Papa a Legionários: promover unidade na pluralidade e autoridade a serviço das vocações
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu na manhã desta quinta-feira (19/02) os 60 sacerdotes de 13 países, inclusive do Brasil, da Congregação Legionários de Cristo que estão participando do Capítulo Geral em Roma desde 20 de janeiro. Os trabalhos que analisam diversos aspectos da vida e missão da Legião de Cristo, são realizados após a reflexão conjunta das comunidades durante o ano de 2025 já que as decisões tomadas na Itália terão um impacto direto no apostolado de todos legionários no mundo.
Atualmente, a congregação que vive o carisma do Regnum Christi está presente em 23 países e conta com 1327 membros, entre os quais, 3 bispos, 1049 sacerdotes, 203 religiosos em formação inicial e 72 noviços - um crescimento de 53% registrado ao final de 2025 só em relação aos novos noviços. Segundo as mesmas estatísticas que testemunham a promoção internacional das vocações, o Brasil (76) está entre os quatro países com uma presença significativa de legionários, junto com a Espanha (159), os Estados Unidos (211) e o México (535). Em São Paulo/SP, por exemplo, encontram-se o Seminário Interdiocesano e o Instituto Teológico da congregação.
Leia aqui a íntegra do discurso do Papa Leão XIV
A pluralidade enriquece a unidade
Um exemplo de "fraternidade concreta" da Vida Consagrada, comentou o Papa Leão XIV em discurso na Sala do Consistório, reflexo do carisma dos legionários ao oferecer "testemunho visível de escuta recíproca e de busca comum da vontade de Deus" por uma unidade missionária, que "não deve ser entendida como uniformidade". Não se trata de eliminar as diferenças, disse o Pontífice, mas de "harmonizar a diversidade em benefício de todos" com humildade, liberdade interior e abertura num chamado concreto ao exercício sinodal:
"Nestes dias, sem dúvida, vocês viveram uma experiência concreta de comunhão entre irmãos de diferentes culturas e realidades, de diferentes gerações, e entre aqueles que exercem responsabilidades de governo e aqueles que servem diariamente nas comunidades e missões."
De fato, o Capítulo Geral, que está na sua fase final em Roma, já elegeu o Pe. Carlos Gutiérrez López, mexicano de 51 anos, como novo diretor-geral da congregação para o período de 2026 a 2032, além do governo geral. Esse momento marca uma nova etapa no percurso dos legionários, "herdeiros de um carisma" caracterizado pela "diversidade de formas, estilos e ênfases" que viveu diferentes caminhos e expressões históricas "- às vezes dolorosas e não isentas de crises", mas que constitui "uma contribuição preciosa para a Igreja como um todo e, de modo particular, para a família espiritual do Regnum Christi". Ao invés desse "poliedro" enfraquecer a unidade, a enriquece:
"Por esse motivo, não se deve temer a pluralidade, mas acolhê-la e discerni-la, e permitir que se expresse para responder com maior transparência e fidelidade ao chamado de Deus. Assim como em uma família cada membro possui a própria identidade e missão, também entre vocês a pluralidade de dons manifesta a fecundidade do Espírito e fortalece a missão comum."
Autoridade na vida religiosa a serviço das vocações
O Capítulo Geral, um momento para avaliar o caminho percorrido e aquele a percorrer, disse o Papa, também convida todos os legionários "a se perguntar como viver hoje, com fidelidade criativa, a intuição carismática que deu origem à família religiosa". Assim, o exercício do governo religioso e da autoridade dentro da congregação é uma temática importante de análise, porque "um bom governo, em vez de concentrar tudo em si mesmo, promove a subsidiariedade e a participação responsável de todos os membros da comunidade":
"A autoridade, na vida religiosa, não se entende como domínio, mas como serviço espiritual e fraterno àqueles que compartilham a mesma vocação. O seu exercício deve se manifestar na 'arte do acompanhamento', para que todos aprendam sempre a tirar as sandálias diante da terra sagrada do outro. Devemos dar ao nosso caminho o ritmo saudável da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaixão, mas que, ao mesmo tempo, cure, liberte e encoraje a amadurecer na vida cristã. A autoridade na vida religiosa também está a serviço da animação da vida comum, centrando-a em Cristo e orientando-a para a plenitude da vida n’Ele, evitando toda forma de controle que não respeite a dignidade e a liberdade das pessoas."
Antes de conceder a bênção apostólica ao final do discurso, o Papa Leão XIV confiou a nova fase da congregação - fundada em 1941 - à proteção materna de Nossa Senhora de Guadalupe, "um tempo de esperança" após o Capítulo Geral para "responder com fidelidade ao presente que Deus coloca" nas mãos dos Legionários de Cristo:
"Queridos irmãos, exorto-os a continuar a viver em atitude de oração, humildade e liberdade interior. Não sigam interesses particulares ou regionais, nem busquem meras soluções organizacionais, mas antes de tudo a vontade de Deus para a família religiosa de vocês e para a missão que a Igreja lhes confiou."
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