O Papa: ressuscitados com Cristo, podemos dar vida a um mundo novo, de paz e de unidade
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Leão XIV presidiu a missa da Vigília Pascal na Noite Santa, neste sábado, 4 de abril, na Basílica de São Pedro. Seis mil pessoas participaram da missa dentro da Basílica Vaticana e 4 mil acompanharam do lado de fora dos telões na Praça São Pedro.
Em sua homilia, o Pontífice recordou que "esta é uma Vigília repleta de luz, a mais antiga da tradição cristã, conhecida como «a mãe de todas as vigílias». Nela revivemos o memorial da vitória do Senhor da vida sobre a morte e sobre os infernos". Fazemos isso, "depois de ter percorrido, nos últimos dias, como numa única grande celebração, os mistérios da Paixão do Deus que por nós se fez «alguém cheio de dores», «menosprezado e desconsiderado», torturado e crucificado", disse o Papa.
Deus revela o seu rosto misericordioso
A primeira leitura, com o relato das origens, nos diz que "no princípio, Deus criou os céus e a terra, tirando do caos o cosmos, da desordem a harmonia, e confiando a todos nós, criados à sua imagem e semelhança, a tarefa de sermos seus guardiões. E mesmo quando, com o pecado, o homem não correspondeu a este projeto, o Senhor não o abandonou, mas revelou-lhe, de forma ainda mais surpreendente, no perdão, o seu rosto misericordioso".
Deus responde com o poder do amor
Leão XIV lembrou que a liturgia nos propôs algumas etapas desse caminho. "Recordou-nos como Deus segurou a mão de Abraão, prestes a sacrificar o seu filho Isaac, para nos indicar que não deseja a nossa morte, mas antes que nos consagremos a ser, nas suas mãos, membros vivos de uma descendência de gente salva. Da mesma forma, convidou-nos a refletir sobre como o Senhor libertou os israelitas da escravidão do Egito, fazendo do mar – lugar de morte e obstáculo intransponível – a porta de entrada para o início de uma vida nova e livre. A mesma mensagem ressoou como um eco nas palavras dos Profetas, nas quais ouvimos os louvores do Senhor como esposo que chama e une a si, fonte que mata a sede, água que fecunda, luz que mostra o caminho da paz, Espírito que transforma e renova os corações".
"Em todos estes momentos da história da salvação, vimos como Deus, diante da dureza do pecado que divide e mata, responde com o poder do amor que une e restitui a vida", disse ainda o Papa, ressaltando que "pela Páscoa de Cristo, «sepultados com Ele na morte […] também nós caminhemos numa vida nova […] mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus»".
Pecado, uma barreira que nos fecha e nos separa de Deus
Leão XIV recordou que "na manhã de Páscoa, as mulheres, vencendo a dor e o medo, puseram-se a caminho. Queriam ir ao túmulo de Jesus! Esperavam encontrá-lo selado, com uma grande pedra à entrada e soldados a guardá-lo".
"No terremoto e no anjo, sentado sobre a pedra derrubada, viram o poder do amor de Deus, mais forte do que qualquer força do mal, capaz de “dissipar o ódio” e “derrubar os poderosos”. O homem pode matar o corpo, mas a vida do Deus do amor é vida eterna, que vai além da morte e que nenhum túmulo pode aprisionar", disse ainda o Papa.
Levar a todos a boa nova que Jesus ressuscitou
Pedras que parecem inamovíveis
O Papa recordou que "também nos nossos dias não faltam sepulcros para abrir, e muitas vezes as pedras que os fecham são tão pesadas e tão bem vigiadas que parecem inamovíveis".
"Muitos homens e mulheres, ao longo dos séculos, com a ajuda de Deus, as removeram, talvez com grande esforço e por vezes à custa da própria vida, mas com frutos de bem dos quais ainda hoje beneficiamos. Não se trata de personagens inacessíveis, mas de pessoas como nós que, fortalecidas pela graça do Ressuscitado, na caridade e na verdade, tiveram a coragem de falar, como diz o Apóstolo Pedro, «para transmitir palavras de Deus» e de agir «com a força que Deus lhe concede, para que em todas as coisas Deus seja glorificado»".
"Deixemo-nos inspirar pelo seu exemplo e, nesta Noite Santa, façamos nosso o seu compromisso, para que, em todo lugar e sempre, cresçam e floresçam no mundo os dons pascais da concórdia e da paz", concluiu.
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