2025.05.16 Il cardinale Parolin a margine di un evento all'Augustinianum

Cardeal Parolin: é preciso de mais vozes de paz e contra a corrida ao rearmamento

A fragilidade da diplomacia, o predomínio da lógica do mais forte, a importância das Nações Unidas, a necessidade de esvaziar os arsenais nucleares. Esses são alguns dos temas abordados pelo secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin, em entrevista a “Dialoghi”, a revista trimestral da Ação Católica Italiana.

Benedetta Capelli – Vatican News

“É uma utopia pensar que a paz seja garantida pelas armas e pelos equilíbrios impostos pelo mais forte, em vez de por acordos internacionais”. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, reflete sobre as crises e as guerras que assolam o mundo numa entrevista concedida a “Dialoghi”, a revista cultural trimestral da Ação Católica Italiana, disponível na edição on-line publicada em 7 de abril.

Em suas palavras, há também uma importante condenação ao rearmamento: “nós acreditamos firmemente que os arsenais devem ser esvaziados, a começar pelos nucleares”. Ele lembra, em seguida, a não renovação dos acordos para uma redução progressiva das armas atômicas, o que deu, sublinha o cardeal, “ainda mais carta branca para a construção de instrumentos de morte letais, capazes de aniquilar a vida na Terra”. “Seria necessário haver mais vozes pela paz, mais vozes contra a loucura da corrida ao rearmamento, mais vozes – exorta ele – que se levantem em favor de nossos irmãos mais pobres, mais vozes e mais propostas – penso, por exemplo, no mundo das universidades católicas – para novos modelos econômicos baseados na justiça e no cuidado com os mais fracos, em vez da idolatria do dinheiro”.

A “ferida” da guerra entre Rússia e Ucrânia

“Seria necessário um movimento de humanidade e responsabilidade por parte de todos. Em vez disso – prossegue o cardeal –, é doloroso constatar que, em muitos casos, a única resposta é o rearmamento”. Recordando o desejo de São João Paulo II, que sonhava com uma Europa unida, Parolin ressalta que a história “seguiu outra direção e, em vez de um mundo mais livre e solidário, vimos surgir um mundo mais instável, sem que se tenham encontrado soluções eficazes para as tremendas injustiças que levam milhões de pessoas a sofrer de fome, sede, privação da mínima assistência médica e de condições de trabalho dignas do ser humano”. O pensamento vai para a Ucrânia, uma guerra no coração da Europa cristã, “uma ferida” que interpela. “Tenho a impressão – destaca o cardeal – de que não se percebe suficientemente a devastação que esta guerra provocou na Ucrânia, o enorme preço em vidas humanas, a destruição das cidades e das infraestruturas”.

A primazia do poder

Da Ucrânia a Gaza. “Muitos governos se indignaram com os ataques contra civis ucranianos por mísseis e drones russos, impondo sanções aos agressores. Não me parece que tenha acontecido o mesmo com a tragédia da destruição de Gaza”, destacou Pa. Um “uso de dois pesos e duas medidas” ligado a uma “primazia do poder”, à predominância do próprio país em relação aos outros, justificada pelo direito internacional e invocada “apenas quando convém”, mas ignorada em tantos outros casos. Na base, sustenta o secretário de Estado, está a crise da diplomacia, que parece “muda, incapaz de acionar instrumentos alternativos”, substituída pela lógica do mais forte. “Parece ter desaparecido a consciência do valor da paz, a consciência da tragédia da guerra, a consciência da importância de regras compartilhadas e de respeitá-las”.

ONU e Board of Peace

O cardeal explica que “a diplomacia é a arte do possível e nunca pode agir segundo esquemas pré-estabelecidos, impostos de cima, ou com base em doutrinas abstratas”. É preciso partir da realidade “mesmo que – às vezes – ela seja assustadora”, é preciso paciência e levar em conta os resultados possíveis.

