Dom Gabriele Caccia se pronunciou na 64a Comissão para o desenvolvimento social Dom Gabriele Caccia se pronunciou na 64a Comissão para o desenvolvimento social 

Santa Sé defende trabalho conjunto de governos e organizações religiosas em favor da família

O arcebispo Caccia, observador permanente junto às Nações Unidas, se pronunciou na quarta-feira, 5 de fevereiro, na 64ª Comissão de Desenvolvimento Social, na sede da ONU. Ele defendeu o princípio da subsidiariedade e o combate à pobreza espiritual para proporcionar assistência efetiva ao núcleo fundamental da sociedade.

Daniele Piccini – Cidade do Vaticano

O desenvolvimento social, cultural, moral e espiritual começa com a família, "o núcleo natural e fundamental da sociedade", conforme definido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos: aqueles que se preocupam com o bem-estar dos indivíduos devem, portanto, apoiá-la por todos os meios.

Este é o cerne da declaração feita na quarta-feira, 4 de fevereiro, pelo arcebispo Gabriele Caccia, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, em discurso na 64ª Comissão de Desenvolvimento Social, em Nova Iorque.

A família, responsável pelo bem-estar de seus membros

 

"A família - enfatizou o representante do Vaticano - é primordialmente responsável pelo bem-estar de seus membros, especialmente das crianças. Ela também promove valores que incentivam a inclusão, a solidariedade e a integração social. Os governos devem respeitar e apoiar a família e fornecer a assistência adequada quando necessário."

No cerne de todo esforço estatal está a promoção do bem comum, que deve ser buscada apoiando os motores dinâmicos desse desenvolvimento: "O Estado deve garantir a coesão, a unidade e a organização da sociedade", explicou o arcebispo Caccia, "para possibilitar a conquista do bem comum com a contribuição de cada cidadão. Indivíduos, famílias e grupos intermediários não podem alcançar seu pleno desenvolvimento sozinhos." É precisamente o propósito das "instituições políticas" fornecer às pessoas os "recursos materiais e as liberdades necessárias para alcançar objetivos culturais, morais e espirituais".

A contribuição das organizações religiosas

 

Os elementos essenciais do "bem-estar humano - acrescentou o observador permanente da Santa Sé junto à ONU - são a satisfação de necessidades básicas como alimentação, água, moradia, saúde e educação de qualidade, bem como a liberdade".

Para que esses bens primários sejam assegurados aos indivíduos, é necessária "uma coordenação eficaz dentro dos governos", entre os governos e entre os governos e todas as partes interessadas, "incluindo as organizações religiosas". A colaboração deve sempre estar voltada para as reais necessidades das pessoas: "Essa coordenação deve respeitar o princípio da subsidiariedade, promovendo a colaboração com as comunidades afetadas para garantir que as políticas reflitam as necessidades e prioridades daqueles a quem se destinam", acrescentou o arcebispo Caccia.

A pobreza, uma doença que gera novas crises

 

Citando a Exortação Apostólica do Papa Leão XIV, Dilexi te, o arcebispo Caccia salientou que "resolver as causas estruturais da pobreza" é urgente não apenas por razões pragmáticas — "alcançar resultados" e "ordenar a sociedade" — mas sobretudo "para curá-la de uma doença que a torna frágil e indigna e que só pode levar a novas crises".

Mas a pobreza material não é a única questão. As "privações da pobreza" são também "de natureza espiritual e moral": a dimensão espiritual deve, portanto, "ser levada em consideração" se quisermos que as "políticas de desenvolvimento social coordenadas, inclusivas e equitativas" sejam "eficazes".

Precisamente à luz dessa abordagem holística, ao final de sua declaração, o diplomata da Santa Sé convidou "todos os Estados" a levarem em consideração "o trabalho das organizações religiosas que, inspiradas por seus valores, oferecem segurança, esperança e apoio àqueles que mais precisam".

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05 fevereiro 2026, 12:25