Ecosoc, Santa Sé: a pessoa deve estar no centro dos mecanismos financeiros
Davide Dionisi – Vatican News
"O modelo atual de financiamento para o desenvolvimento é insuficiente. Abordagens mais ambiciosas e equitativas são urgentemente necessárias." Este foi o apelo feito pela Missão Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas no Fórum do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), um dos seis órgãos principais da ONU, responsável pela coordenação das políticas econômicas, sociais, culturais, educacionais e de saúde. O encontro, realizado na última quinta-feira (23/04), foi o primeiro desde a adoção do compromisso em julho passado.
A pessoa no centro
“O cerne do financiamento para o desenvolvimento, conforme afirmado no Compromisso de Sevilha, é colocar a pessoa no centro de todas as nossas ações e reafirmar o caminho rumo a um futuro mais promissor para toda a humanidade. Consequentemente, ao discutir os aspectos técnicos do financiamento global, as pessoas devem estar no centro do desenvolvimento. Os marcos normativos e os instrumentos financeiros são simplesmente meios para atingir um fim”, especificou a Missão Permanente da Santa Sé.
O aumento do número de pessoas vulneráveis
“Em última análise, o valor dessas políticas deve ser avaliado com base em sua capacidade de defender a dignidade intrínseca concedida por Deus a cada pessoa e de promover o bem-estar de todos, especialmente dos mais pobres e necessitados. Particularmente preocupante é a crescente disparidade entre os compromissos assumidos nos fóruns internacionais e as realidades vividas por bilhões de pessoas”, destaca-se, “especialmente nos países menos desenvolvidos, nos países em desenvolvimento sem litoral e nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. O peso da dívida está sufocando os investimentos públicos na saúde, educação e proteção social. Os compromissos em matéria de ajuda não são respeitados ou são violados, enquanto os gastos com armas estão aumentando. As pessoas em situações de vulnerabilidade continuam arcando com o peso maior das crises que não causaram. Não se trata apenas de um fracasso político, mas também moral”.
Honrar os compromissos
E então, um apelo: "O acompanhamento da Declaração de Sevilha não é apenas um exercício técnico, mas também um ato de solidariedade. Isso incentiva as nações mais ricas a honrarem seus compromissos em relação à ajuda pública ao desenvolvimento. Exige que os mecanismos de alívio da dívida sejam mais acessíveis, mais transparentes e que respondam mais às necessidades humanas. Exorta o financiamento privado a se orientar não apenas no retorno do investimento, mas no bem comum. Também apela aos países endividados para que sejam mais responsáveis com seus gastos e garantam que os fundos sejam gastos para o desenvolvimento."
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