2026.08.22 Visita Pastorale al Meeting per lâ  Amicizia fra i Popoli e alla città di Rimini

A hora da responsabilidade

As palavras de Leão XIV no Encontro de Rimini e o apelo ao realismo autêntico da misericórdia contra o falso realismo que gostaria de nos rearmar

Andrea Tornielli

“Ao falso realismo, que rearma mentes, palavras e nações, a cultura católica tem hoje de opor o realismo da misericórdia, segundo o qual não podem existir inimigos e todos, mesmo os adversários, são irmãos e irmãs que devem ser olhados nos olhos e encontrados na verdade”. São as palavras que Leão XIV dirigiu ao público do Encontro de Rimini e, em particular, aos milhares de jovens que animam o grande evento de fim de verão, de origem da experiência de Comunhão e Libertação. E não foram palavras de cortesia, mas um convite preciso. O convite, antes de tudo, a um olhar sobre a realidade que estamos vivendo. Já há 44 anos, São João Paulo II, ao discursar no Meeting, havia falado da beleza de palavras como “encontro” e “amizade entre os povos” nos momentos que ele mesmo havia definido como “dramáticos da história do mundo”. Hoje, a situação internacional é ainda mais incerta e precária do que naquela época: um número crescente de conflitos, massacres contínuos de civis e crianças – basta pensar em Gaza e na Ucrânia – e muitas nações que investem quantias cada vez maiores para se rearmar. Diante de tudo isso, o Papa relembra a vocação do Meeting, que é a de não ser “uma espécie de enclave”, mas um “cruzamento” de encontros e diálogo.

Esta, disse Leone, é a hora da responsabilidade. Seguir a Cristo hoje, após as tragédias do século XX, implica a plena consciência de que o mal não se combate com o mal. A única resposta, a resposta cristã, é o amor, ou seja, “o método da redenção”, aquele encarnado pelo Messias crucificado. E, portanto, àqueles que hoje, em nome de um suposto realismo — que o Papa não hesitou em definir como “falso” —, gostariam de rearmar as mentes, as palavras e as nações, a cultura católica responde com um realismo autêntico, aquele da misericórdia, “pelo qual não podem existir inimigos e todos, mesmo os adversários, são irmãos e irmãs que devem serem olhados nos olhos e encontrados na verdade”.

Há, portanto, necessidade de pioneiros corajosos, que se empenhem concretamente para libertar a convivência da desconfiança, o trabalho da idolatria do lucro, a tecnologia e as finanças do business da morte. Leão XIV pede que se desmascarem “as injustas relações de poder” que estão “na origem da pobreza e das desigualdades, da guerra e dos desastres ambientais”. Um convite forte e repleto de implicações por parte do Sucessor de Pedro, que, desde o primeiro dia de seu pontificado, falou de uma paz “desarmada e desarmante” e que deve ser levado em conta como critério de julgamento pelo compromisso social e também político de todos os leigos católicos.

É particularmente significativo que o Papa convide o povo do Meeting a arriscar, a se colocar em jogo, “alargando os vínculos para além de qualquer pertença demasiado restrita”. Pois o Movimento (CL), os grupos e as comunidades devem se tornar um trampolim para mergulhar na realidade como um todo, combatendo aquilo que gostaria de afastá-los dos irmãos e irmãs de diferentes culturas, sensibilidades e origens, “especialmente dos mais pobres”. E, por fim, vale ressaltar também a menção com a qual o Sucessor de Pedro quis lembrar que, no amor, nunca há coação, nem doutrinação, nem recrutamento, pois só há amor na liberdade, no diálogo vivo e no dom generoso de si mesmo.

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22 agosto 2026, 16:45