Ataque russo destruiu 40% das peças em exposição no Museu de Chernobyl

O Museu Nacional Ucraniano de Chernobyl custodiava um grande arquivo histórico e emocional do desastre nuclear de 1986. Ele não está localizado na própria usina - que fica a 130 km de distância de Kieva - mas oferece uma visita guiada educativa completa sobre a tragédia. Nele estão expostos milhares de artefatos, incluindo trajes de proteção, dosímetros, ambulâncias históricas e itens pessoais dos "liquidadores" (socorristas).

Vatican News

Como resultado do ataque em larga escala da Rússia a Kiev em 24 de maio, aproximadamente 40% das peças em exposição no Museu Nacional de Chernobyl foram perdidas de forma irrecuperável, informou o Ministério do Interior da Ucrânia nesta segunda-feira, 25 de maio. O ministério publicou um vídeo mostrando equipes de emergência tentando salvar as peças em exposição e as consequências do ataque ao museu. 


De acordo com Yaroslav Yemelyanenko, chefe da Associação de Operadores de Chernobyl, dois mísseis sobrevoaram a Catedral de Santa Sofia em direção a Podil antes de um deles atingir o prédio do museu, "um marco arquitetônico". O telhado do prédio pegou fogo e parte da parede dos fundos do terceiro salão foi destruída. O incêndio foi extinto, mas uma exposição recém-restaurada, que havia sido reaberta apenas um mês antes, foi danificada.

"Equipes de resgate e funcionários do museu começaram a transferir as peças para um local seguro imediatamente após o ataque" informou o ministério. “Eles conseguiram salvar vários objetos que estavam guardados: uma pintura de Maria Prymachenko e uma bandeira da Ucrânia que foi hasteada no topo da Usina Nuclear de Chernobyl logo após a libertação em 2022.”

“É a mesma sensação de quando os russos destruíram todas as nossas instalações na zona de exclusão de Chernobyl em 2022. É difícil, mas o principal é que todos estão vivos", disse Yemelyanenko.

Museu de Chernobyl, memória do desastre nuclear de 1986

 

O Museu Nacional Ucraniano de Chernobyl  está instalado no histórico edifício da Torre de Observação de Incêndios, dos bombeiros, com data do início do século XX. Localiza-se no distrito de Podil, em Kiev, a uma quadra da Praça Kontraktova Ploshcha onde há uma estação (215) do metrô, com o mesmo nome, na linha 2 azul. 

Ele funcionava como um grande arquivo histórico e emocional do desastre nuclear de 1986. Ele não está localizado na própria usina - que fica a 130 km de distância da capital ucraniana - mas oferece uma visita guiada educativa completa sobre a tragédia. Nele estão expostos milhares de artefatos, incluindo trajes de proteção, dosímetros, ambulâncias históricas e itens pessoais dos "liquidadores" (socorristas).

O destaque é um diorama animado que recria visualmente o reator 4 antes, durante e depois da explosão, usando shows de luzes e modelos 3D.

A exposição é rica em documentos, mas as legendas estão quase todas em cirílico. Por esse motivo, o uso dos audioguias nos respectivos idiomas era essencial para acompanhar a narração. 

Ataque russo à Ucrânia em 24 de maio

 

As forças russas realizaram um ataque combinado em grande escala contra a Ucrânia, lançando 90 mísseis e 600 drones. Duas pessoas morreram no ataque e 86 ficaram feridas. As forças russas também mataram duas pessoas na região de Kiev.

Em outra parte da região de Kiev, bombeiros extinguiram um enorme incêndio em um armazém de 10.000 metros quadrados causado pelo ataque.

Devido à dimensão do incêndio, o Serviço de Segurança Nacional (DSNS) mobilizou helicópteros e equipamentos pesados ​​de combate a incêndios. Equipes de emergência responderam a 25 locais diferentes em toda a região.

O chefe de comunicações da Força Aérea da Ucrânia, Yurii Ihnat, informou que as forças russas lançaram um míssil balístico de alcance intermediário RS-26 Rubezh (Oreshnik) contra Bila Tserkva, na região de Kiev.

O ataque russo também atingiu as proximidades da entrada da estação de metrô Lukianivska. A estação foi temporariamente fechada para reparos.

O analista militar e assessor do Ministério da Defesa, Serhii “Flash” Beskrestnov, disse que a Rússia usou a tática de um ataque maciço com drones, projetado para sobrecarregar as defesas aéreas ucranianas.

Segundo ele, as forças russas também usaram novas variantes de drones Shahed movidos a jato durante o ataque a Kiev, embora em número limitado. Ele revelou que os principais danos foram causados ​​por mísseis, já que a escala do ataque excedeu os recursos de defesa aérea disponíveis.

Ao mesmo tempo, as defesas aéreas ucranianas permaneceram altamente eficazes contra drones, com drones interceptores representando mais de 40% de todos os alvos aéreos destruídos durante a noite.

Após o ataque, o Ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, pediu uma resposta internacional e instruiu as missões diplomáticas ucranianas a levantar a questão nas Nações Unidas, na OSCE, no Conselho da Europa e na UNESCO.

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25 maio 2026, 07:57