O Papa: os cristãos responsáveis pelos conflitos armados fazem um exame de consciência?
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta sexta-feira (13/03), no Vaticano, os participantes da 36ª edição do Curso sobre o Foro Interno, organizado pela Penitenciaria Apostólica, sobre o tema “A Igreja chamada a ser casa de Misericórdia”.
O curso é destinado aos que estão fazendo os primeiros passos no ministério sacerdotal ou que estão à espera de serem ordenados, a fim de que aperfeiçoem "a sua formação como confessores, através do Curso sobre o Foro Interno, oferecido anualmente pela Penitenciaria Apostólica".
Acolher o dom do Senhor Ressuscitado
De acordo com Leão XIV, "esse curso foi fortemente desejado por São João Paulo II, que o apoiou com sua paixão pastoral, foi confirmado pelo Papa Bento XVI com sua sabedoria teológica, assim como pelo Papa Francisco, que sempre teve grande cuidado com o rosto misericordioso da Igreja".
O Papa sublinhou que "Sacramento da Reconciliação teve um desenvolvimento notável ao longo da história, tanto na compreensão teológica quanto na forma de celebração". "A Igreja, mãe e mestra, reconheceu progressivamente o seu significado e função, ampliando a possibilidade da sua celebração. No entanto, a reiteração do Sacramento nem sempre corresponde, por parte dos batizados, a uma vontade de recorrer a ele: é como se o tesouro infinito da misericórdia da Igreja permanecesse “inutilizado”, por uma distração generalizada dos cristãos que, não raro, permanecem por muito tempo em estado de pecado, em vez de se aproximarem do confessionário, com simplicidade de fé e de coração, para acolher o dom do Senhor Ressuscitado", ressaltou.
Fazer um sério exame de consciência
De acordo com Leão XIV, o Concílio Lateranense IV, em 1215, estabeleceu que todo cristão deve se confessar pelo menos uma vez por ano. O Catecismo da Igreja Católica, após o Concílio Vaticano II, também confirmou essa norma.
A seguir, o Papa citou Santo Agostinho que afirma: "Quem reconhece os seus pecados e os condena já está em acordo com Deus". "Reconhecer os nossos pecados, especialmente durante este Tempo da Quaresma, significa "concordar" com Deus, unir-nos a Ele", sublinhou.
A seguir, Leão XIV perguntou: "Os cristãos que têm grande responsabilidade nos conflitos armados têm a humildade e a coragem de fazerem um sério exame de consciência e se confessar?"
O homem é responsável por seus próprios atos
O Pontífice ressaltou que o pecado "rompe a unidade espiritual com Deus". "É um afastamento de Deus, e essa possibilidade dramática é tão real quanto o dom da liberdade que o próprio Deus concedeu aos seres humanos. Negar a possibilidade de que o pecado realmente rompa a unidade com Deus é, na realidade, desrespeitar a dignidade do homem, que é — e permanece — livre e, portanto, responsável por seus próprios atos".
O Santo Padre convidou os participantes do Curso sobre o Foro Interno, a estarem "sempre conscientes da nobre tarefa que o próprio Cristo, por meio da Igreja, lhes confia: reconstruir a unidade das pessoas com Deus através da celebração do Sacramento da Reconciliação. A vida inteira de um sacerdote pode ser plenamente realizada pela celebração assídua e fiel deste Sacramento. De fato, quantos sacerdotes se tornaram santos no confessionário"!
Leão XIV citou, como exemplo, São João Maria Vianney, São Leopoldo Mandić, São Pio de Pietrelcina e o Beato Miguel Sopoćko.
Unidade interior das pessoas
"A unidade restabelecida com Deus é também unidade com a Igreja, que é o corpo místico de Cristo", disse ainda o Papa, ressaltando que no confessionário os confessores colaboram "na edificação contínua da Igreja: una, santa, católica e apostólica; e, ao fazê-lo", dão "também nova energia à sociedade e ao mundo".
Leão XIV disse ainda que "a unidade com Deus e com a Igreja é o pressuposto da unidade interior das pessoas, tão necessária hoje, no tempo de fragmentação em que vivemos. Uma unidade interior que se manifesta como um desejo real, sobretudo nas novas gerações".
Ser agente de reconciliação na vida cotidiana
"Essa dinâmica de unidade com Deus, com a Igreja e em nós mesmos é um pré-requisito para a paz entre os indivíduos e os povos", disse ainda o Papa, acrescentando:
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