200 anos de relações entre Brasil e Santa Sé com orquestra de estudantes do Rio
Andressa Collet - Vatican News
A programação cultural em comemoração aos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé (1826-2026) segue ativa durante todo 2026. Nesta terça-feira (28/04), o evento será realizado na Aula Magna da Universidade La Sapienza de Roma com o Concerto da Orquestra Chiquinha Gonzaga, do Rio de Janeiro/RJ. O espetáculo que começa às 20h30 do horário local vai contar com a participação especial da cantora Flor Gil, neta de Gilberto Gil.
As jovens participam da Audiência Geral com o Papa
Formada exclusivamente por jovens instrumentistas, estudantes da rede pública do Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga está fazendo a sua estreia na Itália neste mês de abril. O grupo deve participar da Audiência Geral com o Papa Leão XIV nesta quarta-feira (29/04), na Praça São Pedro, e à noite realizar concerto na Embaixada do Brasil da Praça Navona, em Roma. Mas a turnê “Conexão Vaticano”, que começou em 23 de abril para integrar a agenda de comemorações do Bicentenário das Relações Diplomáticas entre Brasil e Santa Sé, já possibilitou a visita das jovens à Academia Santa Cecília, um dos mais prestigiados centros de formação musical da Europa, além da exibição de um pocket show na Mostra de Cinema Brasileiro no Cinema Troisi, que contou com a curadoria do cardeal José Tolentino De Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé. As atividades contam com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé, da Embaixada do Brasil em Roma e do Instituto Guimarães Rosa, e com o patrocínio da Zurich Santander e Petrogal Brasil, (Joint Venture Galp|Sinopec), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
A valorização da música brasileira no exterior
O repertório do concerto, sob a regência da maestra Ludhymila Bruzzi, valoriza grandes obras da música brasileira, criando um diálogo entre tradição, identidade contemporânea e excelência artística, homenageando compositores como Carlos Gomes, Guerra-Peixe, Baden Powell, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan, Chico Buarque, entre outros. O programa ainda inclui a obra inédita de Ágatha Lima, compositora brasileira residente na Itália, que venceu uma chamada pública organizada pelo projeto.
Essa será a sexta turnê internacional da OSJ Chiquinha Gonzaga. Ano passado, a Orquestra levou sua música ao Carnegie Hall, em Nova York (EUA), e ao Festival Nos Alive, em Oeiras (Portugal). Em 2024, as Chiquinhas se apresentaram em Bordeaux (França) e, em 2023, em cidades da Suíça. No ano anterior, a turnê foi para Portugal e Espanha. Na turnê “Conexão Vaticano”, das 52 jovens instrumentistas, 27 participam da viagem.
Para a OSJ Chiquinha Gonzaga, é uma honra representar o Brasil em um contexto de grande relevância simbólica, cultural e diplomática. “A participação da Orquestra neste marco histórico reafirma o papel da música como instrumento de diálogo entre nações, de promoção da cultura brasileira e de fortalecimento de valores universais como paz, diversidade, espiritualidade e cooperação entre os povos”, comemora a pianista Moana Martins, diretora-executiva da Orquestra. “Este intercâmbio ganha ainda maior significado no contexto do novo papado, que valoriza a diplomacia cultural, o diálogo inter-religioso e a arte como linguagem universal de aproximação entre culturas”, completa, sem esquecer de celebrar o talento das jovens instrumentistas e também a potência da música como ferramenta de transformação cultural e social.
As origens da Orquestra Chiquinha Gonzaga
Criada em 2021 com o intuito de ampliar a representatividade de meninas na música orquestral, a OSJ Chiquinha Gonzaga é uma formação exclusivamente feminina, com 52 instrumentistas com idades entre 13 e 21 anos. Sob a regência de Priscila Bomfim, a orquestra leva o nome da primeira maestra do Brasil, simbolizando uma herança de luta, liberdade e protagonismo feminino.
O grupo já se apresentou em palcos renomados no Brasil, Estados Unidos, Espanha, França, Portugal e Suíça e já dividiu a cena com artistas como Alexandre Nero, Elba Ramalho, Maria Gadú, Mônica Salmaso, Sandra Sá, Roberta Miranda, Toni Garrido, Wanderléa, Flor Gil, Mel Lisboa, entre grandes nomes da música de concerto como a soprano portuguesa Carla Caramujo e o tenor Eric Herrero.
Em 2026, a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga comemora 5 anos de trajetória, conquistas e transformação por meio da música. Para marcar esse momento simbólico, lançou um selo comemorativo que representa não apenas um aniversário, mas também uma história construída com dedicação, formação artística e impacto social. O selo de 5 anos reafirma a identidade da OSJ Chiquinha Gonzaga como um projeto que une excelência musical, protagonismo feminino e compromisso com a cultura brasileira.
Como reflexo direto dessa política, o Relatório de Impacto 2025 aponta um desempenho 96,6% superior em comparação à média dos estudantes da rede estadual do Rio de Janeiro. Além dos resultados acadêmicos, observa-se uma profunda transformação de mentalidade. São jovens que, em muitos casos, são as primeiras de suas famílias a ingressar na universidade e a construir projetos de vida mais ambiciosos e sustentáveis, que demonstram o poder transformador da música.
Os 200 das Relações Diplomáticas entre Brasil e Santa Sé
Em 2026, o Brasil e a Santa Sé celebram os 200 anos de suas relações diplomáticas, marco histórico que é assinalado por uma ampla programação cultural, acadêmica e artística, com destaque para atividades realizadas na cidade de Roma. As comemorações são organizadas pelo Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé e do Instituto Guimarães Rosa (IGR), em parceria com o Ministério da Cultura, contando ainda com o apoio do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A programação contempla exposições, apresentações musicais e audiovisuais, seminários acadêmicos e o lançamento de publicações comemorativas.
Os projetos culturais e educacionais que integram as celebrações buscam evidenciar a relevância dos laços históricos e culturais que fundamentam a relação bilateral entre o Brasil e a Santa Sé, bem como refletir a riqueza e a diversidade da cultura brasileira, em suas expressões tradicionais e contemporâneas. A iniciativa destaca ainda o papel da Igreja Católica na formação do patrimônio cultural brasileiro, tanto material quanto imaterial, e sua contribuição para a construção da identidade nacional, por meio da educação, da literatura, da música e das artes visuais.
Além de sua dimensão histórica e cultural, o Bicentenário pretende sublinhar a importância da cooperação bilateral diante de desafios globais contemporâneos, a partir da convergência de posições entre o Brasil e a Santa Sé em temas relevantes da agenda internacional, como a sustentabilidade ambiental, o cuidado com pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade e a valorização do patrimônio cultural e artístico associado à presença histórica da Igreja Católica no país.
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