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Papa: silenciar televisores e smartphones para escutar Deus nesta Quaresma

No Angelus deste I Domingo da Quaresma, Leão XIV convidou os fiéis a redescobrir o valor do silêncio e da escuta interior, propondo um jejum não apenas de alimentos, mas também de ruídos e distrações digitais: “Silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones”, exortou o Pontífice.

Thulio Fonseca - Vatican News

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O céu ensolarado, embora o clima ainda seja marcado pelo frio típico da reta final do inverno europeu, acolheu os peregrinos e fiéis reunidos na Praça São Pedro para a oração mariana do Angelus com o Papa Leão XIV, neste I Domingo da Quaresma, 22 de fevereiro. Em sua reflexão, o Santo Padre deteve-se no Evangelho proposto pela liturgia (cf. Mt 4,1-11), que apresenta Jesus conduzido pelo Espírito ao deserto, onde é tentado pelo diabo após quarenta dias de jejum.

O Papa recordou que Cristo experimenta o cansaço e as provações próprias da condição humana: a fome no plano físico e as tentações no plano espiritual. Resistindo ao demônio, porém, mostra a todos como vencer os enganos e as insídias do mal. A Quaresma, explicou, é um “itinerário luminoso” no qual, por meio da oração, do jejum e da esmola, os fiéis são chamados a renovar a própria cooperação com Deus na realização da “obra-prima única” que é a própria vida.

Entre as falsas promessas e a verdadeira alegria

Leão XIV advertiu para o risco de se deixar seduzir por formas fáceis e imediatas de gratificação, como a riqueza, a fama e o poder, que também estiveram presentes nas tentações enfrentadas por Jesus. Essas propostas, sublinhou, são apenas substitutos pobres da alegria para a qual o ser humano foi criado e acabam por deixar o coração inquieto, vazio e insatisfeito.

Recordando o ensinamento de São Paulo VI, o Pontífice destacou que a penitência não empobrece a pessoa, mas a enriquece, purificando-a e fortalecendo-a no caminho que tem como finalidade o amor e o abandono confiante em Deus. Assim, a penitência torna o cristão mais consciente das próprias limitações, ao mesmo tempo que lhe dá a força para superá-las com a ajuda divina.

Praça São Pedro durante o Angelus deste domingo, 22/02
Praça São Pedro durante o Angelus deste domingo, 22/02   (@Vatican Media)

Redescobrir o silêncio em um mundo barulhento

Na parte central de sua mensagem, o Papa insistiu na necessidade de criar espaços contínuos de escuta a Deus:

“Dêmos espaço ao silêncio: silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones. Meditemos a Palavra de Deus, aproximemo-nos dos Sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que nos fala ao coração.”

Segundo Leão XIV, este exercício de escuta não se limita à relação pessoal com Deus, mas se estende também aos vínculos humanos: é preciso aprender a ouvir os outros nas famílias, nos ambientes de trabalho e nas comunidades. O Papa exortou ainda a dedicar tempo a quem vive na solidão, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes, renunciando ao supérfluo para partilhar com quem carece do necessário. 

Afastar-se do mal e praticar o bem

Por fim, citando Santo Agostinho, o Santo Padre recordou que uma oração acompanhada de humildade, caridade, jejum e esmola “alcança o Céu e nos dá paz”, quando se traduz em atitudes concretas de perdão, de afastamento do mal e de prática do bem.

Ao concluir, o Papa confiou o caminho quaresmal de toda a Igreja à Virgem Maria, “Mãe que sempre assiste os seus filhos nas provações”.

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22 fevereiro 2026, 12:17

O que é o Angelus?

O Angelus é uma oração recitada em recordação do Mistério perene da Encarnação três vezes ao dia: às 6 da manhã, ao meio-dia e às 18 horas, momento em que é tocado o sino do Angelus.

O nome Angelus deriva do primeiro verso da oração – Angelus Domini nuntiavit Mariae – que consiste na leitura breve de três simples textos sobre a Encarnação de Jesus Cristo e a recitação de três Ave Marias.

Esta oração é recitada pelo Papa na Praça São Pedro ao meio-dia de domingo e nas Solenidades. Antes de recitar o Angelus, o Pontífice também faz uma breve reflexão inspirando-se nas leituras do dia. Seguem as saudações aos peregrinos.

Da Páscoa até Pentecostes, ao invés do Angelus, é recitado o Regina Coeli, que é uma oração em recordação da ressurreição de Jesus Cristo, ao final do qual é recitado o Glória três vezes.

Últimos Angelus / Regina Caeli

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