Exercícios Espirituais da Quaresma com o Papa têm início no Vaticano
Vatican News
Os Exercícios Espirituais da Quaresma no Vaticano começaram às 17h locais, na Capela Paulina, e contaram com a presença do Papa Leão XIV, dos cardeais residentes em Roma e dos responsáveis pelos diversos Dicastérios da Cúria Romana. Como é tradição, este tempo de retiro espiritual oferece aos participantes a oportunidade de recolhimento, escuta da Palavra de Deus e renovação interior no início do caminho quaresmal.
O pregador deste ano é dom Erik Varden, membro da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (Trapistas), que exerce o ministério episcopal em Trondheim, na Noruega, desde 2019. O tema escolhido para as meditações é “Iluminados por uma glória escondida”, propondo um itinerário espiritual centrado na busca da verdade, da liberdade interior e da esperança cristã.
O itinerário das meditações
Na abertura do retiro, dom Varden apresentou a sua primeira reflexão, intitulada “Entrar na Quaresma”, cujo conteúdo foi posteriormente divulgado em forma de síntese em seu site oficial. Desta segunda-feira, 23 de fevereiro, até a conclusão dos Exercícios, em 27 de fevereiro, o pregador proferirá duas meditações por dia: a primeira às 9h locais, precedida pela Oração da Hora Média, e a segunda às 17h, seguida da Adoração Eucarística e das Vésperas.
Entre os temas propostos ao longo da semana estão: a ajuda de Deus; o caminho para a verdadeira liberdade; o esplendor da verdade; a provação expressa na imagem “mil cairão”; a glorificação de Deus; os anjos como mensageiros do Senhor; e a reflexão “Sobre a consideração”. O percurso espiritual será concluído com uma meditação final dedicada a “Comunicar esperança”. Duas reflexões serão especialmente dedicadas à figura de São Bernardo, sob os títulos “São Bernardo, o Idealista” e “São Bernardo, o Realista”, programadas para a tarde de 26 de fevereiro.
A Quaresma como retorno ao essencial
Em suas palavras iniciais, dom Varden sublinhou que a Quaresma confronta o cristão com o essencial da fé. Segundo o pregador, este tempo litúrgico conduz, de modo concreto e simbólico, a um espaço despojado do supérfluo, favorecendo maior clareza interior e espiritual.
Ele observou ainda que, durante este período, são temporariamente afastadas não apenas realidades prejudiciais, mas até mesmo elementos bons em si mesmos, quando estes se tornam ocasião de dispersão. Nesse contexto, destacou a importância de uma forma de abstinência que envolve também os sentidos, como meio de favorecer o silêncio, a escuta e a vigilância espiritual.
Combater o mal e buscar a paz
O pregador ressaltou que a vida cristã comporta um combate espiritual contra os vícios e as paixões desordenadas, mas que este esforço não pode ser dissociado da vocação à paz. O cristão, afirmou, é chamado não apenas a resistir ao mal, mas a tornar-se instrumento de reconciliação e de serenidade no mundo.
Ao citar São Bernardo de Claraval como modelo, dom Varden recordou aquele que compreendeu profundamente “o que significa viver da graça enquanto se combate o mal, se promove o bem, se sustenta a verdade e se percorre o caminho do êxodo da não liberdade rumo à terra da promessa”.
Chamado ao discipulado
Concluindo sua primeira reflexão, dom Varden afirmou que São Bernardo continua a interpelar os cristãos de hoje, convidando-os a um caminho de fidelidade e maturidade espiritual.
“Ele nos convoca”, afirmou o pregador, “a um discipulado amoroso e lúcido”, no qual a fé se traduz em escolhas concretas, enraizadas na verdade do Evangelho e abertas à esperança que não decepciona.
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