Busca

O cardeal Lazzaro You preside a missa pela paz entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma. O cardeal Lazzaro You preside a missa pela paz entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma. 

Cardeal You Heung-sik: a Península coreana jamais pode renunciar à paz

As palavras do prefeito do Dicastério para o Clero, ex-arcebispo de Daejeon, na homilia da missa pela paz e reconciliação entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na presença do presidente de Seul, Lee Jae-myung, que nesta segunda-feira, 15 de junho, será recebido em audiência pelo Papa. O desejo de poder testemunhar ao mundo “que o diálogo é mais forte que o confronto, a reconciliação mais forte que o ódio e a confiança mais forte que o medo”.

Alessandro Di Bussolo – Vatican News

“A Península Coreana ainda carrega as feridas da divisão. Irmãos e irmãs continuam vivendo separados. Que sofrimento poderia ser maior do que este? Nunca podemos desistir da paz, por nenhuma razão. Estamos diante da responsabilidade de nos empenharmos todos, juntos e com todas as nossas forças, para construir a paz”. Com este apelo, durante sua homilia na Missa especial pela paz e pela reconciliação na Península Coreana, na Basílica romana de São Paulo Fora dos Muros, na manhã deste domingo (14/06), o cardeal coreano Lázaro You Heung-sik, prefeito do Dicastério para o Clero e arcebispo-bispo emérito de Daejeon, exprimiu o desejo de que a República da Coreiapossa testemunhar perante o mundo inteiro que o diálogo é mais forte do que o confronto, a reconciliação mais forte do que o ódio e a confiança mais forte do que o medo”. Um desejo formulado dirigindo-se diretamente ao presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, presente na celebração com sua esposa Kim Hye-kyung, alguns representantes do governo sul-coreano e membros do corpo diplomático de diversos países do mundo.

Um momento da consagração eucarística.
Um momento da consagração eucarística.

Com Leão XIV, a Igreja em missão para construir a paz

No 11º domingo do Tempo Comum, na véspera da audiência do Papa Leão XIV com o presidente Lee, que se realiza nesta segunda-feira, 15 de junho, o cardeal You lembrou que “mesmo nos lugares mais difíceis, há sempre esperança”. A compaixão, foi seu apelo, “deve substituir a violência, e a comunicação deve substituir a indiferença. Mesmo quando alguém parece uma pessoa com quem o diálogo é impossível, o caminho da paz se abre quando buscamos o encontro com um coração disposto a ouvir”. O cardeal coreano destacou que, guiada por Leão XIV, “a Igreja Católica continua a empenhar-se incansavelmente para realizar sua missão de zelar pela dignidade de toda vida humana e construir um mundo de paz”.

A verdadeira paz nasce de um diálogo sincero e aberto

A verdadeira paz, explicou ele, não é simplesmente a ausência de conflitos, mas nasce de compromissos concretos: “um diálogo sincero e aberto, o respeito pela dignidade de cada pessoa humana e o esforço para compreender a situação do outro”. Para o cardeal, “as linguagens da política e da diplomacia podem ser diferentes, mas o desejo de proteger a vida, servir a pessoa humana e buscar o bem comum pode sempre encontrar-se no espírito do Evangelho”.

O Papa Francisco e a compaixão pelas vítimas

O mundo de hoje, continuou You, “é uma época em que a compaixão para com nossos irmãos e irmãs é mais necessária do que nunca”. Mas onde deveria haver compaixão, “muitas vezes encontramos indiferença e egoísmo; e até mesmo a violência e a força tentam tomar seu lugar. Em meio a essa realidade, o Senhor nos chama a ter um coração cheio de compaixão por aqueles que são vítimas da violência”, e ele lembrou o encontro do Papa Francisco com as famílias das vítimas da tragédia da balsa Sewol, durante sua viagem à Coreia do Sul em agosto de 2014. “Com um profundo silêncio, com a oração e com um olhar cheio de amor, acolheu a dor deles” e “mostrou concretamente que a Igreja deve ser uma Igreja que caminha junto com os pobres e com aqueles que sofrem”.

Os fiéis durante a missa na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.
Os fiéis durante a missa na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.

A Igreja está ao lado dos feridos

No voo de volta a Roma, concluiu o prefeito do Dicastério para o Clero, perguntaram-lhe se seu gesto de consolo poderia ser interpretado politicamente. O Papa Francisco respondeu com clareza: “diante da dor humana, não se pode ser neutro”. Essas palavras, para o cardeal You, “trouxeram profunda consolação e coragem à sociedade coreana. Elas nos lembraram que o estilo do Evangelho e a maneira de viver a compaixão própria da Igreja não consistem em criar divisões, mas em estar ao lado dos feridos”.

 

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

14 junho 2026, 11:17