexidade dessas situações pode superar as capacidades humanas e aprofundar o sofrimento.

Fiéis muçulmanos rezam na Mesquita Ulu, na Turquia, durante as orações da noite, para marcar o início do mês sagrado de jejum do Ramadã, em Utrecht, em 18 de fevereiro de 2026.
Fiéis muçulmanos rezam na Mesquita Ulu, na Turquia, durante as orações da noite, para marcar o início do mês sagrado de jejum do Ramadã, em Utrecht, em 18 de fevereiro de 2026.

O cardeal destacou que, em um contexto marcado pelo excesso de informações e por narrativas divergentes, o discernimento pode se tornar ainda mais difícil, gerando um sentimento de impotência e levantando questionamentos sobre como encontrar uma saída.

“É justamente então que pode surgir a tentação de ceder ao desespero ou à violência. O desespero pode parecer uma resposta sincera a um mundo dilacerado, enquanto a violência pode apresentar-se como um atalho para a justiça que contorna a paciência exigida pela fé”, ressaltou.

Segundo ele, nenhuma das duas opções pode jamais ser um caminho aceitável para os crentes. “Um verdadeiro crente mantém o olhar fixo na Luz invisível que é Deus — o Onipotente, o Misericordioso, o único Justo — que «julga as nações com retidão» (Sl 96,10)”. 

“Tal crente esforça-se, com todas as suas forças, para viver segundo os mandamentos de Deus, pois somente n’Ele se encontram tanto a esperança do mundo futuro quanto a paz tão profundamente desejada por todo coração humano”, reiterou.

Chamado à paz e à renovação da vida


A seguir, o texto expressa que cristãos e muçulmanos, “juntamente com todas as pessoas de boa vontade, são chamados a imaginar e abrir novos caminhos pelos quais a vida possa ser renovada”. E essa renovação, prossegue a mensagem, só é possível por meio de uma criatividade alimentada pela oração, pela disciplina do jejum que purifica nossa visão interior, e por atos concretos de caridade. 

“Caros irmãos e irmãs muçulmanos, especialmente aqueles entre vocês que lutam ou sofrem no corpo ou no espírito por causa de sua sede de justiça, igualdade, dignidade e liberdade: tenham certeza de minha proximidade espiritual e saibam que a Igreja Católica é solidária com vocês”. 

Ao concluir, o cardeal Koovakad afirmou que cristãos e muçulmanos estão unidos não apenas pelas provações, mas também pela missão comum de restaurar a paz no mundo. 

“Paz: este é o meu fervoroso desejo para cada um de vocês, para suas famílias e para as nações onde vivem. Não se trata de uma paz ilusória ou utópica, mas, como sublinhou o Papa Leão XIV, de uma paz que nasce do «desarmamento do coração, da mente e da vida» (Mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro de 2026)”. 

“Tal paz é um dom recebido de Deus e alimentado pela redução da hostilidade por meio do diálogo, da prática da justiça e do amor ao perdão. Que, através deste tempo comum do Ramadã e da Quaresma, nossa transformação interior se torne um catalisador para um mundo renovado, no qual as armas da guerra deem lugar à coragem da paz”, concluiu.

 

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

20 fevereiro 2026, 12:01