Tutela dos Menores: Teresa Morris Kettelkamp deixa o cargo de secretária-adjunta
Salvatore Cernuzio - Vatican News
Cuidar das crianças mais vulneráveis sempre foi o princípio fundamental sobre o qual a especialista baseou todo o seu trabalho. Ex-coronel da Polícia Estadual de Illinois, membro e secretária-adjunta da Comissão Pontifícia para a Tutela dos Menores, agora, como avó, é chamada a cuidar de uma neta, que nasceu com problemas de saúde. Teresa Morris Kettelkamp renunciou ao cargo de secretária-adjunta da Comissão para a Tutela dos Menores”, organismo criado pelo Papa Francisco, em 2014, para combater o flagelo dos abusos na Igreja, desenvolvendo estratégias de prevenção, disseminando educação e informação nos cinco continentes e, sobretudo, dando voz às vítimas e sobreviventes.
Compromisso inabalável
“Dar voz às vítimas” sempre foi o objetivo da Sra. Kettelkamp, uma pessoa aparentemente austera, mas com uma personalidade jovial e a firmeza de quem está ciente de cumprir uma missão tão delicada e importante. A partir do próximo dia 1º de abril, ela não fará mais parte da equipe, liderada, por mais de uma década, pelo Cardeal Sean O'Malley e, desde o ano passado, pelo arcebispo francês, Dom Thibault Verny. A sua decisão de renunciar, por "razões familiares, causou profunda tristeza entre os membros da Comissão”, mas, ao mesmo tempo, "imensa gratidão" por seu serviço, nestes anos, de elaborar diretrizes universais para a proteção e apoio às vítimas e sobreviventes de abusos; mas também pelo seu trabalho de moderadora do grupo para a tutela dos sobreviventes e integração de suas vozes na vida e no ministério da Igreja.
"Nos últimos dez anos, Teresa Kettelkamp dedicou-se à Comissão para a Tutela dos Menores, colocando sua experiência à aplicação da lei e proteção a serviço da Igreja universal", afirmou o Dom Thibault Verny, presidente da Comissão, que acrescentou: "Sua sabedoria, profissionalismo e compromisso inabalável com as vítimas e sobreviventes deixaram uma marca indelével no trabalho da Comissão. Por isso, desejo expressar-lhe nossa profunda gratidão e assegurar-lhe as nossas orações, extensas à sua família".
Nomeação em 2024
A ex-coronel da Polícia Estadual de Illinois, especialista em políticas e diretrizes para a tutela dos menores e adultos vulneráveis, após a sua aposentadoria, depois de 29 anos de serviço, era chefe da Divisão de Serviços Forenses da Polícia Estadual de Illinois: laboratórios e serviços de perícia criminal; foi diretora executiva do Secretariado para a Tutela dos Menores e Jovens da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB) e responsável de um dos maiores escritórios nacionais de tutela da Igreja nos Estados Unidos. Entrou a fazer parte da Pontifícia Comissão em 2018; a seguir, foi nomeada pelo Papa Francisco como secretária-adjunta: um novo cargo para reforçar o trabalho, que começava a se expandir, cada vez mais, também pela elaboração do Relatório Anual, junto com o secretário, o bispo colombiano Dom Ali Herrera.
Escuta e ajuda às vítimas
No dia da sua nomeação, a Sra. Kettlekamp foi entrevistada pela mídia do Vaticano, dizendo: "Os sobreviventes querem ser ouvidos, querem ser reconhecidos e querem que suas vozes sejam integradas aos ministérios da Igreja. É importante ajudar as vítimas a se curarem. É por isso que estamos trabalhando em estruturas de todas as dioceses, em nível global". Hoje, ela expressa sua "sincera gratidão" ao Papa Leão XIV e diz ter sido um "privilégio" servir à Igreja nesta importante missão".
"Por mais de uma década, - explica a especialista, - tive a honra de contribuir para o trabalho fundamental da Comissão, uma missão na qual acredito profundamente. Meu compromisso com a tutela dos menores e pessoas vulneráveis tem suas bases em uma convicção compartilhada por todos os cristãos: todo ser humano possui uma dignidade intrínseca, por ser criado à imagem e semelhança de Deus".
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