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2026.03.11 Udienza Generale

Papa recorda tradição polonesa de Quaresma preservada também no Brasil

É "um elemento marcante da espiritualidade polonesa" o Gorzkie Żale ('Lamentações Amargas'), explicou o Pe. Casimiro Długosz, sacerdote polonês no Brasil há quase 35 anos: "trata-se de uma oração composta por cantos e meditações sobre o sofrimento de Jesus, rezada tradicionalmente nas tardes de domingo da Quaresma". Leão XIV encorajou os poloneses a participar dessas celebrações, o que também fez eco nas comunidades de descendentes no Brasil que mantêm viva essa tradição.
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Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV, ao saudar os poloneses no final da Audiência Geral desta quarta-feira (11/03), recordou uma devoção católica tradicional e muito popular durante a Quaresma na Polônia e entre as comunidades de descendentes de poloneses no mundo, como no Brasil. O Pontífice fez menção às Gorzkie Żale (“Lamentações Amargas”), que se concentram na Paixão de Cristo e nas dores de Nossa Senhora:

“Há mais de trezentos anos, durante a Quaresma, cantando 'Lamentações amargas', vocês meditam sobre a Paixão de Jesus e sobre as dores da Sua Mãe. Eu os encorajo a participar dessas celebrações. Que a oração seja acompanhada por atos concretos de caridade: ajuda, reconciliação e construção da paz, especialmente nas suas famílias e na comunidade da Igreja.”

A Quaresma para descendentes de poloneses no Paraná

Na tradição religiosa da Polônia, a Quaresma ocupa um lugar de grande importância, explicou o Pe. Casimiro (Kazimierz) Długosz da Sociedade de Cristo (S.Chr), polonês da cidade de Kielce, há quase 35 anos em missão pastoral no Brasil. Trabalhou em vários municípios gaúchos e paranaenses, como pastor e inclusive à frente de programas de rádio para descendentes poloneses; em 2019 foi homenageado pela Câmara Municipal de Prudentópolis e recebeu Medalha da Vitória dos Combatentes Poloneses. Em 2024, Pe. Casimiro recebeu uma das mais altas condecorações polonesas: a Cruz de Cavaleiro da Ordem de Mérito entregue pelo presidente da Polônia, Andrzej Duda.

Atualmente, ele é pároco da comunidade paroquial de São Pedro e São Paulo, em Curitiba, no Paraná, estado que concentra a maior colônia polonesa do país, com mais de 1 milhão de descendentes, consolidando uma das maiores imigrações polonesas do mundo fora da Polônia, iniciada há cerca de 155 anos. Uma cultura que permanece viva nas famílias através da culinária e das festas típicas, mas sobretudo da religiosidade católica.

A comunidade polonesa no Paraná
A comunidade polonesa no Paraná

As Lamentações Amargas

Ao longo da Quaresma, explicou o Pe. Casimiro ao Vatican News, "muitos poloneses praticam o jejum e renunciam a certos hábitos cotidianos, como assistir televisão, visitar amigos ou ouvir músicas animadas, criando um ambiente mais propício à reflexão espiritual. Entre as devoções mais difundidas está a Via Sacra, celebrada geralmente às sextas-feiras". Para a tradição polonesa, a preparação para a Páscoa também inclui retiros paroquiais, organizados em quase todas as comunidades: "são encontros que duram alguns dias, oferecem pregações voltadas a diferentes grupos — crianças, jovens, casais ou trabalhadores — e favorecem a renovação espiritual", disse o sacerdote polonês. Além disso, são comuns as celebrações penitenciais, entre as quais, o Pe. Casimiro destacou a “Noite dos Confessionários”, quando padres permanecem disponíveis durante toda a noite para atender confissões. E o sacerdote polonês acrescentou:

"Outro elemento marcante da espiritualidade polonesa é o Gorzkie Żale ('Lamentações Amargas'), surgido no século XVIII em Varsóvia e rapidamente difundido por todo o país. Trata-se de uma oração composta por cantos e meditações sobre o sofrimento de Jesus, rezada tradicionalmente nas tardes de domingo da Quaresma. Sua melodia característica toca profundamente os corações, ajudando os fiéis a viver mais intensamente o mistério da paixão."

O Pe. Casimiro (Kazimierz) Długosz da Sociedade de Cristo
O Pe. Casimiro (Kazimierz) Długosz da Sociedade de Cristo   (Arquivo Pessoal)

As tradições da Quaresma para renovação da fé

"Um costume particularmente significativo é o de cobrir crucifixos e algumas imagens nas igrejas a partir do quinto domingo da Quaresma, antigo -'Domingo da Paixão'. Permanecem velados até a celebração da Sexta-feira Santa, gesto que desperta nos fiéis o desejo de rever o crucifixo e os convida a refletir sobre o preço da redenção. Esse costume remete ao trecho do Evangelho em que Jesus se oculta daqueles que queriam prendê-lo antes da hora marcada. Quando, na Sexta-feira Santa, o crucifixo é solenemente descoberto, os fiéis experimentam de forma ainda mais intensa o mistério do amor de Deus, que entregou seu Filho pela salvação do mundo", explicou Pe. Casimiro ao finalizar:

“As tradições quaresmais da Polônia revelam que este tempo continua sendo vivido com grande fervor e profundidade espiritual, como um período de reflexão, penitência e renovação da fé.”

Nas comunidades polonesas fora da Polônia, o próprio Domingo de Ramos é particularmente celebrado por fiéis que, vestidos com trajes tradicionais coloridos, levam em procissão galhos altos e elaborados, que simbolizam os das palmeiras. As famílias de descendentes também se mobilizam para uma das tradições mais queridas e antigas de Páscoa, da Święconka ('alimentos abençoados'), que envolve a bênção das cestas de alimentos na manhã ou na tarde do Sábado de Aleluia. As famílias preparam as cestas, geralmente decoradas com tecidos brancos e bordados, contendo alimentos tradicionais que serão consumidos no café da manhã do Domingo de Páscoa, simbolizando a ressurreição de Cristo, em mais um momento de comunhão e fé para as comunidades.

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O Pe. Casimiro junto aos fiéis de descendência polonesa no Brasil
12 março 2026, 08:00