Papa: há riquezas nas mãos de poucos. Necessária uma distribuição justa dos recursos
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta sexta-feira (10/04), na Sala Clementina, no Vaticano, os diretores e funcionários do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) da Itália.
O Pontífice ressaltou que eles têm um "papel social e institucional importante" que os chama a "atender às necessidades de muitas pessoas frágeis por meio de mecanismos de distribuição justa da riqueza, com especial atenção às situações críticas". "Isso lhes dá a possibilidade de agir de forma eficaz na promoção de uma responsabilidade social que concilie desenvolvimento econômico e coesão comunitária, orientando as escolhas para o bem comum", sublinhou.
Uma situação injusta
"É uma situação injusta, diante da qual não podemos deixar de nos questionar e de nos comprometer para mudar as coisas. Não existe um determinismo que nos condene à desigualdade", disse ainda o Papa, ressaltando que "a raiz das desigualdades não é a falta de recursos, mas a necessidade de enfrentar problemas solucionáveis relacionados à sua distribuição mais justa, a ser realizada com senso moral e honestidade".
A atenção da Igreja ao mundo do trabalho e da assistência
"Nesse contexto, a resposta às necessidades concretas das pessoas sempre esteve no centro das atenções da Igreja Católica, tanto no que diz respeito ao mundo do trabalho quanto à assistência aos necessitados", sublinhou Leão XIV, citando a esse propósito, a Encíclica Rerum novarum, do Papa Leão XIII, onde o Pontífice, referindo-se à condição dos trabalhadores, destaca "explicitamente a importância da previdência e da assistência social", para «garantir que ao trabalhador nunca falte trabalho e que haja fundos disponíveis para socorrer cada um, não apenas nas crises repentinas e inesperadas da indústria, mas também em casos de enfermidade, velhice e acidente».
O Papa Leão falou também a propósito da atenção da Igreja ao modelo do Estado de bem-estar social nas Encíclicas de São João XXIII, Mater et Magistra e Pacem in Terris, onde o direito ao bem-estar social é expressamente elevado à categoria de direito humano, como o direito "à segurança em caso de doença, invalidez, viuvez, velhice, desemprego e em qualquer outro caso de perda dos meios de subsistência por circunstâncias fora do controle de cada um".
Na mesma linha magisterial encontram-se a Populorum Progressio de São Paulo VI, a Laborem Exercens, a Sollicitudo Rei Socialis e a Centesimus Annus de São João Paulo II, bem como a Caritas in Veritate de Bento XVI.
"O percurso então conduz ao magistério social do Papa Francisco, em particular na Encíclica Fratelli tutti, onde o Estado de bem-estar social é elevado a um verdadeiro direito universal", disse ainda Leão XIV, recordando que "o modelo proposto é o de um sistema de segurança solidário, baseado nos princípios da subsidiariedade, da responsabilidade social e da fraternidade humana, sempre com o objetivo de orientar as intervenções de bem-estar para permitir a todos uma vida digna através do trabalho".
Proteção dos mais vulneráveis e investimento nos jovens
O Compêndio da Doutrina Social da Igreja expressa isso a este respeito: “O princípio da solidariedade exige que as pessoas do nosso tempo cultivem uma maior consciência da dívida que têm para com a sociedade em que vivem [...]. Esta dívida deve ser honrada nas diversas manifestações de ação social, para que o caminho da humanidade não seja interrompido, mas permaneça aberto às gerações presentes e futuras, ambas chamadas a partilhar, em solidariedade, o mesmo dom”.
Leão XIV concluiu o seu discurso, lembrando as palavras que o Papa Francisco dirigiu aos diretores e funcionários do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) da Itália há pouco mais de dez anos: «Não se esqueçam do ser humano: este é o imperativo — dizia ele. Amar e servir o ser humano com consciência, responsabilidade e disponibilidade. Trabalhar por quem trabalha e por quem gostaria de trabalhar, mas não pode. […] Apoiar os mais frágeis, para que a ninguém falte a dignidade e a liberdade de viver uma vida autenticamente humana».
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