2026.06.16 Pavia, Basilica di San Pietro- statua di S. Agostino

Prior dos Agostinianos em Pavia: queremos apoiar o Papa testemunhando a unidade

Mais de cem frades da Ordem de Santo Agostinho estarão presentes na Basílica de São Pedro em Ciel d'Oro, um dos locais que Leão XIV visitará na cidade lombarda em 20 de junho. Há mais de um ano, milhares de peregrinos têm visitado o túmulo do Bispo de Hipona, e a comunidade que custodia as relíquias busca se renovar para uma pastoral internacional. Padre Casagrande: uma lâmpada de bronze com três ramos de oliveira recordará a mensagem de paz do Papa.

Tiziana Campisi - Correspondente em Pavia

"Estamos muito felizes em receber Leão XIV em nosso convento e de acompanhá-lo à Basílica de São Pedro in Ciel d'Oro, onde ele poderá venerar as relíquias de Santo Agostinho, preservadas aqui em Pavia desde o século VIII."

Padre Gianfranco Casagrande, prior da comunidade dos padres agostinianos - a quem foi confiado o cuidado pastoral do local de culto que guarda os restos mortais do bispo de Hipona em uma arca de mármore - não consegue conter sua alegria com a chegada do Papa na tarde de sábado, 20 de junho. "Porque é a realização de um sonho que ele acalentava desde sua eleição": prestar homenagem ao grande Pai da Igreja, de quem ele é "filho", um religioso agostiniano, como revelou no próprio dia de sua eleição para o papado.

"Ele retorna aqui, à casa de Santo Agostinho, onde esteve muitas vezes, especialmente como prior geral da Ordem agostiniana, e poderá encontrar Agostinho em seu túmulo, dentro da Arca. E isso é muito significativo - explica o padre Gianfranco - porque sua mensagem para toda a Igreja é também a da espiritualidade agostiniana, uma espiritualidade fundada na unidade, na comunhão, na amizade e, sobretudo, na partilha fraterna para superar todo tipo de conflito, pessoal, comunitário e social. Aqui, portanto, haverá um encontro de dois corações - acrescenta o sacerdote - o coração do Papa e o coração de Agostinho."

Padre Gianfranco Casagrande em primeiro plano, durante uma celebração (foto da Diocese de Pavia)
Padre Gianfranco Casagrande em primeiro plano, durante uma celebração (foto da Diocese de Pavia)   (foto diocesi di Pavia)

Leão XIV e a família agostiniana

 

A Basílica de São Pedro in Ciel d'Oro é a segunda etapa da visita pastoral de Leão XIV a Pavia, que antes da celebração da Palavra, encontrará os irmãos em seu convento. Entre os presentes estarão o prior geral da Ordem de Santo Agostinho, padre Joseph Farrell, e o prior da Província agostiniana da Itália, padre Gabriele Pedicino. Mas também estarão mais de cem frades o agaurdando na basílica, juntamente com uma representação de monjas e irmãs de vida ativa da família agostiniana, para serem, com o Pontífice, "um só coração e uma só alma, voltada para Deus", como pede o Bispo de Hipona em sua Regra.

Robert Prevost visitou Pavia pela última vez em 2024, como cardeal, para concluir as celebrações do 1300º aniversário da transladação das relíquias de Santo Agostinho de Cagliari, em 28 de fevereiro, em São Pedro in Ciel d'Oro. Agora, há um clima de grande expectativa, religiosos e leigos estão ocupados preparando-se para a chegada de Leão XIV.

Robert Prevost, quando, como cardeal em 2024, celebrou o encerramento do 13º centenário da chegada das relíquias de Santo Agostinho a Pavia.
Robert Prevost, quando, como cardeal em 2024, celebrou o encerramento do 13º centenário da chegada das relíquias de Santo Agostinho a Pavia.

Da Arca de Santo Agostinho um presente para o Papa

 

"Hoje, nosso confrade Prevost é o Pastor universal da Igreja - considera o prior da comunidade agostiniana em Pavia. Por um lado, sentimos o peso que ele carrega por toda a Igreja e, ao mesmo tempo, gostaríamos de aliviá-lo, carregando-o nós mesmos, rezando por ele, deixando-o sentir nossa proximidade, nossa amizade e nosso espírito de vida fraterna."

Um sinal concreto será o presente que lhe será entregue: uma cópia do alto relevo que retrata a conversão de Santo Agostinho, representada na Arca de Santo Agostinho, reproduzida com uma impressão 3D de uma foto tirada durante a restauração. Isso porque a Arca também passou por uma limpeza para a visita do Papa.

