Papa: nenhum jovem deve ser deixado "no banco de reservas"

Durante audiência com participantes do Projeto Policoro, Leão XIV destacou a importância de apoiar a juventude, promover o trabalho digno e fortalecer a vida comunitária: "nenhum jovem pode ser deixado 'no banco de reservas', mas deve ser apoiado na realização de seus sonhos e na melhoria do mundo."

Thulio Fonseca - Vatican News 

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Ninguém deve ser negligenciado, ninguém deve se sentir abandonado, sobretudo em um contexto marcado pelo inverno demográfico e pelas dificuldades sociais e econômicas. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV ao receber em audiência, neste sábado, 21 de fevereiro, os participantes do Projeto Policoro da Conferência Episcopal Italiana (CEI), por ocasião dos 30 anos da iniciativa, dedicada à promoção do trabalho digno e ao acompanhamento dos jovens.

Ao saudar os presentes, o Papa agradeceu pelo bem realizado ao longo de três décadas e elogiou o compromisso dos jovens envolvidos no Projeto. “Vocês são o rosto bonito de uma Itália que não desiste, não se resigna, arregaça as mangas e se levanta novamente”, afirmou, recordando que, nesses anos, foram semeadas inúmeras iniciativas no campo social, político e econômico, inspiradas pelo Evangelho e pela doutrina social da Igreja.

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Evangelizar o mundo do trabalho

O Santo Padre recordou a origem do Projeto Policoro, nascido em 1995 a partir da criatividade pastoral da Igreja na Itália, com especial atenção às regiões mais frágeis do país. Segundo Leão XIV, ao longo do tempo, a iniciativa cresceu com o objetivo de responder às novas exigências sociais e, sobretudo, de “evangelizar o mundo do trabalho”. Entre os frutos do Projeto, o Papa mencionou a criação de cooperativas, o reaproveitamento social de bens confiscados das máfias e o acompanhamento de jovens na construção de atividades empreendedoras: 

“Vocês dedicaram horas nas escolas e nas paróquias para educar para o sentido do trabalho e da justiça, para formar para a paz e para sensibilizar para o bem comum. Vocês trataram as feridas de jovens mantidos à margem, desiludidos e desmotivados. Obrigado por todo esse bem semeado! Obrigado porque vocês têm bem claro que nenhum jovem pode ser deixado 'no banco de reservas', mas deve ser apoiado na realização de seus sonhos e na melhoria do mundo.”

O Evangelho como bússola

Ao falar do método de trabalho do Projeto, Leão XIV destacou o valor do acompanhamento: “As dioceses estendem a mão a vocês, e vocês caminham ao lado de jovens que procuram um caminho no trabalho, na economia e na sociedade”. Esse estilo, segundo o Papa, permitiu que a experiência se expandisse também para além do Sul da Itália, envolvendo outras regiões do país.

Indicando os pilares que sustentam o compromisso do Projeto, o Papa afirmou que “a bússola do caminho de vocês é o Evangelho”, pois nele se encontra “a verdadeira força que transforma os corações e o mundo”. Recordou ainda a importância da doutrina social da Igreja como instrumento para interpretar a realidade, convidando os jovens a não se deixarem levar por visões pessimistas nem por ingenuidades. Citando São Paulo, exortou: “Examinem tudo e fiquem com o que é bom”. Entre os princípios que devem orientar a ação social e pastoral, o Pontífice recordou a centralidade da pessoa humana, o bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, a destinação universal dos bens, a participação, a ecologia integral e a paz.

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A comunidade como “incubadora de futuro”

Leão XIV chamou a atenção para o valor da vida comunitária em uma cultura marcada pelo individualismo e pela competição:

"O trabalho, a economia, a política e a comunicação não se sustentam no gênio de líderes solitários, mas em especialistas em relações sociais. Quando cresce a vida comunitária, tanto na sociedade quanto na Igreja, então criamos a condição para que a vida possa germinar. Vocês serão fecundos sempre que cuidarem das redes comunitárias. A inteligência, o talento, o conhecimento, a organização social e a capacidade de trabalhar se desenvolvem graças a boas relações. Se sonharem juntos, se dedicarem tempo para fazer crescer caminhos compartilhados, se amarem suas cidades, vocês se tornarão como o sal que dá sabor a tudo (cf. Mt 5,13)."

Testemunhas de santidade social

Na parte final do discurso, o Papa recordou diversas figuras que marcaram a história da Itália e da Igreja pelo compromisso social e cristão, convidando os jovens a conhecer e narrar essas biografias. “Há um rio de santidade que tornou férteis as nossas comunidades. É o sinal concreto de que Deus nunca nos deixa sozinhos”, afirmou. Segundo o Santo Padre, por meio de pessoas concretas, Deus continua a transformar a vida social e a evangelizar o mundo do trabalho.

O Pontífice também encorajou os participantes a seguirem adiante com confiança: “A Itália e a Europa precisam de vocês e do entusiasmo de vocês”. Exortou ainda a não deixarem de sonhar e de criar laços com jovens de outros países. “Acompanho vocês com esperança, recordo vocês na oração e concedo de coração a vocês e às suas famílias a bênção apostólica”, concluiu.

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21 fevereiro 2026, 11:58