Papa: políticos recuperem contato com o povo, antídoto contra populismos
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
O Papa recebeu em audiência na manhã de sábado, 25 de abril, os membros do Partido Popular Europeu, cuja inspiração política se baseia nos "pais fundadores" da Europa contemporânea, como Adenauer, De Gasperi e Schuman.
Este projeto nasceu das cinzas da II Guerra Mundial para evitar que o conflito se repetisse, mas também com um ideal mais amplo, dando vida a uma colaboração que colocasse fim a séculos de divisões e permitisse aos povos do continente de redescobrirem o patrimônio humano, cultural e religioso que os une, reconhecendo sua herança cristã como fator de união.
A ideologia subjuga o homem
A principal missão de toda ação política, afirmou o Santo Padre, é oferecer um horizonte ideal, pois a política exige uma visão ampla do futuro, sem receio de tomar decisões difíceis e até mesmo impopulares, quando isso for necessário para o bem comum. Todavia, advertiu, perseguir um ideal não significa exaltar uma ideologia. Esta última, de fato, é sempre fruto de uma distorção da realidade e de uma violência contra ela.
Evocando De Gasperi, Leão XIV recordou que perseguir um ideal significa colocar a pessoa humana no centro. O próprio nome da legenda - Partido Popular Europeu - expressa o vínculo constitutivo com o povo, que não deve ser visto como sujeito passivo, mas copartícipe de toda ação política. "A presença entre as pessoas e o seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos, que buscam apenas o consenso fácil, e contra os elitismos, que tendem a agir sem consenso: duas tendências generalizadas no panorama político atual. Uma política 'popular' exige tempo, compartilhamento de projetos e amor pela verdade."
Do "digital" ao "analógico"
Para o Pontífice, a falta de sintonia e colaboração entre o povo e seus representantes constitui um dos problemas da política atual. Recorrendo a uma metáfora, o Papa afirmou que na era do "triunfo digital", a ação política orientada ao bem comum exige um regresso ao “analógico”.
O "manual" do político católico
Neste contexto, para quem se confessa cristão, fazer política significa deixar que o Evangelho ilumine as decisões a serem tomadas, mesmo que sejam impopulares:
"Ser cristão engajado na política exige ter uma visão realista, que parta dos problemas concretos das pessoas, que se preocupe, antes de tudo, em promover condições de trabalho dignas que estimulem a criatividade e o talento das pessoas diante de um mercado cada vez mais desumanizante e pouco gratificante; que permita superar o medo, aparentemente muito europeu, de constituir família e ter filhos, de enfrentar as causas profundas da migração, cuidando de quem sofre, mas também levando em conta as reais possibilidades de acolhimento e integração dos migrantes na sociedade. Da mesma forma, exige enfrentar de maneira não ideológica os outros grandes desafios que se colocam em nossos dias, como o cuidado da criação e a inteligência artificial. Esta última oferece grandes oportunidades, mas, ao mesmo tempo, está repleta de perigos."
Ainda, ser cristãos engajados na política, concluiu o Santo Padre, significa por fim investir na liberdade ancorada na verdade, que proteja a liberdade religiosa, de pensamento e de consciência em todos os lugares e em todas as condições humanas, evitando alimentar um “curto-circuito” dos direitos humanos, que acaba por abrir espaço à força e à opressão. Leão XIV se despediu dos parlamentares concedendo sua bênção apostólica.
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