2026.08.15 Angelus

A presença dos Papas em Castel Gandolfo

O Papa Urbano VIII foi o primeiro Pontífice a passar um período de descanso na localidade dos Castelli Romani, próxima a Roma, escolhendo-a por sua beleza, clima e localização.

Vatican News

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A relação entre os Papas e Castel Gandolfo remonta ao século XVII. De fato, em 10 de maio de 1626, o Papa Urbano VIII foi o primeiro Pontífice a passar um período de descanso na localidade dos Castelli Romani, próxima a Roma, escolhendo-a por sua beleza, clima e localização. A antiga fortaleza foi então transformada em residência de verão pontifícia, e, ao longo dos séculos, outros Papas ampliaram e enriqueceram o complexo, que passou a incluir o Palácio Apostólico, jardins e as Villas Pontifícias.

A tradição foi interrompida em 1870, com o fim dos Estados Pontifícios e a tomada de Roma. Durante cerca de 60 anos, os Pontífices deixaram de frequentar Castel Gandolfo. A situação mudou com os Pactos Lateranenses de 1929, quando a localidade voltou a integrar as propriedades da Santa Sé e o Palácio Apostólico recuperou sua função de residência de verão dos Pontífices. Desde então, Castel Gandolfo tornou-se um dos lugares mais ligados à dimensão de descanso e recolhimento dos Papas, mas também à sua proximidade com a população local.

Bento XIV em Castel Gandolfo
Bento XIV em Castel Gandolfo

Specola Vaticana

 

Diversos Pontífices deixaram marcas particulares na história de Castel Gandolfo. São João Paulo II, por exemplo, esteve profundamente ligado à cidade e, após sua eleição em 1978, foi recebido pelos moradores com grande entusiasmo. Durante décadas, os períodos de verão permitiram aos Papas alternar o ritmo intenso de Roma com momentos de oração, descanso e contato mais informal com peregrinos e habitantes. O complexo também ganhou importância cultural e científica, inclusive com a transferência da Specola Vaticana, o Observatório Astronômico do Vaticano, para Castel Gandolfo, em 1934.

Nos últimos anos, a relação entre o Papado e Castel Gandolfo passou por uma transformação. O Papa Francisco decidiu não utilizar regularmente o Palácio Apostólico como residência de verão e o abriu ao público como espaço museológico. 

Com o Papa Leão XIV, porém, a tradição ganhou novo impulso: ele tornou-se o 16º Sucessor de Pedro a passar um período de descanso em Castel Gandolfo, retomando a presença papal na localidade. Assim, a cidade continua sendo um lugar emblemático da história dos Papas, onde se encontram tradição, espiritualidade, arte e a dimensão humana do descanso do Sucessor de Pedro.

Encontro de oração no Borgo Laudato Si' em Castel Gandolfo
Encontro de oração no Borgo Laudato Si' em Castel Gandolfo   (ANSA)

Borgo Laudato si'

 

Além de transformar o Palácio Apostólico em Museu, aberto à visitação, o Papa Francisco também deixou outra marca nas Villas Pontifícias de Castel Gandolfo lançando, por meio de um Quirógrafo de 2 de fevereiro de 2023, o Borgo Laudato si', inaugurado por Leão XIV em 5 de setembro de 2025, com o objetivo de transformar o espaço das antigas Vilas Pontifícias em um modelo tangível de ecologia integral, economia circular e sustentabilidade.

São 55 hectares, uma área dividida entre belíssimos jardins históricos (35 hectares) e uma zona agrícola e fazenda modelo (20 hectares). O local funciona como um centro de formação e sensibilização ecológica prática, inspirado diretamente nos princípios da encíclica Laudato si' de 2015. É gerido pelo Centro de Alta Formação Laudato Si' (CeAF-LS), e oferece cursos e atividades voltadas especialmente para jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

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16 agosto 2026, 11:12