O cardeal Claudio Gugerotti se encontra com cristãos em uma igreja em Aleppo, norte da Síria, em 27 de janeiro de 2025. O cardeal Claudio Gugerotti se encontra com cristãos em uma igreja em Aleppo, norte da Síria, em 27 de janeiro de 2025.  (ANSA)

Gugerotti: "Os cristãos devem ser protagonistas na Síria"

O enviado do Papa, há três dias no país do Oriente Médio, chegou a Aleppo, onde foi recebido pelos fiéis da Igreja de São Francisco.

Stefano Leszczynski - Correspondente na Síria

A estrada de Damasco a Aleppo é a síntese do martírio sofrido pela Síria na última década. Ao sair da cidade, há quartéis abandonados e enegrecidos pelas chamas, aqui e ali cartazes rasgados e queimados de Bashar al-Assad sobrepostos pelas novas bandeiras nacionais; ao longo da rodovia, veículos militares ainda estavam crivados de balas da guerra e subúrbios inteiros estavam arrasados. Um cenário que se repete incessantemente quando passamos perto de Hama, onde fábricas locais fecharam ou foram destruídas.

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Depois Homs, cujos arredores são pontilhados de povoados desertas, há alguns campos de deslocados. O mesmo vale para o interior de Idlib, onde, além de tudo, somam-se as ruínas do terremoto de 2023. E, finalmente, depois de alguns postos de controle comandados por alguns milicianos entediados, chega-se a Aleppo, com sua carga de dor e sofrimento.

A “nova” Síria ainda em gestação

 

Aqui, naquela que antes da guerra era a terceira cidade cristã do mundo árabe, com mais de 300 mil fiéis pertencentes a dez diferentes Confissões, e hoje reduzida a menos de trinta mil, chega o enviado do Papa Francisco, o cardeal Claudio Gugerotti, prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais.

“A nova Síria ainda está em gestação. – disse ele aos fiéis latinos com quem conversou na grande Igreja de São Francisco. Mas quando ela nascer precisará de uma boa parteira e esta é uma tarefa que cabe aos cristãos”.

As dificuldades e incertezas que os cristãos de todas as Confissões devem enfrentar - reconheceu o cardeal - são enormes, mas os medos que delas derivam não devem levar à paralisia. Os cristãos sírios devem fazer tudo o que puderem para obter um papel igual ao de todos os outros cidadãos e encontrar maneiras de contribuir para a construção de uma nova nação.

Assim, o abraço do Papa chegou aos cristãos de Aleppo com a intensidade e o carinho devidos àqueles que temiam ter sido esquecidos. “Ser um só corpo – disse o cardeal Gugerotti durante sua homilia dominical – significa que todos os membros têm igual importância. Não se pode ser egoísta e esse é o significado de ser cristão."

Encontro com os líderes das comunidades católica, ortodoxa e maronita no Episcopado Maronita
Encontro com os líderes das comunidades católica, ortodoxa e maronita no Episcopado Maronita

O encontro com a mãe de um sacerdote sequestrado

 

No final da Celebração Eucarística na igreja franciscana, o enviado do Papa se encontrou com a família de um sacerdote sequestrado em 2012, e do qual nunca mais se teve notícias. O mesmo destino teve o sacerdote greco-ortodoxo que viajava com ele. Foi a mãe do religioso a relatar, entre lágrimas, o desespero daqueles que não conseguem nem chorar o corpo do próprio filho. Para ela, a única esperança de uma nova Síria é um túmulo onde depositar uma flor. Outra evidência da dor sofrida pela população local nos últimos anos é o encontro com as irmãs de uma religiosa de Aleppo que foi mortalmente atingida por um míssil no início da guerra.

Em Aleppo, o Alto Comissário das Nações Unidas encontrou-se com o Cardeal Gugerotti, enviado pelo Papa para visitar o país atormentado por anos de guerra e terremotos

O retorno dos refugiados

 

Ainda no convento dos franciscanos, o prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais se encontrou, no final de um dia intenso, com o embaixador italiano, Stefano Ravagnan, e o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi.

Desde 8 de dezembro – sublinha o chefe do ACNUR – os refugiados começaram a regressar à Síria, até à data pelo menos 210 mil regressaram de países vizinhos, enquanto cerca de 600 mil deslocados internos conseguiram regressar às suas casas. “Agora – diz o Alto Comissário – é o momento para a comunidade internacional correr riscos para promover o processo de transição e a normalização do país”.

O Cardeal Gugerotti saúda o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi
O Cardeal Gugerotti saúda o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi

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27 janeiro 2025, 20:58