Leão XIV aos salesianos: continuem presentes nas áreas de pobreza e guerra
Edoardo Giribaldi – Vatican News
“Quando era jovem, antes de entrar para os agostinianos, também visitei a comunidade salesiana. Vocês ficaram em segundo lugar, desculpem!”
A “confissão”, recebida com risos, do Papa Leão XIV aos membros da comunidade fundada por São João Bosco — responsável pela Basílica do Sagrado Coração de Jesus em Roma — revela, na verdade, uma atenção séria e compartilhada à presença junto às pessoas em várias partes do mundo, “onde há guerra, onde há conflito, onde há pobreza, onde Jesus quer estar presente”.
Uma proximidade “de Cristo e da Igreja” que também se concretiza pelas ruas de Roma, em seu “coração”, por meio das ações de solidariedade promovidas pelo Conselho Pastoral paroquial. Esses foram os dois momentos que encerraram a visita pastoral do Pontífice à igreja situada a poucos passos da estação ferroviária Termini.
Os “sinais não escritos” da caridade
Foi graças ao empenho do santo salesiano, inspirado pela vontade de dois Papas, Pio IX e Leão XIII, que a Basílica pôde ser construída. Após a saudação inicial de pe. Fabio Attard, reitor-mor da congregação, o Papa tomou a palavra a partir do ambão, onde está escrita uma frase do capítulo 20 do Evangelho de João, que menciona os “muitos outros sinais” realizados por Jesus “que não foram escritos neste livro”.
“Vocês fazem parte, são expressão de um desses sinais não escritos no livro, mas escritos no coração de Jesus: ainda hoje continuam esse serviço tão importante em muitas partes do mundo, inclusive onde há guerra, onde há conflito, onde há pobreza, onde Jesus quer estar presente.”
O apoio “aos menores do Reino”
O relato do Papa sobre não ter ingressado na congregação salesiana leva ao reconhecimento da proximidade e da riqueza de carismas que Leão XIV vê na família de Dom Bosco: “esse serviço aos jovens, esse amor pela pastoral educativa, tantas expressões que vocês vivem em muitos países do mundo”.
O Pontífice continua dizendo que é “grande” a oportunidade de celebrar juntos a fé comum, sentindo proximidade “com os menores do Reino”, que em Roma se manifestam nos jovens — não apenas italianos — que podem acessar serviços como a escola de língua italiana. Depois, brinca novamente: “Antes eu disse ao professor que também faria parte das aulas de italiano, porque sempre ajudam!”
“Coração” de Jesus e da cidade
Um segundo momento de encontro e convivência foi vivido por Leão XIV com o Conselho Pastoral do Sagrado Coração, na presença do cardeal vigário da Diocese de Roma, Baldo Reina. Após pedir um aplauso para o pároco, pe. Javier Ortiz Rodriguez, o Papa destacou que a basílica representa uma “casa” para o “rio de peregrinos que passam todos os dias pela estação Termini”. “Coração” da cidade e “Coração de Jesus” que se unem. Retomando as palavras usadas pelo sacerdote ao fim da celebração eucarística, o Papa afirmou:
“É realmente muito bonito viver esse espírito não só do coração de uma cidade, mas do coração de Jesus, que está sempre cheio de amor e misericórdia. Uma misericórdia que se manifesta em tantos serviços, em tantas formas de caridade, de acolhida, de acompanhamento, de proximidade de Cristo, proximidade da Igreja com todas essas pessoas.”
“Caminhar todos juntos”
Desejando novos encontros no futuro, Leão XIV destacou que o Conselho Pastoral, junto com a Comunidade Educativo-Pastoral no espírito salesiano, tem uma natureza “sinodal”, no sentido etimológico de “caminhar juntos”.
“E vocês, que representam tantos setores, tantas comunidades, tantas realidades desta paróquia, reunidos aqui, trabalhando juntos, também representam essa belíssima dimensão da vida eclesial, da vida da Igreja. Muito obrigado por tudo o que vocês fazem.”
Visita ao quarto de Dom Bosco
Antes da liturgia eucarística, Leão XIV também visitou o quarto de Dom Bosco na paróquia do Sagrado Coração de Jesus. E, antes de retornar ao Vaticano, deteve-se em oração diante do Sacrário.
O quarto e o escritório de São João Bosco é um ambiente localizado atrás das dependências da sacristia da Igreja. Aquele espaço serviu de moradia ao Santo em sua 20ª e última viagem a Roma, de 30 de abril a 18 de maio de 1887. Eram dois aposentos simples: um quarto para dormir e outro para receber os muitos visitantes que desejavam vê-lo e falar com ele, ainda que por poucos momentos. O local foi aberto ao público em 1934, após a canonização de Dom Bosco.
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