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Criança palestina em meio aos escombros de sua casa, alvo de ataque israelense no campo de refugiados de Bureij, no centro da Faixa de Gaza, em 20 de maio de 2026 Criança palestina em meio aos escombros de sua casa, alvo de ataque israelense no campo de refugiados de Bureij, no centro da Faixa de Gaza, em 20 de maio de 2026  (AFP or licensors)

Na ONU, Santa Sé alerta para o desrespeito pelo direito humanitário nas guerras

Manifesta-se profunda preocupação com os frequentes ataques contra locais de culto, comunidades religiosas e instalações de saúde, bem como com a utilização de tecnologias como a inteligência artificial em conflitos. A Santa Sé apela ao respeito e à proteção dos civis, que não devem ser tratados como "meros objetos e números", mas como pessoas com dignidade inata, concedida por Deus, mesmo em tempos de guerra.

Vatican News

Um apelo que nasce da constatação de que "a linguagem e a lógica da guerra reduzem as pessoas a números, inimigos ou danos colaterais", foi dirigido pela Santa Sé na quinta-feira, 21 de maio, durante o debate público do Conselho de Segurança da ONU sobre o tema "Proteção de Civis nod Conflitos Armados".

Apesar dos esforços para pôr fim aos conflitos e das proteções garantidas pelo direito internacional humanitário, aqueles que pagam o preço mais alto da guerra são os milhões de pessoas "forçadas a abandonar seus lares, enquanto muitas outras permanecem expostas à violência, à fome, à insegurança e ao colapso dos serviços essenciais".

O desprezo pelo direito humanitário

 

"A proteção de civis - reitera a delegação da Santa Sé - não é meramente uma questão política ou operacional". Neste sentido, são recordadas as palavras do Papa sobre a obrigação moral de proteger as pessoas e é expressa profunda preocupação "com o crescente desprezo pelo direito humanitário internacional e a normalização de comportamentos que colocam cada vez mais os civis em risco".

Garantir a liberdade religiosa

 

A delegação concentra-se em três aspectos em particular. O primeiro diz respeito aos ataques contra locais de culto e comunidades religiosas. "Tais ações prejudicam não apenas os fiéis individualmente, mas também o tecido cultural, espiritual e social de comunidades inteiras. Além disso, em tempos de conflito, esses locais tornam-se refúgios, prestando assistência e promovendo a solidariedade. Portanto, garantir a liberdade religiosa, mesmo em meio a conflitos, é essencial para salvaguardar a dignidade humana e promover a reconciliação."

Nunca atacar quem presta assistência

 

Urgente, depois, a proteção de profissionais e instalações de saúde, que continuam sendo alvos, mesmo dez anos da adoção da Resolução 2286. Este texto implica um compromisso com a proteção de pessoal, infraestrutura, transporte e equipamentos nas áreas médica e médico-humanitária. "Os feridos e doentes - enfatiza a delegação da Santa Sé - nunca devem ser privados de assistência, e aqueles que prestam assistência humanitária nunca devem ser alvos."



A responsabilidade ética das novas tecnologias

 

Por fim, é expressa preocupação com o uso na guerra de tecnologias emergentes, incluindo a inteligência artificial. "O uso da tecnologia deve sempre ser fundamentado na responsabilidade ética, uma vez que nenhuma máquina pode substituir o julgamento moral necessário quando vidas humanas estão em jogo." Confiar em tecnologias sem supervisão humana significa não considerar as consequências da proteção de civis.

A paz nasce da confiança

 

O apelo da Santa Sé dirige-se à comunidade internacional para que intensifique "os seus esforços para a prevenção, o diálogo e a resolução pacífica de conflitos, reconhecendo que a paz autêntica não se constrói pelo medo ou pela destruição, mas sim pelo encontro, pela confiança e pela responsabilidade".

Recordando as palavras do Papa Leão XIII sobre a paz que surge dentro de cada um de nós "na forma como olhamos para os outros, como os ouvimos e como falamos sobre os outros", a Santa Sé recorda que "proteger os civis implica reconhecer a dignidade inata de cada pessoa humana, mesmo em tempos de conflito".

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22 maio 2026, 13:13