O esporte como ferramenta de transformação social e combate à violência
Silvonei José – Vatican News
Foi divulgada, nos dias passados, a mensagem de vídeo do Papa Leão XIV com a intenção de oração do Pontífice para o mês de junho. Nela, o Papa convida a rezar para que o esporte seja um instrumento de paz, uma escola de fraternidade e espaço de encontro.
Neste período da Copa do Mundo, o Papa convida os cristãos a se unirem a esta intenção. No início de sua oração, o Pontífice eleva sua súplica a Deus:
“Senhor da vida, agradecemos-Te pelo dom do esporte, por aqueles que glorificam a Deus com o exercício dos seus corpos, pelas amizades que nascem no campo e pela alegria de jogar em equipe.”
De acordo com o Santo Padre, o Senhor nos ensina "que na vida, como no jogo ninguém se salva sozinho. Precisamos dos outros para crescer, para aprender a respeitar, superar limites e celebrar juntos as vitórias alcançadas".
“Pedimos-Te que o esporte seja sempre escola de fraternidade e não de rivalidade vazia, espaço de encontro e não de exclusão, caminho de paz e não de violência.”
O Papa pede ao Senhor para fazer com que "aqueles que praticam, treinam ou apoiam descubram no esporte uma linguagem universal que aproxima culturas, une povos e semeia respeito, solidariedade e superação pessoal". Sobre esporte e educação conversamos com Millena Araújo - CEO da Editora Inteligência Educacionalescritora e Daniela Grelin - Diretora Executiva da No More Foundation no Brasil.
A Inteligência Educacional
A Inteligência Educacional, sob o comando de Millena Araújo, consolidou-se como uma editora de forte apelo educacional e social. Hoje, a instituição atua de forma expressiva no território nacional com uma presença em 18 estados brasileiros. Impacto: Mais de 5 milhões de beneficiários até o momento.
Durante a entrevista, Milena destacou as três principais frentes de trabalho da editora no país: e educação antirracista: atuação na liderança deste tema dentro das escolas brasileiras, com foco na proteção e conscientização de crianças; educação climática: projeto que utiliza a turma do Pererê, criação de Ziraldo. Millena relembrou o pioneirismo do autor, que já em 1958 abordava a questão socioambiental de forma inovadora e; esporte para além das fronteiras: pauta desenvolvida em parceria com o escritor Dr. Pedro Trengrouse, que ganha relevância diante da proximidade dos grandes mundiais de futebol.
O Esporte como Promotor de Valores e Ética
Com a realização da Copa do Mundo, Millena ressaltou que a importância do esporte para os estudantes vai muito além da prática física ou do entretenimento. Trata-se de uma ferramenta pedagógica capaz de transmitir: trabalho em equipe e empatia; respeito às regras e às figuras de autoridade (como o mestre); a compreensão de que "lutar não significa brigar", promovendo o bem-estar mútuo.
Como exemplo de liderança e inovação no esporte, a executiva citou a atuação de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Millena elogiou a parceria pioneira entre o clube e a segurança pública no Allianz Parque, que utiliza o reconhecimento facial para o acesso ao estádio.
A medida tem auxiliado na identificação de pessoas com pendências judiciais, sendo que 70% das prisões efetuadas no local são de indivíduos com mandados em aberto por falta de pagamento de pensão alimentícia. "Se o pai tem condições de ir para o lazer, como não tem condições de pagar a pensão? Isso também é valor, é ética", pontuou Milena.
O desafio crítico do feminicídio no Brasil
A discussão sobre o respeito às mulheres na sociedade e a urgência do combate à violência doméstica foi aprofundada por Daniela Grelin. À frente da No More Foundation no Brasil, Daniela trouxe dados alarmantes que reforçam a necessidade de ações integradas:
No ano de 2025, o Brasil registrou aproximadamente 1.500 feminicídios, consolidando o maior recorde histórico desde que o crime foi tipificado.
Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Datafolha em parceria com o Movimento Mulher 360 aponta que, na percepção da sociedade brasileira, o feminicídio é a forma de violência mais grave e urgente a ser enfrentada.
Daniela explicou que, embora as taxas pareçam crescentes, o fenômeno deve ser analisado com base em fatores históricos. Como a tipificação penal ocorreu apenas em 2016, os anos seguintes exigiram uma adaptação das instituições e a criação de protocolos de investigação adequados. Portanto, o aumento dos números também reflete uma melhora nos mecanismos de notificação e identificação do crime, que antes passava invisibilizado.
Rompendo as Raízes Culturais da Violência
Para a diretora da No More Foundation, o combate efetivo ao feminicídio exige preencher uma lacuna de conscientização sobre as raízes da violência, que muitas vezes começam em comportamentos tolerados socialmente: o controle coercitivo sobre a mulher e ; a objetificação de corpos e identidades femininas.
"Se a gente quiser, de fato, mudar os índices de feminicídio, é importante que a gente comece pelas suas raízes culturais, pelas normas sociais", alertou Daniela.
Ela destacou ainda o impacto econômico e social do problema, revelando que as empresas instaladas no Brasil gastam, anualmente, mais de R$ 1 bilhão decorrentes do absenteísmo (faltas ao trabalho) gerado por episódios de violência doméstica.
Duas grandes janelas de oportunidade
Apesar dos desafios, Millena e Daniela demonstraram otimismo com o cenário atual, impulsionado por dois grandes marcos de mobilização no país:
O Pacto Nacional pelo Fim do Feminicídio: Movimento nacional que convoca e unifica todas as entidades públicas brasileiras em prol de ações de enfrentamento à violência de gênero.
A Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA: o Brasil foi escolhido como sede oficial do torneio. O evento é visto pelas especialistas como uma oportunidade cultural e social única para trabalhar o respeito, a dignidade e a valorização das mulheres e meninas em todas as esferas.
Ambas concordaram que a transformação social duradoura depende de uma aliança sólida entre as ferramentas pedagógicas do esporte, o engajamento do setor privado e o apoio das comunidades de fé, espaços fundamentais onde os valores humanos, o respeito ao próximo e as normas de convivência são modelados desde a infância.
Eis a íntegra da conversa com o jornalista Silvonei José, que trata também, de exporte e fé e o otimismo para termos uma sociedade mais justa e que respeita a dignidade da mulher:
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