Dom Edgar Peña Parra preside a missa de inauguração do Ano Judicial do Tribunal da Rota Romana, na Capela Paulina do Palácio Apostólico. Dom Edgar Peña Parra preside a missa de inauguração do Ano Judicial do Tribunal da Rota Romana, na Capela Paulina do Palácio Apostólico.  (@Vatican Media)

Peña Parra: a Rota Romana ao serviço da verdade, com mansidão e para o bem de todos

Em sua homilia na missa de inauguração do Ano Judicial do Tribunal da Rota Romana, o substituto da Secretaria de Estado convidou os membros a agirem com uma caridade "que nos torna atentos às experiências das pessoas" e uma proximidade "que acompanha aqueles que atravessam momentos difíceis".

Alessandro Di Bussolo – Vatican News

É essencial que o Tribunal da Rota Romana esteja a serviço da universalidade da verdade e o faça "com a mesma mansidão de Cristo, na caridade e para o bem de todos". Com uma caridade "que nos torna atentos às experiências das pessoas" e uma proximidade "que acompanha aqueles que atravessam momentos de dificuldade". O substituto da Secretaria de Estado, dom Edgar Peña Parra, recordou isto na homilia da missa de inauguração do Ano Judicial do Tribunal da Rota Romana celebrada, na manhã desta segunda-feira (26/01), na Capela Paulina do Palácio Apostólico.

Um serviço de caridade e prudência

Antes da audiência com o Papa Leão XIV, o arcebispo venezuelano convidou os prelados auditores, funcionários e colaboradores do Tribunal a nunca deixarem faltar "caridade e prudência" no seu serviço, que muitas vezes os leva a expressarem-se "sobre situações pessoais, matrimoniais e canônicas, mesmo as mais dolorosas". Desta forma, aqueles que encontrarem na sua "missão única" poderão "experimentar a maternidade da Igreja, que não julga as falhas humanas, mas, à luz da verdade e promovendo a justiça, deseja renovar a vida dos seus filhos e conduzi-los a um bem maior".

O Evangelho de Lucas, universalidade e mansidão

Relendo o Evangelho de Lucas proposto na liturgia do dia, o substituto da Secretaria de Estado recordou duas sugestões, especificamente referentes à universalidade e à mansidão associadas ao serviço do Tribunal da Rota Romana. O Senhor, que designa “setenta e dois outros” (simbolizando todas as nações da terra) e os envia “dois a dois à sua frente a cada cidade”, segundo Peña Parra, chama os colaboradores da Cúria Romana, incluindo aqueles que servem no Tribunal, “de todas as nações, para que o nosso serviço se dirija ao mundo inteiro”.

A serviço da universalidade da vida da Igreja

O arcebispo lembra aos seus ouvintes que vêm de muitas partes do mundo e abordam questões, muitas vezes importantes e delicadas, que "abracem múltiplas situações de vida, cada uma delas inserida num contexto humano, familiar, cultural e espiritual diferente". Não se trata de um "exercício legislativo frio", mas de uma tarefa que "está a serviço da universalidade da vida da Igreja". E deve lembrar a todos "que a verdade também é universal". Uma verdade que se encarna nas situações de vida de cada pessoa, onde "erros e falhas" também podem ocorrer, mas que permanece "um alicerce estável e um ponto fixo para nos lembrar do plano amoroso de Deus para a criatura humana e para a criação".

Uma luta espiritual como “cordeiros entre lobos”

A segunda sugestão, extraída do Evangelho, diz respeito à mansidão, exigida pelo Senhor que nos envia “como cordeiros entre lobos”. Tornarmo-nos colaboradores da novidade do Evangelho, “que nos pede para entrar na lógica do amor, da justiça, da verdade e da misericórdia”, lembra Peña Parra, é uma “luta espiritual” contra uma mentalidade e uma cultura em que estamos imersos, que “muitas vezes favorecem o temporário, a rapidez, o cálculo e o modo fácil de pensar apenas em si mesmo”. Deve ser enfrentada não com força, mas com a mansidão do cordeiro. Deve ser assim também, no serviço do Tribunal da Rota Romana, “se o exercício da justiça destaca o profundo valor da verdade, ao mesmo tempo exige a atitude do cordeiro”.

A serviço da verdade suprema, o próprio Cristo

Em conclusão, o arcebispo citou as palavras de Leão XIV aos participantes do Curso de Formação Jurídico-Pastoral da Rota Romana, em 21 de novembro passado, a propósito do serviço do Tribunal: "O poder sagrado é uma participação no poder de Cristo, e seu serviço à verdade é um caminho para conhecer e abraçar a Verdade última, que é o próprio Cristo."

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26 janeiro 2026, 17:14