Papa: radicados em Cristo, naveguemos com coragem no novo tempo da história

Ao se reunir com os bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e religiosas, os seminaristas e os agentes de pastoral das Canárias, o Santo Padre indicou duas atitudes para enfrentar as tempestades da vida e as turbulências do nosso tempo: abraçar a cruz de Cristo e cultivar uma espiritualidade eucarística.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O segundo compromisso do dia do Papa Leão foi o encontro com o clero diocesano, a vida consagrada e os agentes de pastoral na Catedral de Sant’Anna em Las Palmas de Gran Canaria.

Acolhido ao som do hino desta viagem apostólica, o Pontífice ouviu a saudação do bispo, Dom José Mazuelos, e o testemunho de um sacerdote missionário claretiano e de uma leiga, secretária-geral de pastoral, que contaram ao Santo Padre as alegrias e os desafios de manter viva uma Igreja que se encontra na encruzilhada de três continentes - África, Europa e América.

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A saudação do Papa aos presentes
A saudação do Papa aos presentes   (@Vatican Media)

Com Cristo, enfrentar as tempestades da existência, as turbulências e contradições desta época

Com eles, Leão XIV refletiu sobre duas atitudes da vida cristã necessárias para a construção de uma civilização do amor: abraçar a cruz de Cristo e cultivar uma espiritualidade eucarística.

Usando metáforas marítimas, Leão XIV falou do privilégio de desfrutar todos os dias da "majestosa presença do mar", que pode, todavia, significar por vezes distância e separação. Para enfrentar as tempestades da existência, as turbulências e contradições desta época, é preciso levar Jesus em nossas barcas, disse o Pontífice, confiando Nele para acalmar as ondas da incerteza e do medo. Como exemplo de bom navegante, o Papa citou o venerável António Vicente González, sacerdote diocesano, também conhecido como “o bom pastor das Canárias”. 

"A primeira 'guia de navegação', portanto, é abraçar a cruz de Cristo; e vocês o fazem diariamente quando, por exemplo, como cireneus, acompanham e ajudam a carregar os fardos de tantos irmãos e irmãs crucificados pelos dramas da vida. Agradeço-lhes por este generoso trabalho de caridade e misericórdia."

O Papa diante da Catedral
O Papa diante da Catedral   (@Vatican Media)

Navegar com coragem

Já a segunda atitude - cultivar uma espiritualidade eucarística - está relacionada ao destino final da nossa peregrinação, que é o encontro com Cristo, centro da vida cristã, diante de quem nos ajoelhamos em adoração, em torno de quem nos reunimos formando um só corpo.

Uma forma concreta de manifestar esta espiritualidade de comunhão, ressaltou o Santo Padre, é a solidariedade cristã, encorajando a Igreja local a continuar a oferecer a todos o amor que recebemos do Senhor, "amor que se faz alimento no acolhimento, na escuta, na proximidade e no cuidado dos mais frágeis".

“Querida Igreja peregrina nas Canárias, seguindo a esteira de santidade de tantos homens e mulheres que os precederam, que ofereceram as suas vidas em comunhão com o sacrifício de Cristo na cruz e no altar, encorajo-os a seguir em frente, firmemente radicados Nele, para continuarem a navegar com coragem neste novo tempo da história.”

"Que a Bem-Aventurada Virgem Maria, Stella maris, nos guie na nossa travessia, nos ajude a “fazer-nos ao largo” e assim cheguemos ao porto seguro do encontro definitivo com o seu Filho Jesus Cristo", concluiu Leão XIV.

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11 junho 2026, 15:45