Refugiadas sírias se encontram com o Papa Leão XIV
Fabrizio Peloni – Vatican News
Deixar o Campo de Refugiados de Azraq, na Jordânia, para participar de uma competição juvenil de taekwondo — programada em Roma de 4 a 7 de junho — não é apenas uma experiência esportiva. Sobretudo quando, na véspera, se participa da Audiência Geral na Praça São Pedro e se cumprimenta o Papa. É quase inacreditável para as sete meninas sírias — de 7 a 9 anos —, que chegaram à Itália vindas do campo de refugiados jordaniano, terem embarcado pela primeira vez num avião e viverem o contato com outros atletas de todo o mundo, em pleno espírito olímpico e sob o lema dos valores de integridade, perseverança e autocontrole que estão na base da arte marcial asiática. Tudo isso foi possível graças à Federação Italiana desta modalidade, que, por meio da Taekwondo Humanitarian Foundation, trabalha na promoção da prática esportiva também nos contextos mais difíceis. Na manhã da última quarta-feira, a grande emoção de poder encontrar o Leão XIV e entregar-lhe, junto com Chungwon Choue e Angelo Cito, respectivamente presidente da federação mundial, da qual faz parte a Athletica Vaticana, e da federação italiana, a mais alta honraria do Taekwondo, a faixa preta décimo dan. “A intenção é contribuir para a melhoria de suas condições de vida”, afirmou Cito, acrescentando que “a atenção está voltada especialmente para as crianças, muitas vezes vítimas das consequências mais duras das guerras e da discriminação, e ajudá-las na troca e na partilha dos valores autênticos do esporte”.
O esporte cria relações
Além do taekwondo, houve muitas outras experiências, entre as vinte mil pessoas presentes na Praça São Pedro, que monstraram a forte conexão entre o esporte e a construção de uma cultura do encontro. O torneio BNL Italy Major Premier Padel, que também se realiza em Roma até 7 de junho, está sendo realizado. O presidente da Federação Internacional de Padel (FIP), Luigi Carraro, e o campeão Francisco Navarro, conhecido como Paquito — acompanhados por Alessandra Turco, presidente de Vatican Padel - Athletica Vaticana, clube poliesportivo da Santa Sé membro da FIP — doaram a raquete oficial do torneio ao Papa. "O nosso é um esporte inclusivo, capaz de criar relações e amizades, unindo pessoas de diferentes nacionalidades, línguas e culturas por meio de uma paixão compartilhada", disse Carraro.
Quarenta atletas do Centro Esportivo Italiano (CSI) de Macerata e da peregrinação Macerata-Loreto, que este ano está em sua 48ª edição, pediram ao Papa que acendesse e abençoasse a "Tocha da Paz" que iluminará a marcha na noite entre 13 e 14 de junho. "Para nós, não é uma corrida, mas um esporte da alma", disseram Chiara D'Alonzo e Antonino Pedano, os dois maratonistas presentes no adro da Basílica Vaticana.
River Plate encontra o Papa
Uma delegação argentina do River Plate, instituição esportiva e social com mais de 120 anos de história no mundo do futebol, compareceu à audiência para testemunhar seu profundo compromisso com o desenvolvimento integral das pessoas por meio do esporte, da educação aos valores e do trabalho dessa comunidade "na difusão de uma mensagem de paz, inclusão e respeito — valores profundamente ligados à mensagem universal do Santo Padre".
Atletas e veteranos dos Estados Unidos
De Chicago, Robert Blackwell Jr. — fundador e proprietário da empresa Killerspin, que produz equipamentos de tênis de mesa — doou ao Bispo de Roma uma mesa branca para incentivar as pessoas a deixarem de lado seus dispositivos eletrônicos e se reconectarem por meio do "jogo consciente". Também dos Estados Unidos estava presente, Joseph Mathias Kovacs, campeão mundial em Pequim 2015 e Doha 2019, com um recorde pessoal de 23,23 m, o que o coloca em segundo lugar na lista mundial de todos os tempos. Também dos Estados Unidos, um encontro particularmente comovente, ao final da audiência, foi entre Leão XIV e Max Gurney, um veterano da II Guerra Mundial que completará 105 anos em 10 de junho. "Oitenta e dois anos atrás, eu e um grupo de soldados estadunidenses caminhamos de Cassino até Florença, libertando o território italiano dos nazifascistas", afirma com lucidez, num italiano perfeito, aprendido graças ao seu pai, "que era linguista". Gurney continua preenchendo sua agenda com viagens, jantares, reuniões, aventuras e novos encontros, "dentre os quais, claramente, com o Santo Padre".
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