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Cardeal Ambongo: viagem do Papa à África irá fortalecer a liberdade e a dignidade humana

Ao término da visita apostólica de Leão XIV a quatro países da África, o arcebispo metropolita de Kinshasa e presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar, cardeal Fridolin Ambongo Besungu, expressa orgulho, esperança e otimismo: a mensagem do Papa foi profética e um apelo à consciência dos governantes do continente para que pensem no futuro dos jovens.

Francesa Sabatinelli – enviada a Malabo, Guiné Equatorial

A escolha dos países visitados ilustra a diversidade dos desafios africanos: o diálogo inter-religioso na Argélia, a busca pela paz em Camarões e a exigência de uma distribuição mais justa da riqueza em Angola e na Guiné Equatorial. O cardeal Fridolin Ambongo Besungu, arcebispo metropolitano de Kinshasa e presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM), destaca a importância da viagem do Papa e de seus apelos aos líderes políticos, instados a conter o êxodo dos jovens criando condições de vida dignas em nível local.

Em milhares seguiram o Papa durante os dias vividos pelos 4 países da África
Em milhares seguiram o Papa durante os dias vividos pelos 4 países da África   (@Vatican Media)

Eminência, qual o balanço do senhor sobre a viagem do Papa Leão XIV?

Estou feliz, estou contente, em nome de todo o povo da África. Para nós, é um motivo de orgulho, mas também uma assunção de responsabilidade, pois isso significa que a Igreja universal do futuro terá de dialogar com a Igreja africana; essa é uma responsabilidade nossa e devemos assumi-la. Em segundo lugar, vale ressaltar a escolha dos quatro países. Um país árabe de maioria muçulmana, que recebeu do Papa uma mensagem sobre a importância da liberdade dos cristãos que vivem lá. Ele visitou também Camarões, país que sofre, de certa forma, com a convivência entre as comunidades. Lá, ele levou essa mensagem forte sobre a paz e sobre viver juntos em paz. Os outros dois são países que possuem recursos, e a mensagem do Papa concentrou-se na necessidade de uma distribuição justa dessa riqueza: os bens de todos para o bem de todos.

No que diz respeito a nós, católicos da África, penso que a mensagem principal tenha sido a do aprofundamento da fé, da nossa identidade como católicos; devemos conhecer, antes de tudo, a nós mesmos, antes de entrarmos em contato com os outros. A mensagem principal para a Igreja é esta: reconhecer nossa identidade de católicos. Nesta viagem, ele visitou todas as realidades da Igreja na África. Para mim, isso foi muito bonito.

Do ponto de vista sociopolítico, ele insistiu na paz, na justiça e na boa governança. Isso vale para todos esses países. Leão XIV visitou um país mais ou menos francófono, mas digamos árabe, a Argélia; visitou o Camarões, onde há uma parte francesa e uma inglesa; visitou Angola, que é portuguesa; e terminou na Guiné Equatorial, o único país africano onde se fala espanhol.

O Papa em Malabo, na Guiné Equatorial
O Papa em Malabo, na Guiné Equatorial   (@Vatican Media)

Qual é o rosto da Igreja que o Papa encontrou?

São dois: o primeiro é o de uma Igreja jovem, dinâmica, confiante em seu futuro. Isso ficou evidente em todos os compromissos do Papa nestes dias: é uma Igreja cheia de jovens. E esse é o futuro. Por outro lado, porém, é uma Igreja que se depara com muitos desafios: a pobreza, a falta de justiça em alguns países, a dificuldade de viver em paz com quem é manipulado pelo poder. É esta a Igreja que o Papa veio encontrar, e sua visita foi percebida justamente como um incentivo para continuar lutando pelo futuro. É um incentivo incrível para nós e para os católicos, é um momento de confirmação na fé; somos confirmados em nossa fé, somos católicos.

Leão XIV em Douala, em Camarões
Leão XIV em Douala, em Camarões   (@Vatican Media)

O Papa falou com muita veemência sobre a liberdade, sobre o significado da liberdade, da igualdade, denunciou a disparidade entre os poucos ricos e os muitos, os muitíssimos pobres, e pediu o respeito pela dignidade humana. Na sua opinião, até que ponto essa mensagem poderá se inserir nesses quatro países?

“Eu vejo a mensagem do Papa como uma mensagem profética. Quero dizer que, quando o profeta fala, alguns ouvem, outros não. Foi assim com Jesus, quando viveu nesta terra, e será assim também com a mensagem do Papa Leão.”

E no que diz respeito à população, até que ponto as palavras do Papa Leão foram fundamentais e importantes para lhes dar coragem? Viu-se a alegria de todos e dos muitos jovens. A mensagem do Pontífice poderá lhes dar confiança e força para conseguirem seguir em frente?

O valor da mensagem do Papa é que ela é um apelo à consciência dos dirigentes aqui na África, para que sejam criadas oportunidades para o futuro dos jovens. E vimos quantos jovens estavam lá, entusiasmados, sim, mas pensemos em todos aqueles que deixam o continente e vão para onde acham que existe o paraíso. E muitos acabam no deserto do Saara ou no mar. E isso significa que há algo que não está certo aqui na África. A mensagem do Papa aos líderes é, com razão, pedir: criem vocês as condições para permitir que os jovens desfrutem da vida aqui e não sejam obrigados a ir para outro lugar em busca dessa felicidade.

O Pontífice em Saurimo, na Angola
O Pontífice em Saurimo, na Angola   (@Vatican Media)

O senhor é otimista?

Muito. Continuo acreditando no futuro deste continente, sobretudo do meu país (República Democrática do Congo), que hoje é um país que sofre. Mas acredito no futuro.

Qual é o seu estado de espírito?

Diria que a primeira emoção que sinto é de orgulho. Sinto-me orgulhoso e feliz, e acredito que todos os africanos estejam vivendo esse sentimento neste momento; espero que continue assim também no futuro. Haverá frutos também para a Igreja na África, cujo papel deverá ser universalmente valorizado. Ao ver o trabalho que o Papa Leão realizou em um ano de pontificado, estamos confiantes no futuro.

Leão XIV em Annaba, na Algéria
Leão XIV em Annaba, na Algéria   (@Vatican Media)

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24 abril 2026, 08:00