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Padre Roberto Landell de Moura Padre Roberto Landell de Moura 

Contra fatos não há argumentos

O Padre Roberto Landell de Moura (1861–1928), além de sacerdote, foi cientista e inventor brasileiro, nascido em Porto Alegre. Ele é reconhecido como um dos grandes pioneiros mundiais das telecomunicações e a quem se atribui a invenção da transmissão de voz por ondas de rádio (a radiodifusão sem fio). Em 1899, realizou experiências públicas em São Paulo, transmitindo voz e sons musicais sem o uso de fios a uma distância de cerca de 8 quilômetros.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

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A história do rádio ainda guarda capítulos que merecem ser revisitados e, sobretudo, reconhecidos com justiça. Entre eles está a trajetória do sacerdote, cientista e inventor gaúcho Roberto Landell de Moura, cujas experiências pioneiras com a transmissão da voz e de sinais sem fio, realizadas no final do século XIX e início do século XX, enfrentaram incompreensão, falta de incentivo e até a destruição de seus equipamentos. 

Inspirando-se também nas pesquisas reunidas por Ernani Fornari no livro O incrível Pe. Landell de Moura – História Triste de um Inventor Brasileiro, publicado em 1960, Pe. Gerson Schmidt* tem nos proposto reflexões que lançam luz sobre documentos e testemunhos que ajudam a compreender a dimensão de suas experiências e a defender o lugar que Landell de Moura merece na história das telecomunicações e da transmissão radiofônica. Hoje, o tema trazido é "Contra fatos não há argumentos":

"Sigo aqui no aprofundamento do invento do Rádio no Brasil, tentando fazer justiça a uma história que foi registrada e resgatada, mal acabada, onde não houve reconhecimento ao verdadeiro inventor na transmissão de ondas magnéticas Rádio: Padre Roberto Landell de Moura. No final do século XIX e início do século XX, o sacerdote e cientista brasileiro e gaúcho realizou experiências pioneiras com a transmissão da voz e de sinais sem fio, antecipando princípios que seriam fundamentais para o desenvolvimento das telecomunicações e do rádio. Não teve incentivo em seus pioneiros inventos para dar cabo. Seus inventos foram por vezes destruídos por fanáticos que acreditavam que Landell era um bruxo e homem diabólico por fazer coisas impossíveis para a compreensão humana até então. Faço esse resgate histórico utilizando incialmente as fontes pelo livro de Ernani Fornari, “o incrível Pe. Landell de Moura – História Triste de um Inventor Brasileiro”, Editora Globo – Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, 1960.

Conta o autor assim: utilizando-se de TRÊS NOTÍCIAS E UM ARTIGO REVELADORES.

Na tarde de 8 de novembro de 1937, ao abrirmos a última edição de “A Noite”, do Rio de Janeiro, deparou-se-nos o seguinte telegrama, impresso destacadamente, em negrito, corpo 10:

​PRODIGIOSO!

​NOVA YORK, 8 (A. P.) — O Com. A. T. Brown, do paquete “Britannic”, pertencente à “Cunard-White Star”, comunicou que recebeu com sucesso, em alto mar, transmissões conjugadas radiofônicas e de televisão.

​O Com. Brown declarou acreditar que tenham sido as primeiras experiências no gênero coroadas de êxito, havendo sua realização tido lugar nos dias 29, 30 e 31 de outubro, depois de o vapor haver deixado Londres, a trinta milhas da terra.

​Dirigiram as experiências os técnicos da “British Broadcasting Corporation”, recebendo em aparelho “Vicant Cadin” e obtendo, com extraordinária clareza, tanto o som quanto a impressão visual.

​Por feliz acaso, tínhamos sôbre nossa mesa de trabalho um outro jornal, êsse já bem antigo, La Voz de España, que se publicava em São Paulo, em princípios dêste século.

​Êsse velho exemplar, que trazia o número 28 e era datado de 16 de dezembro de 1900, estampava em suas colunas longo e sensacional artigo assinado pelo Dr. J. Rodrigo Botet, artigo êsse que, por tratar de certo misterioso padre, cujos inventos maravilhosos estavam, naquela ocasião, levantando forte celeuma, não só na Capital bandeirante mas ainda na própria Capital Federal, vamos traduzir e transcrever aqui, na íntegra:

​O GOURAUDFÔNIO

​Um jornal da Capital Federal atribuiu a invenção dêsse aparelho, que tem a propriedade de transmitir a voz humana a uma distância de oito, dez ou doze quilômetros sem necessidade de fios metálicos, ao engenheiro inglês Sr. Brighton.

​O diário a que me refiro está mal-informado, diz o autor Ernani Fornari. “Nem a invenção do sistema de transmitir a palavra à distância é recente nem foi um inglês o primeiro sábio que resolveu satisfatòriamente êsse árduo problema, que envolve os mais intrincados princípios físico-químicos que podem oferecer-se à ciência humana. O que primeiro penetrou e descobriu os grandes segredos da telúrica etérea com glória e proveito, faz pouco mais ou menos um ano, foi um brasileiro, foi o meu nobre e sábio amigo o Rev. Padre Roberto Landell. ​Porque acompanhei passo a passo o estudo de seus inventos sôbre telegrafia e telefonia, com e sem fios; porque fui testemunha presencial de várias experiências, tôdas de prodigiosos resultados; e porque tive a honra de me ocupar do sábio e de suas eminentes obras em dois artigos publicados em “El Diario Español”, de São Paulo, artigos que mereceram a honra de ser reproduzidos no Rio em o “Jornal do Comércio”; por tudo isto, julgo-me obrigado, agora, a sair em defesa do direito de prioridade que assiste ao benemérito brasileiro Rev. Padre Roberto Landell, no que tange à transmissão da palavra falada sem necessidade de fios. Antes dêsse virtuosíssimo apóstolo da religião e da ciência, ninguém, absolutamente ninguém, fêz algo de prático em telefonia aérea sem cabos, servindo-se só e só de fatores aquosos, terráqueos e aéreos. ​O Rev. Padre Landell foi o primeiro a construir seu magnífico TELEFÔNIO, sem precisão de fios, para transmitir a voz, as notas musicais e os ruídos apenas sensíveis ao ouvido, tais como o tiquetaque do relógio, a grandes distâncias. A telefonia aquática e subterrânea, e bem assim o TELETITON, espécie de telegrafia fonética, sem emprêgo de fios metálicos, são obras de imarcescível glória, e a prioridade delas pertence ao referido sábio brasileiro. ​O TELAUXIOFÔNIO, a quinta-essência da telefonia com fios em virtude do vigor e da clareza dores que tem a seu lado, capazes de compreender o sábio e avaliar o valor de seus inventos — trabalha sem cessar, para honrar cientificamente a Pátria e glorificar o nome que carrega".

Pe. Gerson Schmidt* Jornalista, mestre em comunicação, sacerdote, pároco e munícipe da Barra do Ribeiro (RS) responsável último por sete comunidades locais católicas do município.

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24 agosto 2026, 08:37