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Leão XIV no Regina Caeli: a fraternidade e a paz são o nosso destino

Cada um tem já um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino. Com efeito, no meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único. Foi o que disse o Papa no Regina Caeli deste V Domingo do Tempo Pascal
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Raimundo de Lima – Vatican News

O Evangelho proclamado neste domingo introduz-nos no diálogo do Mestre com os seus, durante a Última Ceia. Em particular, ouvimos uma promessa que nos conecta desde já no mistério da sua ressurreição. Jesus diz: «Quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também» (Jo 14, 3).

Com essas palavras, o Santo Padre comentou o Evangelho deste domingo, 3 de maio, no Regina Caeli, ao meio-dia, ao rezar com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro para a oração que substitui o Angelus no perído pascal.

Neste tempo litúrgico, tal como a Igreja nascente, ressaltou o Pontífice, recordamos as palavras de Jesus que revelam todo o seu significado à luz da sua paixão, morte e ressurreição. O que antes escapava aos discípulos ou lhes causava perturbação, agora ressurge na memória, aquece o coração e dá esperança.

Fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV
Fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV   (@VATICAN MEDIA)

Em Deus há lugar para cada um

Os Apóstolos descobrem que em Deus há lugar para cada um. Dois deles tinham-no experimentado desde o primeiro encontro com Jesus, junto ao rio Jordão, quando Ele se deu conta de que o seguiam e os convidou a ficar naquela tarde na sua casa.

“Também agora, diante da morte, Jesus fala de uma casa, desta vez muito grande: é a casa do seu Pai e do nosso Pai, onde há lugar para todos. O Filho descreve-se como o servo que prepara os aposentos, para que cada irmão e irmã, ao chegar, encontre o seu pronto e se sinta desde sempre esperado e finalmente encontrado.”

O Papa observou que no mundo antigo em que ainda caminhamos, chamam a atenção os lugares exclusivos, as experiências ao alcance de poucos, o privilégio de entrar onde ninguém mais pode. Em vez disso, no mundo novo para onde o Ressuscitado nos leva, aquilo que tem maior valor está ao alcance de todos. Mas não por isso perde o seu encanto. Pelo contrário, aquilo que está acessível a todos agora gera alegria: a gratidão substitui a competição; a acolhida apaga a exclusão; a abundância já não implica desigualdade.

Fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV
Fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV   (@VATICAN MEDIA)

Em Deus cada um é finalmente ele mesmo

Acima de tudo, ninguém é confundido com outra pessoa, ninguém está perdido. A morte ameaça apagar o nome e a memória, mas em Deus cada um é finalmente ele mesmo. Na verdade, é este o lugar que procuramos durante toda a vida.

“«Tende fé», diz-nos Jesus. Eis o segredo! «Tende fé em Deus e tende fé também em mim». É precisamente esta fé que liberta o nosso coração da ansiedade de obter e de possuir, do engano de perseguir um lugar de prestígio para valer alguma coisa. Cada um tem já um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino.”

Com efeito, no meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único, disse por fim o Pontífice, pedindo, então, a Maria Santíssima, Mãe da Igreja, para que cada comunidade cristã seja uma casa aberta a todos e atenta a cada um.

Jovens fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV
Jovens fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV   (@VATICAN MEDIA)

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03 maio 2026, 12:30

O que é o Regina Caeli?


A antífona Regina Caeli (ou Regina Coeli) é uma das quatro antífonas marianas (as outras são a Alma Redemptoris Mater, a Ave Regina Caelorum e o Salve Rainha).


Foi o Papa Bento XIV, em 1742, a prescrever que seja recitado no lugar do Angelus e de pé, como sinal de vitória sobre a morte, durante o Tempo Pascal, que é do domingo de Páscoa até o dia de Pentecostes.
É recitado, como o Angelus, três vezes ao dia: ao amanhecer, ao meio-dia e ao entardecer, para consagrar o dia a Deus e a Maria.


Segundo uma piedosa tradição, esta antiga antífona remonta ao século VI ou X, enquanto sua difusão é documentada na primeira metade do século XIII, quando foi inserida no Breviário franciscano. É composta de quatro versos curtos, cada um dos quais termina com o Aleluia, e é a oração que os fiéis dirigem a Maria, Rainha dos Céus, para se regozijar com ela pela ressurreição de Cristo.


O Papa Francisco, em 6 de abril de 2015, durante a récita do Regina Caeli no dia sucessivo à Páscoa, aconselhou qual deveria ser a disposição do coração ao recitar esta oração:


"... dirijamo-nos a Maria convidando-a a rejubilar-se, para que Aquele que acolheu no ventre ressuscitou como tinha prometido e nos confiemos à sua intercessão. Na realidade, a nossa alegria é um reflexo da alegria de Maria, porque Ela guardou e guarda com fé os eventos de Jesus. Então, recitemos esta oração com a comoção dos filhos que estão felizes porque a sua Mãe está feliz. "

Últimos Angelus / Regina Caeli

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