Parolin: com Cristo, até o deserto se torna lugar seguro para quem busca proteção
Lorena Leonardi – Vatican News
Desde a sua construção, a primeira igreja católica no Kuwait e no Golfo Pérsico, "inúmeros cristãos encontraram um manto de proteção em Maria". E ontem, como hoje, nossos pensamentos se voltam para as "muitas pessoas ao redor do mundo que são forçadas a buscar um lugar seguro" devido à "guerras, pobreza, desastres naturais ou outras dificuldades". Foi assim que o cardeal Pietro Parolin falou da importância da Igreja de Nossa Senhora da Arábia, presidindo na manhã desta sexta-feira, 16 de janeiro, a celebração da elevação do edifício de culto de Ahmadi a Basílica Menor. Na cerimônia, ponto culminante de sua visita ao país, o purpurado relembrou as origens do templo, construído nas areias do deserto em 1948, quando um pequeno grupo de estrangeiros que vieram trabalhar na indústria petrolífera construiu uma modesta capela dedicada à Virgem.
Refúgio no deserto
Um título mariano cuja devoção "crescia constantemente", prosseguiu o secretário de Estado vaticano, até que alguns anos depois, com a bênção de Pio XII sobre a estátua de madeira de Nossa Senhora da Arábia — esculpida em cedro libanês —, a igreja foi construída. Ela relembra como Maria "encontrou refúgio naquelas mesmas terras desérticas", onde cuidou de Jesus, vivenciando "momentos de alegria e momentos de provação, momentos de partida e fuga, bem como momentos de retorno, guardando tudo isso em seu coração". Ela ensina aqueles que buscam um porto seguro a "guardar o Menino Jesus no fundo de seus corações", a "defender sua fé" n’Ele, quaisquer que sejam as circunstâncias.
Jesus transforma a vida
Comentando o Evangelho do dia e respondendo à pergunta "Quem dizem que o Filho do Homem é?", Parolin explicou que não é possível "acolher verdadeiramente o Menino Jesus em nossos lares e em nossos braços se não reconhecermos sua verdadeira identidade e tudo o que ela implica". Além disso, se Cristo fosse apenas "um profeta entre muitos", ou simplesmente "um bom homem e um exemplo moral", ele não seria capaz de "transformar nossas vidas" em seu nível mais profundo, como de fato acontece.
Com o coração e os lábios
O chamado para reconhecer e testemunhar que Jesus Cristo é "verdadeiro Deus e verdadeiro homem" baseia-se no exemplo de Pedro, que responde: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo", enquanto o Espírito Santo nos capacita a "crer com o coração e confessar com os lábios" que Jesus é o Senhor e que Deus o ressuscitou dos mortos.
Embora concebidos no pecado, resumiu o purpurado, mulheres e homens são "regenerados" pelo Batismo, tornando-se "novas criaturas", membros da Igreja e cidadãos do céu, capazes de proclamar "com fé e certeza" que Cristo é o Salvador. Imersos em uma secularização que "parece avançar sem parar", testemunhamos hoje "com dor", enfatizou o secretário de Estado, "quantos em nosso mundo não conhecem Cristo ou negam sua identidade", embora "as Escrituras assegurem que àqueles que o acolhem, ele dá o poder de se tornarem filhos de Deus".
Pedras vivas mais brilhantes que as estrelas
O cardeal expressou, portanto, a esperança de que a Igreja de Nossa Senhora da Arábia, elevada à dignidade de Basílica, possa fortalecer "a fé, a esperança e a caridade" de todos os que ali se reúnem: "Que sejais o templo de Deus, pedras vivas mais brilhantes que as estrelas, mais magníficas que qualquer edifício de pedra", continuou ele, pois "a verdadeira beleza não se encontra na aparência externa, mas na beleza da alma". Assim, a esperança de que a Basílica continue sendo um local de peregrinação, “atraindo cada vez mais aqueles que buscam em Maria — coroada com doze estrelas — descanso de suas fadigas”, e a exortação a escolher Jesus e se aproximar de seu coração, “a pedra viva da qual, mesmo na aridez do deserto, flui um rio de água viva”.
Não ter medo de testemunhar a fé
Parolin reiterou então o convite do Senhor “para reconhecê-lo e segui-lo, para se tornar pedras vivas na construção de sua Igreja, uma casa espiritual, uma linhagem escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo que pertence a Deus”. E falando da Igreja de Nossa Senhora da Arábia, enfatizou ainda sua forte ligação com Roma, Pedro e seus sucessores: “A Igreja é Pedro, a Igreja é Maria. A Igreja é rocha e baluarte, mãe e misericórdia, um refúgio para os pecadores”. Por fim, os exortou a não temer dar testemunho de fé e os confiou a Nossa Senhora da Arábia — padroeira de toda a península — para a proteção do Estado do Kuwait, de seus cidadãos e de todos os cristãos.
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