A mídia internacional pede transparência aos gigantes da IA
Alessandro Gisotti
Chegou a hora de as grandes empresas de Inteligência Artificial se confrontarem com os meios de comunicação sobre o tema da transparência das fontes e do uso de conteúdos informativos. É o que as maiores associações de mídia do mundo estão pedindo com a campanha intitulada "Dos fatos aos fatos" (Facts in, Facts Out). A iniciativa conta com o apoio da European Broadcasting Union – EBU (União Europeia de Radiodifusão - UER), da qual a Rádio Vaticano é membro fundador, da Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA) e da Federação Internacional de Editores de Periódicos (FIPP). A campanha foi motivada especificamente pelo relatório da BBC e da UER intitulado "Integridade das Notícias em Assistentes de IA". Este estudo, publicado em junho de 2025, destacou como os instrumentos de IA — independentemente da geografia, idioma ou plataforma — modificam, descontextualizam ou instrumentalizam sistematicamente notícias provenientes de fontes confiáveis, como os sites dos meios de informação.
Os instrumentos de IA não são ainda fonte confiáveis para as notícias
“Por mais poderosa e promissora que seja, a Inteligência Artificial ainda não é uma fonte confiável de notícias e informações, e a indústria da Inteligência Artificial não está tratando esse tema como uma prioridade”, ressalta Liz Corbin, diretora de notícias da EBU. Daí o convite para aderir à campanha "Dos fatos aos fatos", para que a questão da transparência das fontes seja tratada com urgência. Está em jogo a credibilidade do jornalismo. Assim, Vincent Peyregne, chefe da Associação Mundial de Editores de Notícias, diz: “Se os instrumentos alimentados por Inteligência Artificial assimilam fatos publicados por fontes jornalísticas confiáveis, então, ao serem publicados, deveriam restituir fatos. Mas hoje – lamenta Peyregne – isso não está acontecendo”. Os promotores da Campanha destacam que cada vez mais pessoas utilizam plataformas de Inteligência Artificial como canal para acessar notícias. E quando esses instrumentos alteram, modificam ou mesmo falsificam as informações, o resultado é uma grave erosão da confiança nos meios de comunicação, elemento essencial para o bom funcionamento de um sistema democrático. É por isso que o tema deve ser abordado com urgência, considerando também que o uso da IA para adquirir informações só poderá crescer nos próximos anos, especialmente entre as novas gerações.
Cinco princípios para a transparência da informação da parte da IA
A campanha "Dos fatos aos fatos" faz parte da mais ampla iniciativa News Integrity in the Age of AI (Pela integridade da informação na era da Inteligência Artificial), que define cinco princípios fundamentais direcionados aos gigantes da IA:
1) “Sem consentimento, sem conteúdo”. O conteúdo jornalístico só pode ser usado em sistemas de IA com a permissão do editor original.
2) “Reconhecimento adequado”. O valor do jornalismo confiável deve ser reconhecido quando o conteúdo é usado por outros.
3) “Precisão, atribuição e proveniência”. A fonte original de qualquer conteúdo gerado por IA deve ser claramente visível e verificável.
4) “Pluralidade e diversidade”. Os sistemas de IA devem refletir a diversidade do ecossistema global de informação.
5) “Transparência e diálogo”. As empresas de tecnologia devem colaborar com organizações de mídia para desenvolver padrões compartilhados de segurança, precisão e transparência.
Partindo desses princípios, o objetivo é trabalhar em conjunto por uma informação verdadeira e crível. Para Liz Corbin, da EBU, "não se trata de apontar o dedo contra alguém, mas de iniciar um diálogo construtivo. O público tem o direito de ter acesso a um jornalismo de qualidade e confiável, independentemente da tecnologia utilizada".
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