Papa: o ensino religioso é um "trampolim" para um mergulho na interioridade

A Sala Paulo VI ficou lotada com os professores que lecionam religião católica nas escolas italianas. "Educar requer a paciência de semear sem esperar resultados imediatos, respeitando os tempos de crescimento da pessoa. E, acima de tudo – como ensina Newman –, requer amor", disse o Santo Padre.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O Papa acolheu na Sala Paulo VI os participantes do Encontro Nacional italiano de Professores de Religião Católica, promovido pela Conferência Episcopal Italiana.

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Leão XIV iniciou seu discurso agradecendo pelo trabalho exigente, muitas vezes silencioso, que os professores realizam. O Pontífice comparou o ensino religioso a um "trampolim", que permite aos jovens se lançarem na "aventura fascinante" do diálogo interior, que constitui um elemento indispensável daquela aliança educativa de que tanto se necessita nos dias de hoje.

E não só: "O ensino da religião católica é uma disciplina de grande valor cultural, útil para a compreensão das dinâmicas históricas e sociais, bem como das manifestações do pensamento, da criatividade e das artes que moldaram e continuam a moldar a face da Itália, da Europa e de tantos países do mundo". Isso demonstra que verdadeira laicidade não exclui a dimensão religiosa, mas, pelo contrário, sabe valorizá-la como um recurso educativo. 

Encontro foi repleto de ternos momentos
Encontro foi repleto de ternos momentos   (@Vatican Media)

O Papa Leão falou da pertinência do tema escolhido para o terceiro Encontro Nacional, "O coração fala ao coração" (Cor ad cor loquitur), inspirado em São John Henry Newman, Doutor da Igreja e co-padroeiro do mundo da educação. Numa época em que vivemos constantemente bombardeados por estímulos de todo tipo, afirmou, silenciar essa voz é muito fácil:

"Por isso, educar para ouvi-la ou reencontrá-la é um dos maiores presentes que se pode oferecer às novas gerações. O homem não pode viver sem verdade e sem significados autênticos, e os jovens, mesmo que às vezes pareçam apáticos ou insensíveis, por trás de uma fachada de aparente indiferença, na realidade muitas vezes escondem a inquietação e o sofrimento de quem 'sente demais' e de forma muito intensa, sem conseguir dar um nome ao que experimenta."

Ensinar requer amor

Ensinar, portanto, significa formar as pessoas a ouvir o coração e, com isso, à liberdade interior e à capacidade de pensamento crítico, segundo dinâmicas em que fé e razão não se ignoram, nem muito menos se opõem, mas são companheiras de viagem na busca humilde e sincera da verdade. Por isso, educar requer a paciência de semear sem esperar resultados imediatos, respeitando os tempos de crescimento da pessoa. E, acima de tudo – como ensina Newman –, requer amor.

A alegria do Santo Padre
A alegria do Santo Padre   (@Vatican Media)

Assim, os professores são chamados a tornarem-se críveis por serem apaixonados por Deus, sem protagonismo nem moralismo. Os alunos não precisam de respostas prontas, disse o Papa, mas de proximidade e honestidade por parte de adultos que os acompanhem com credibilidade e responsabilidade, enquanto enfrentam as grandes questões da vida. 

A escola hoje, concluiu o Papa, tem diante de si desafios dramáticos e, ao mesmo tempo, estimulantes. Por isso, garantiu, a Igreja caminha com professores, encorajando-os a perseverar neste compromisso.

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25 abril 2026, 12:25