Tragédia no Nepal atingiu 90 mil pessoas. Mortos são mais de 900

Nas áreas devastadas pelo rio de lama e rochas, as equipes de resgate continuam seu trabalho incansavelmente, lutando contra deslizamentos de terra e infraestrutura destruída para chegar a vilarejos isolados. Agora, há temor em relação à barragem natural que se formou no rio Bhotekoshi, que corre o risco de romper.

Vatican News

E o número de mortos não para de aumentar. Uma das mais graves catástrofes naturais dos últimos anos no Himalaia ao menos de 919 mortos no Nepal e Tibete - em balanço ainda parcial, atualizado nesta segunda deira - e 4.793 desaparecidos. A tragédia começou na quarta-feira, 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira e de uma massa de rocha desencadeou uma gigantesca onda de lama, água e detritos na região fronteiriça entre Nepal e China. As inundações repentinas atingiram comunidades inteiras, destruíram estradas, pontes e casas e deixaram milhares de pessoas isoladas.

No Nepal, o balanço mais recente aponta 903 mortos, 4.247 desaparecidos e 239 feridos. O aumento drástico no número de pessoas registradas como sem contato, que passou de 2.502 para 4.247 em menos de 24 horas, deve-se à restauração gradual das comunicações nos distritos mais isolados, o que permitiu às diferentes administrações consolidar suas contagens.

No lado chinês, no Tibete, foram registradas 16 mortes e 546 pessoas desaparecidas, elevando o total transfronteiriço para 750 mortos e mais de 3 mil desaparecidos. Entre os desaparecidos estão trabalhadores de projetos hidrelétricos, moradores, turistas e estrangeiros de dezenas de países. A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas pela catástrofe.

As operações de busca e salvamento continuam em condições extremamente difíceis. Chuvas persistentes, rios em elevação, estradas destruídas e o risco de novos deslizamentos obrigaram as equipes a interromper os trabalhos em alguns momentos. Uma das maiores preocupações é a formação de lagos represados por deslizamentos e pelo colapso glacial, que podem romper suas barreiras e provocar novas ondas de inundação. No Nepal, equipes também trabalham para alcançar pessoas que podem estar presas em túneis de instalações hidrelétricas.

A dimensão da tragédia também é evidenciada pela dificuldade de localizar e identificar as vítimas. Mais de 7.500 pessoas já foram resgatadas, enquanto centenas de famílias continuam procurando informações sobre parentes desaparecidos. Entre os desaparecidos no Tibete estão 261 estrangeiros de 23 países, segundo as autoridades chinesas. O desastre também provocou graves danos à infraestrutura e interrompeu importantes vias de comunicação entre o Nepal e a China.

Diante da emergência, a China mobilizou mais de 2.100 profissionais de resgate e destinou cerca de 220 milhões de yuans para as operações de emergência. O Nepal também solicitou apoio internacional especializado para trabalhos como resgates em túneis, identificação forense e testes de DNA. Especialistas relacionam a crescente instabilidade das geleiras do Himalaia ao aquecimento global, aumentando a preocupação com a frequência e a intensidade de eventos semelhantes. Enquanto as equipes seguem em busca de sobreviventes, novas advertências de inundação foram emitidas em áreas do Nepal, onde comunidades devastadas ainda enfrentam o risco de uma segunda onda de destruição. 

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30 agosto 2026, 09:10