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Jesús Bel, capelão da prisão de Brians em Barcelona Jesús Bel, capelão da prisão de Brians em Barcelona

À espera do Papa na prisão de Brians, o capelão: que a Igreja siga caminho da misericórdia

Entre as etapas de Leão na Catalunha, está a visita ao centro de detenção cautelar, onde duas detentas darão um breve testemunho. O padre mercedário Jesús Bel, há 40 anos empenhado na pastoral carcerária em diversas instituições penitenciárias, destaca o valor da visita: “Certa vez, enquanto celebrava em uma prisão na Venezuela, houve um tiroteio e foram justamente dois detentos que me salvaram. Se não se recupera o homem, é muito difícil que a pessoa consiga seguir em frente”

Antonella Palermo – Enviada a Barcelona

Mesmo diante do fracasso total, quando tudo desaba, é justamente a partir fundo do poço em que nos afundamos que se pode encontrar um caminho para ressurgir. Quem testemunha isso à mídia vaticana é o padre Jesús Bel Gaudó, da Ordem dos Mercedários, capelão da prisão Brians 1 da Generalitat da Catalunha, no município de Sant Esteve Sesrovires, em Barcelona, que o Papa visita esta quarta-feira, 10 de junho, iniciando assim seu segundo dia na capital da Catalunha.

O caminho da misericórdia

Ainda estão vivas as imagens da viagem anterior de Leão à Guiné Equatorial, com o comovente encontro na prisão de Bata, uma das mais duras da África. Voltar a visitar um instituto penitenciário, no âmbito de uma viagem apostólica, é ressaltar a orientação que a Igreja deve sempre seguir: a misericórdia. Isso é destacado pelo religioso, satisfeito com o fato de o Sucessor de Pedro querer ir justamente onde “há pessoas que carregam uma cruz muito pesada”. É a Igreja que entra nas celas daqueles que vivem à margem, daqueles que cumprem pena por seus erros, tentando endireitar o seu caminho desviado.

Viver à espera do julgamento

Brians 1 é uma prisão de custódia cautelar, com detentos e detentas aguardando julgamento. São cerca de mil homens e 150 mulheres. Inaugurada em 1991, possui uma área construída de mais de 6 mil metros quadrados. Cerca de metade dos presos são estrangeiros. Muitos vêm da América Latina, do Magrebe e também da África Subsaariana; algumas pessoas são originárias da Europa Oriental. Os crimes variam, em sua maioria, do tráfico de drogas a furtos. Todos estão no limbo angustiante da espera pelo julgamento. Oferecer assistência espiritual aqui significa também ajudar a restabelecer os contatos com as famílias de origem, buscar um caminho para transformar a rejeição social em resgate que leve a praticar o bem. “Pessoas que passaram quase toda a vida em um instituto, sem pais para apoiá-las, sem cuidados e atenção, afundaram em um abismo do qual, no entanto, conseguiram sair também graças ao apoio espiritual”. E, em alguns casos, reconstruíram uma vida mais do que digna. “Na verdade, nunca conheci uma pessoa que fosse tão má, tão má, a ponto de não ter realmente nada de bom”, observa o padre Jesús.

A descoberta da força transformadora de Deus

O padre Bel conta com quarenta anos de experiência como capelão em prisões, em diversos institutos na Espanha e também em três prisões na Venezuela, onde passou nada menos que 24 anos. Contextos muito diferentes, mas cujo denominador comum é sempre a alegria de ver como a descoberta de Deus nessas pessoas tem um verdadeiro poder transformador. “É preciso ter muita paciência. E, uma vez que a pessoa descobre essa misericórdia de Deus, então começa a mudar, a encontrar uma esperança e uma nova maneira de ser e de viver, e tudo muda. Na Venezuela também acontecia isso. Claro, lá o cenário é, sem dúvida, mais perigoso do que aqui, muito mais complicado, com muita corrupção, muita violência, mas, no fundo, nós, seres humanos, não somos tão diferentes de um lugar para outro, e, no fim das contas, é isso que importa”.

Quando, no fundo da maldade, se esconde o bem

“As pessoas que estão na prisão têm valores. Houve episódios que me confirmaram que, muitas vezes, a humanidade não se perde, apesar das dificuldades. Lembro-me de uma vez na Venezuela, quando fui celebrar a Missa em um centro penitenciário; havia outro bem ao lado, chamado Tocorón, onde não havia capelão. Um grupo de voluntários ia até lá para oficiar, dar catequese e encorajar os detentos. Foram eles que me perguntaram se eu poderia ir celebrar pelo menos uma vez por mês, e assim decidi me comprometer com isso”. O padre conta de quando celebrou em uma quadra de basquete dentro da prisão, com mais de cem detentos presentes na cerimônia. Começou uma briga entre duas gangues que desencadeou um tiroteio. “Tivemos que nos jogar no chão, as balas passavam por cima de nossas cabeças. Em determinado momento, dois detentos se arrastaram pelo chão e se colocaram ao meu lado, dizendo-me: ‘Fique tranquilo, padre, hoje você vai sair vivo daqui…’. Bem, eu sempre disse que, por mim, Cristo deu a vida. E eles estavam dispostos a se sacrificar. Eles serviram de escudo humano para que nada me acontecesse”. Apesar de a instituição aplicar protocolos para prevenir casos de suicídio, o próprio capelão admite que houve episódios extremos. Aliás, estudos realizados nesta penitenciária, assim como em prisões na França, Noruega e Alemanha, mostram que estar em prisão preventiva é justamente um dos principais fatores de risco.

A espera pelo Papa, sentir-se pessoas amadas

“Eles o aguardam com entusiasmo, com ansiedade, e o receberão com todo o seu carinho”, disse ainda o padre Jesús na véspera da chegada de Leão XIV. Está previsto que duas detentas prestem um breve testemunho. É preciso neutralizar o risco de nos desumanizarmos, conclui o capelão, lembrando um tema que é muito caro ao Pontífice. “A desumanização que está ocorrendo neste mundo cria vazios que se tenta preencher com muitas coisas, e às vezes perde-se um pouco o horizonte, o horizonte elevado da pessoa. Se não se recuperar o homem, é muito difícil que a pessoa consiga seguir em frente”.

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09 junho 2026, 17:45