O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman com Donald Trump em novembro de 2025 (AFP or licensors) O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman com Donald Trump em novembro de 2025 (AFP or licensors)

Irã-EUA, o papel da Arábia Saudita e o risco de ampliação do conflito

Após dias de tensões mais ou menos veladas, o conflito contra o Irã, iniciado com os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro passado, corre agora o risco de se ampliar perigosamente, com um número crescente de países envolvidos. A Arábia Saudita, pela primeira vez, reivindicou uma “operação conjunta” com Washington contra milícias pró-iranianas no Iraque, abrindo caminho para novos equilíbrios na guerra no Oriente Médio
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Roberto Paglialonga - Vatican News

O envolvimento direto da Arábia Saudita no conflito dos EUA e de Israel contra o Irã e as milícias a ele afiliadas no Oriente Médio pode alterar os equilíbrios que se cristalizaram até agora? É uma pergunta que os analistas estão se fazendo neste momento para tentar decifrar o desenrolar da guerra que eclodiu em 28 de fevereiro passado com o ataque norte-americano — apoiado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) — contra o Irã. E embora pareça difícil, neste momento, fornecer uma resposta certa — ou que explique da melhor forma possível o que está acontecendo —, há cada vez menos dúvidas de que provavelmente entramos em uma nova fase da tensão armada entre a Casa Branca, a Guarda Revolucionária Islâmica e o governo de Benjamin Netanyahu.

Riad: operação militar conjunta com os EUA

Na quarta-feira, pela primeira vez, o ministro da Defesa de Riad (que, aliás, na própria quarta-feira teria se reunido separadamente com o presidente e o vice-presidente dos EUA, Donald Trump e J.D. Vance), reivindicou abertamente a operação conjunta contra grupos ligados aos pasdaran no Iraque, que resultou na morte de cerca de vinte milicianos, após o Irã ter lançado dezenas de mísseis contra bases norte-americanas na Jordânia. E na quinta-feira, informações divulgadas pelo «Al Monitor» indicam que “cerca de 50 países” teriam sido convidados por Riad a participar de uma espécie de coalizão para “proteger as rotas comerciais marítimas no Mar Vermelho e impedir novas perturbações no tráfego pelo Estreito de Ormuz”, neutralizando, de fato, a ameaça dos houthis, grupos pró-iranianos que controlam parte do Iêmen e que, na terça-feira, atacaram um petroleiro saudita em trânsito por Bab el-Mandeb.

Petróleo e política na base da decisão saudita

Além da proteção de seus interesses econômicos ligados ao petróleo bruto, no plano temporal, é importante lembrar que, há uma semana, as relações entre Washington e Riad se fortaleceram com um acordo de cooperação no setor nuclear civil, que se seguiu a um acordo de defesa estratégica assinado em novembro de 2025 (sobre armamentos e tecnologia militar), o que, essencialmente, revigora o chamado “escudo” de garantia dos EUA para a segurança regional. Por fim, a Arábia Saudita é um dos eixos em torno dos quais Trump está tentando construir um caminho de reaproximação entre os países do Golfo e Israel. Embora, para Riad, a chamada “normalização” deva levar “de forma irreversível” a um Estado palestino, aspecto este rejeitado pela parte israelense.

Os Pasdaran: “resposta dura” contra os apoiadores dos EUA

Tudo isso contribui para acirrar os tons públicos: em um comunicado divulgado na manhã de quinta-feira, os Pasdaran alertaram que os países envolvidos no apoio aos EUA receberão uma “resposta dura”, caso não alterem seu comportamento. E as palavras do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, que garante que as negociações para a redução da tensão entre os EUA e o Irã estão agora “em andamento”, apesar dos confrontos na região, se, por um lado, alimentam as esperanças, por outro não oferecem certezas sobre um possível abrandamento da tensão.

Mais ataques dos EUA ao Irã

No território persa, mais uma noite de ataques ao Irã. O Comando Central dos EUA informou sobre uma série de ataques intensos “contra alvos iranianos”. A agência de notícias oficial Irna relata que três pessoas morreram e duas ficaram feridas em um ataque à ilha de Qeshm, na costa iraniana, no Estreito de Ormuz, cuja passagem continua sendo um dos pontos cruciais em aberto. Também na quarta-feira à noite, dois petroleiros foram alvejados enquanto tentavam atravessar o estreito. Três soldados da Guarda Revolucionária Iraniana (Pasdaran) também foram mortos na província de Zanjan, na região noroeste do país.

O risco de uma ampliação do conflito

A Jordânia afirma ter derrubado mais 5 mísseis balísticos de Teerã, mas a Guarda Revolucionária Iraniana alega ter destruído três F-35 na base estadunidense de al-Azraq, 100 km a leste de Amã, e ter causado “graves danos” a outras três aeronaves da mesma categoria; Teerã também atacou a base norte-americana de al-Salem, no Kuwait, onde outro ataque atingiu um prédio de uma empresa chinesa: um trabalhador morreu. Mas os olhos também estão voltados para o Egito, onde, no porto de Damietta, uma plataforma de GNL de propriedade dos EUA foi atingida e incendiada. Embora o Cairo tenha se referido apenas a um ataque com drone, duas fontes iranianas, citadas pelo “The New York Times”, atribuíram a operação a Teerã. Os houthis, por sua vez, negaram ser responsáveis pelo ocorrido.

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31 julho 2026, 13:16