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2026.02.18 Udienza Generale

Região sul da Itália está em festa com o anúncio das visitas de Leão XIV

Emoção e gratidão das comunidades de Pompeia e Nápoles, que o Pontífice irá visitar em 8 de maio, e de Acerra, onde Leão fará uma visita no dia 23 do mesmo mês. O arcebispo Caputo: “o Papa encontrará uma Igreja viva, aberta e acolhedora. Os protagonistas serão os pobres aqui acolhidos”. O cardeal Battaglia: “o Papa em Nápoles é uma carícia nas feridas e uma palavra para um futuro diferente”. O bispo Di Donna: "sinal de esperança para as populações atingidas pelo fenômeno da 'Terra dei Fuochi".

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Três cidades, três igrejas, um único sentimento: “grande alegria e profunda gratidão” pelo Papa Leão XIV, que escolheu começar pela Campânia o seu itinerário de visitas à Itália, de maio a agosto. Nessa região do sul da Itália, ferida por emergências sociais, políticas e ambientais, mas impregnada da espiritualidade viva do seu povo, o Papa irá fazer três visitas, de acordo com o calendário publicado nesta quinta-feira (19/02) pela Prefeitura da Casa Pontifícia: Pompeia e Nápoles, no dia 8 de maio, data do primeiro aniversário da sua eleição, e depois, no dia 23 do mesmo mês, em Acerra, ponto nevrálgico da chamada “Terra dei Fuochi”, a área da Terra das Chamas, tristemente conhecida pelo desastre ambiental causado pelo descarte ilegal e queima de resíduos tóxicos e industriais perigosos.

O quarto Papa em Pompeia

Em Pompeia, local do santuário mariano famoso em todo o mundo, fundado em 8 de maio de 1876 por São Bartolo Longo (foi justamente o Pontífice norte-americano que o canonizou na Praça São Pedro em 19 de outubro de 2025), Leão XIV irá celebrar uma missa e se unir à oração da Súplica, recitada em maio e outubro por milhões de fiéis vindos da Itália e do exterior. Uma oração pela “paz”, sublinha à imprensa vaticana o arcebispo prelado Tommaso Caputo, que lembra que a de Leão é a quarta visita de um Papa a Pompeia depois de São João Paulo II em 1979 (também ele um ano após a sua eleição) e novamente em 2003, Bento XVI em 2008 e Francisco em 2015.

“A visita pastoral de um Papa é o símbolo de Pedro que vem nos confirmar na fé”, afirma o arcebispo, lembrando a “profecia” de Bartolo Longo quando, em 5 de maio de 1901, foi inaugurada a fachada do santuário: “um dia veremos a figura branca do representante de Cristo abençoar as pessoas reunidas nesta praça, aclamando a paz universal” . “Com o Papa Leão XIV, essas palavras se concretizam pela quinta vez em Pompeia”. 

Fortaleza de paz

Caputo também destaca a ligação, quase um fio condutor, entre Robert Francis Prevost e o culto à Nossa Senhora de Pompeia: “o dia 8 de maio é o dia da recitação solene da Súplica. E nunca esqueceremos as palavras que o Papa pronunciou do Balcão das Bênçãos precisamente no dia 8 de maio... Desde aquele dia, no Santuário, a oração por Leão XIV é contínua e coral. É a sua casa, é um Santuário que depende diretamente do Papa”.  

Daqui a três meses, rezaremos “não só pelo Papa, mas também com o Papa”, explica ainda o arcebispo. E rezaremos “de maneira especial para que o mundo tenha paz”. Porque Pompeia não é apenas terra de devoção, mas também “fortaleza de paz”, como escreveu o próprio Papa Leão na carta de novembro para o envio do secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, como legado pontifício para o 150ºaniversário da chegada do quadro da Virgem. “Na fachada está escrito em letras garrafais a palavra Pax”. Além disso, o Santuário celebra este ano o 150º aniversário da colocação da primeira pedra, e a data será precisamente no dia 8 de maio.

Caridade ativa

“Uma bela coincidência” para essa visita, cujos detalhes ainda estão sendo estudados. É certo que a celebração eucarística e a Súplica serão realizadas ao meio-dia. “Nós – sublinha dom Caputo – estamos nos preparando espiritualmente para o encontro com Pedro como comunidade civil e eclesial. Porque a visita de um Papa se prepara antes de tudo com a oração”. E também com aquela dose de entusiasmo por um evento ao qual, apesar das visitas anteriores, nunca nos acostumamos. “Há poucos minutos, fizemos este anúncio no Santuário lotado e agradecemos ao Senhor e à Virgem Maria com o canto do Magnificat. A oração é a maneira mais bonita de expressar a alegria que temos. O desejo de todos é que o Papa encontre uma Igreja viva, uma Igreja aberta e acolhedora”.

Uma Igreja também empenhada na caridade: “a caridade está mais ativa do que nunca em nossas numerosas obras sociais que acolhem centenas de pessoas em profunda situação de desvantagem social”, explica ainda o arcebispo prelado. “Crianças, jovens, mães solteiras, mulheres e menores em dificuldade, pessoas com deficiência, pobres. São eles os protagonistas do encontro com o Papa”.

