Migrantes Migrantes  (ANSA)

ACNUR: “número de refugiados diminui no mundo, mas aumentam os retornos forçados”

De acordo com o ‘Relatório de Tendências Globais de 2026 do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), muitas pessoas retornam aos seus países de origem em contextos instáveis e coagidos. A agência da ONU pretende reduzir pela metade o número de refugiados no exílio até 2035. Declaração de Filippo Ungaro: "Estas pessoas não querem permanecer em uma situação de limbo, mas esperam retornar para casa o mais rápido possível".

Iris Venuto - Vatican News

O ano 2025 foi um ano com o maior número de conflitos, desde 1946: 75 guerras ativas, segundo o ‘Programa de Dados sobre Conflitos de Uppsala’. No entanto, foi também o primeiro ano, em uma década, em que diminuiu o número de pessoas forçadas a fugir. Embora permaneça em níveis dramaticamente altos, o número chega a quase 118 milhões, em comparação com os 123 milhões no ano anterior. São estes os resultados que emergem do ‘Relatório de Tendências Globais 2026’ do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que foi apresentado na última quinta-feira, 11 de junho, durante o ano em que se comemora o 75º aniversário da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados. O número global de refugiados (41,6 milhões) e o número de deslocados internos diminuíram 3%, segundo o Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno, totalizando 68,6 milhões, uma redução de 7% em relação ao ano anterior.

Pico de retornos em um contexto global, cada vez mais instável

Diante do crescente contexto de instabilidade global, os resultados do relatório podem parecer paradoxais, mas as contas voltam se considerarmos outra estatística importante, divulgada pelo ACNUR: o retorno aos países de origem aumentou para 49%, em comparação a 2024, que marca o segundo maior pico dos últimos sessenta anos. Em 2025, quase 15 milhões de pessoas retornaram aos seus países de origem, inclusive os 4,4 milhões de refugiados e 10,3 milhões de deslocados internos. No ano passado, 5,4 milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de guerras, violências e perseguições, buscando proteção em outros países. Mais de 70% dos refugiados provêm do Afeganistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Venezuela. Embora o Sudão continua sendo o país com a crise de refugiados mais grave do mundo, com 9,1 milhões de deslocados internos, no Oriente Médio, outra grande área de conflito, cerca de um milhão de refugiados estão no Líbano e 3,2 milhões de deslocados temporários no Irã. A propósito, o porta-voz do ACNUR, Filippo Ungaro, disse à mídia do Vaticano: "Vivemos em um mundo turbulento, onde conflitos não resolvidos são agravados por novos. Tais conflitos têm um impacto significativo no aumento do número de refugiados e deslocados".

Retornos voluntários e repatriações forçadas

Os refugiados "não querem permanecer em um limbo e esperam poder retornar para casa o mais rápido possível", observa ainda Filippo Ungaro. Por um lado, os retornos voluntários representam a principal solução defendida tanto pelo ACNUR quanto pelos refugiados. Por outro lado, parte significativa são retornos forçados, que ocorrem em condições extremamente precárias e em contextos instáveis, especialmente no Afeganistão, Sudão e Síria. Em outros casos, as pessoas foram obrigadas a retornar na ausência de alternativas reais, porque não encontraram oportunidades de integração e inclusão nos países de acolhimento. No ano passado, quase 46.000 apátridas obtiveram cidadania em 24 países. De acordo com o Relatório do ACNUR, os principais países de acolhimento são: Colômbia, com 2,8 milhões de refugiados, seguida pela Alemanha (2,7 milhões) e pela Turquia (2,4 milhões). Mas, são preocupantes também as condições de vida dos presos no exílio: 70% dos refugiados são obrigados a viver em um limbo, longe da própria casa, por longos períodos, muitas vezes abaixo da linha de pobreza, enquanto 68% são acolhidos por países de baixa e média renda.

Integração, trabalho e reassentamento

Para enfrentar este fenômeno, o ACNUR pretende reduzir, pela metade, o número de refugiados em exílio prolongado, até 2035. Por isso, faz um apelo à Comunidade internacional para que apoie as políticas, que promovem a autonomia das pessoas, por meio de programas concretos, criando também condições adequadas e seguras para retornos voluntários, como observa o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Barham Salih: "A assistência humanitária salva vidas, mas não é o objetivo final e não permite que os refugiados se tornem protagonistas ativos de seu próprio futuro”. O porta-voz do ACNUR, afirma ainda: “Precisamos trabalhar com afinco pela integração, inclusão e desenvolvimento de suas habilidades, que também beneficiam as economias das comunidades anfitriãs, afim de que os refugiados possam ter acesso aos serviços nacionais e ao mercado de trabalho. O objetivo, portanto, é expandir as oportunidades de retorno voluntário, reassentamento em terceiros países, para os casos mais vulneráveis, ​​e a emissão de vistos humanitários, autorizações de trabalho e bolsas de estudo”. No entanto, em 2025, a margem entre as necessidades e as vagas disponíveis aumentou ainda mais: em comparação com o ano anterior, o número de pessoas que tiveram acesso a programas de reassentamento ou patrocínio caiu para menos da metade.

O caso italiano

Por fim, o Relatório ressalta ainda o caso italiano: o país acolheu mais de 132.000 refugiados, 234.000 requerentes de asilo e mais de 60.000 cidadãos ucranianos, que se beneficiaram de proteção temporária. A Itália continua a apoiar o ACNUR em emergências humanitárias e a promover iniciativas de desenvolvimento, inclusão no mercado de trabalho e canais de entradas regulares e seguros, desde os corredores humanitários até às oportunidades de ensino superior e trabalho.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

14 junho 2026, 09:52