A Superintendência de Arqueologia, Belas Artes e Paisagens das províncias de Monza-Brianza e Pavia removeu a poeira e as incrustações, e uma nova iluminação agora destaca o mármore de Carrara, revelando muitos detalhes. "Por exemplo, há vários cachorrinhos esculpidos aqui e ali - descreve o padre Gianfranco - veio à tona um gatinho que persegue um rato, e muitos detalhes estão mais visíveis".

"O presente que estamos oferecendo ao Papa tem o objetivo de lembrá-lo da arca de Santo Agostinho, do túmulo do nosso santo Doutor e da nossa comunidade", continua o agostiniano. "Escolhemos reproduzir o momento da Tolle lege porque é um episódio fundamental, que marca a transição para a santidade na vida de Aurélio Agostinho." E então, em homenagem a Leão XIV, uma lâmpada de bronze feita de três altos ramos de oliveira foi encomendada ao escultor Armando Marrocco, "um símbolo da paz que o Papa está anunciando a toda a Igreja e ao mundo inteiro", especifica o Padre Gianfranco. Ela será acesa pelo próprio Papa e permanecerá ao lado das relíquias de Santo Agostinho, que serão expostas no presbitério inferior no sábado.

A Arca de Santo Agostinho (Chris Devers)
A Arca de Santo Agostinho (Chris Devers)   (Chris Devers)

Uma comunidade que quer ser internacional

 

A comunidade agostiniana de Pavia é composta atualmente por oito religiosos, e a Província da Itália, em colaboração com o Conselho Geral da Ordem, está planejando a presença de frades de vários países para revitalizá-la. Isso também para atender o grande número de turistas, peregrinos, famílias, jovens e indivíduos que visitam a Basílica de São Pedro in Ciel d'Oro há um ano e aprendem mais sobre Santo Agostinho. "Milhares de pessoas nos visitam - explica o padre Gianfranco - e a comunidade precisa de apoio. Entre outras coisas, estamos nos aproximando do 1600º aniversário da morte de Santo Agostinho em 2030, e gostaríamos de organizar um período de preparação de três anos. Por isso, decidimos criar comissões para trabalhar em conjunto e planejar um centenário que una todos os grupos eclesiais que aderem à regra de Santo Agostinho e à sua espiritualidade, tanto eclesiásticos quanto leigos e sociais". 

As relíquias do Bispo de Hipona

 

Diz-se que os restos mortais do Bispo de Hipona chegaram a Pavia em 723, quando a cidade era a capital do reino lombardo sob Liutprando. O soberano os adquiriu a peso de ouro em Cagliari para protegê-los das incursões dos sarracenos. Provavelmente foram levados da África para a Sardenha entre os séculos VII e VIII, por medo que fossem, profanadas, segundo alguns pelos bárbaros, segundo outros por populações árabes que chegavam da região do Magrebe.

O rei Liutprando mandou colocar as relíquias em um relicário de prata, que foi preservado em San Pietro in Ciel d'Oro e confiado aos cuidados de uma comunidade monástica beneditina ali estabelecida, aos quais se somaram em 1221 os Cônegos Regulares e, cerca de três séculos mais tarde os Cônegos lateranenses

Os agostinianos chegaram em 1327 e construíram seu convento ao sul da basílica, que, portanto, era oficiada por ambos. Foram os próprios agostinianos, para homenagear seu "pai espiritual", que encomendaram o monumento, "um paralelogramo de quatro andares composto de molduras, estátuas, baixos-relevos e vários ornamentos", construído entre 1360 e 1400. Tem aproximadamente quatro metros de altura e pouco mais de três metros de largura, conforme descrito por Defendenti Sacchi em 1832.

A obra é atribuída aos mestres campioneses Matteo e Bonino e a Balduccio di Pisa e seus alunos, e foi desmontada. e remontadas diversas vezes. Durante séculos, a localização exata das relíquias permaneceu incerta. Elas só foram descobertas em 1695 e declaradas autênticas em 1728, após extensos estudos e investigações. Em 1785, após a supressão dos conventos dos cônegos e agostinianos, as relíquias de Agostinho foram confiadas à cidade de Pavia e preservadas primeiro na Igreja do Gesù e depois na catedral.

Após diversas vicissitudes, o local de culto foi declarado monumento nacional e submetido a restauração, sendo reaberto em 1896 e, em 7 de outubro de 1900, voltou a acolher as relíquias de Santo Agostinho.

A urna de prata na qual o Rei Liutprando mandou guardar as relíquias de Santo Agostinho (Chris Devers)
A urna de prata na qual o Rei Liutprando mandou guardar as relíquias de Santo Agostinho (Chris Devers)   (Chris Devers)

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19 junho 2026, 10:05