Em Nápoles, cidade de alma religiosa e visceral

De Pompeia, Leão XIV seguirá para a vizinha Nápoles para se encontrar com o clero na Catedral de Santa Maria Assunta e com a cidade na Piazza del Plebiscito. Encontros que lembram a visita de cerca de 10 anos atrás (em março de 2015) do Papa Francisco aos mesmos locais. Um Papa que retorna, portanto, à antiga Partenope, a capital da Campânia que o cardeal Domenico Battaglia – conhecido por todos como “Pe. Mimmo” – define como “uma cidade apaixonada, por seu povo e por nossa Igreja, com uma alma profundamente religiosa, popular e visceral”.

“A visita do Papa não é apenas um evento institucional, mas um encontro de amor”, comenta o cardeal à mídia vaticana. “É como quando um pai volta para casa e encontra os filhos ainda no caminho, ansiosos por serem orientados em direção ao destino”. Ao mesmo tempo, a presença do Papa Leão em Nápoles “é uma carícia em suas feridas, mas também uma palavra exigente que nos chama à coerência, à justiça, à proteção dos pequenos e à centralidade do Evangelho como fundamento de nossa fé e de um futuro diferente possível para nossa terra”.

Entre crescimento e fragilidade

Muitas coisas aconteceram desde a visita de Francisco, que também fez uma parada em Scampia, bairro símbolo das dificuldades das periferias urbanas italianas. Leão XIV, em maio, ressalta Battaglia, “encontrará uma cidade que está tentando, com esforço, mas com convicção, caminhar junto. Uma cidade que tenta construir alianças educativas, como no Pacto Educativo, porque compreendeu que a verdadeira emergência é cultural antes mesmo de ser econômica”. Uma cidade “atravessada por um boom turístico que a torna, sim, resplandecente, mas também vulnerável, com o risco contínuo de ser engolida pelo sucesso, perdendo seu tecido social, deixando para trás aqueles que não são beneficiados positivamente por esse boom, mas, pelo contrário, são suas vítimas. Como, por exemplo, acontece com aqueles que vivem uma emergência habitacional”. A Igreja que Leão verá é, ao contrário, “uma Igreja sinodal que escuta, questiona, tenta dar respostas concretas às fragilidades dos jovens, também no plano ocupacional”. Portanto, o Papa chega em uma época delicada para Nápoles, onde “crescimento e fragilidade caminham juntos”. “Justamente por isso – diz seu pastor – precisamos de uma palavra que oriente, que preserve o humano dentro do desenvolvimento”.

Todos os napolitanos tentarão receber o Papa da melhor maneira possível: “é uma dádiva de graça que o Papa Leão escolha Pompeia e Nápoles para celebrar o primeiro aniversário do seu ministério. Mas todo dom traz consigo uma responsabilidade. Para a nossa Igreja, significa estar à altura dessa confiança: tornar-nos mais unidos, mais corajosos, mais evangélicos. Não nos limitarmos ao entusiasmo do dia, mas traduzir o encontro em escolhas concretas para a cidade, para os jovens e para os pobres”.

Acerra e a visita cancelada do Papa Francisco

Sentimentos semelhantes são compartilhados com a mídia vaticana por dom Antonio Di Donna, bispo de Acerra, uma das cidades da Campânia pertencentes à chamada “Terra dei Fuochi” (Terra das Chamas). O Papa irá visitar em 23 de maio a cidade que aguarda a chegada de um Pontífice desde 2020, quando estava prevista a visita de Francisco em maio. “A pandemia cancelou tudo. Mesmo depois disso, várias vezes convidado por nós, Francisco prometeu vir, mas então sua saúde piorou e não foi mais possível nos anos seguintes”, lembra Di Donna. Agora, finalmente, esse evento se concretiza: “estamos muito felizes, somos gratos ao Papa Leão por ter aceitado o convite para vir a Acerra, como símbolo de todo um território afetado pela poluição ambiental”.

Recordando a Laudato si'

E a escolha da data também é simbólica: 23 de maio, véspera do décimo primeiro aniversário da assinatura da Laudato si', a encíclica de Francisco dedicada ao cuidado da casa comum. “É um sinal de esperança para as populações deste território afetadas pelo fenômeno da Terra dei Fuochi”, destaca o bispo.

Essas pessoas, que vivem entre mortes e doenças, entre incêndios tóxicos, derramamentos e aterros, danos à agricultura e emergências sanitárias, receberão o abraço do Papa. “São pessoas que estão trilhando um caminho de formação, de educação na catequese, de denúncia, quando necessário, sobre esta temática”, explica o bispo. “É um caminho comum de várias dioceses que reúne agentes pastorais, padres, leigos sobre os temas da Laudato si'. Portanto, um caminho que vai além de Acerra...”.

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19 fevereiro 2026, 15:54