Sobre a Europa, incapaz de falar a uma só voz, é preciso “reavivar nos povos o senso de pertencimento europeu e, nas lideranças, a consciência da necessidade de ações comuns, sem nunca trair os princípios que estão na base da própria União Europeia”. No que diz respeito às Nações Unidas, “a Santa Sé continua acreditando na importância” da ONU, afirma o cardeal, “considerando que as organizações internacionais são fundamentais para conter a lógica do mais forte”. Certamente os vetos limitaram seu impacto, mas é necessário, acrescenta, não “passar da força do direito para o direito da força!”.

Quanto ao Board of Peace, a Santa Sé, embora não tenha aderido a ele, “mantém aberto o diálogo com os países” que dele fazem parte, “uma vez que está disposta a fazer o possível para promover a paz e a reconstrução, em estreita colaboração com a Igreja Católica na Terra Santa”. “Considero necessária a participação dos organismos internacionais e dos próprios palestinos", destacou Parolin, "porque não é possível decidir o futuro da Faixa de Gaza ignorando seus legítimos habitantes, que são cidadãos do Estado da Palestina, uma entidade a ser salvaguardada contra qualquer tentativa de anexação, o que é contrário às resoluções das Nações Unidas e aos princípios básicos da justiça”.

Apoiar a voz dos Papas

Ao abordar a voz dos Papas em contextos de crise, o cardeal Parolin lembra que ela é uma voz no deserto se não for ajudada e apoiada. Quanto ao apelo da administração Trump aos valores religiosos, o cardeal destaca algumas incongruências. “A fé cristã não é uma vitrine de diversos produtos cuja escolha é deixada nas mãos do comprador. Não podemos dizer que amamos e defendemos a vida e nos preocuparmos apenas com a dos nascituros, sem considerar que também é vida a dos migrantes que morrem no mar”.

Sobre a Venezuela, ele confirma o empenho da Santa Sé no passado em encontrar uma solução que evitasse derramamento de sangue, mas “além do que aconteceu e de como aconteceu, continuamos sempre a apoiar a solução pacífica, pedindo que seja respeitada a autodeterminação do país e o bem do povo venezuelano”.

Os cenários internacionais

Quanto à Groenlândia, após a ameaça de Trump de anexá-la, Parolin destaca que, embora aprecie o esforço conjunto do governo dinamarquês e do governo autônomo da Groenlândia para chegar a um acordo com os Estados Unidos, o que aconteceu “levou o povo groenlandês a uma renovada consciência de sua própria identidade”. Sobre o Irã, ele reitera a necessidade de respeitar os direitos humanos e as reivindicações da população, “cultivando com paciência o diálogo e a paz”.

Questionado sobre a China, Parolin lembra que “o diálogo continua, apesar das dificuldades”. “Gostaria de sublinhar mais uma vez – infelizmente isso é difícil de compreender – que o acordo provisório assinado em setembro de 2018 não é um concordato nem um acordo político-diplomático, mas diz respeito apenas ao processo de nomeação dos bispos”. “O fato de que hoje na China – explica ele – os bispos estejam todos em comunhão com o Papa é fundamental”. “No que diz respeito a Hong Kong, a Igreja continua empenhada no diálogo com as autoridades e em garantir a liberdade religiosa”.

Não esqueça o rosto do outro

Por fim, uma reflexão sobre os enormes avanços da tecnologia e o respeito aos limites; “devemos defender a humanidade e lutar contra a desumanização”, afirma Parolin. Nas redes sociais, o cardeal denuncia “o uso de uma linguagem de ódio, desdenhosa e desrespeitosa para com o outro”, que gera medo e a identificação de “inimigos” existentes. Como cristãos, conclui o secretário de Estado, "devemos nos opor a essa deriva com nosso testemunho cotidiano: o ódio, a guerra e a violência começam quando esquecemos o rosto do outro”.

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08 abril 2026, 12:52