Colômbia: dissidentes das Farc anunciam cessar-fogo
Guglielmo Gallone – Vatican News
Os guerrilheiros do Estado-Maior Central (EMC), formado por ex-membros das dissolvidas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), anunciaram uma trégua temporária em vista das eleições presidenciais de 31 de maio no país sul-americano, com a suspensão dos ataques contra as forças de segurança entre 20 de maio e 10 de junho.
O desafio da segurança
O comunicado foi divulgado pelo grupo armado liderado por Néstor Gregorio Vera Fernández, conhecido como “Iván Mordisco”, um dos principais procurados da Colômbia. No comunicado, o EMC afirma querer garantir condições de tranquilidade suficientes para que a população possa participar da votação. A guerrilha esclarece, no entanto, que continuará a exercer o que define como o “direito à legítima defesa” em caso de operações do exército colombiano, ações das autoridades norte-americanas ou ataques de outros grupos armados ilegais. A decisão surge em um momento de forte tensão no país, onde a segurança voltou a ser o centro da campanha eleitoral. Dois membros da equipe do candidato conservador Abelardo de la Espriella foram mortos a tiros no departamento de Meta, uma das áreas historicamente mais expostas à presença de grupos armados dissidentes. Segundo as autoridades, homens armados a bordo de motocicletas abriram fogo contra o veículo em que as vítimas viajavam. Vários candidatos à presidência denunciaram ameaças de morte e participam de eventos públicos sob forte esquema de segurança.
Dez anos após o processo de paz
Quase dez anos após o acordo de paz assinado em 2016 entre o governo colombiano e as Farc, o conflito interno continua, de fato, a mudar de forma, sem nunca desaparecer completamente. O acordo, alcançado após mais de meio século de guerra civil, alimentou a esperança de uma pacificação definitiva, mas nos anos seguintes o país testemunhou o crescimento de grupos dissidentes, organizações criminosas e redes ligadas ao narcotráfico, sobretudo nas áreas rurais onde a presença do Estado continua fraca. O EMC de Iván Mordisco é hoje considerado uma das mais poderosas organizações armadas surgidas da fragmentação das ex-FARC. O grupo mantém forte presença em regiões como Cauca, Nariño, Catatumbo e na Amazônia, territórios marcados por cultivos ilegais, tráfico de drogas e contínuos confrontos armados. A estratégia de “paz total” promovida pelo presidente Gustavo Petro encontra justamente na fragmentação das dissidências um de seus principais obstáculos.
O quinto país do mundo em número de deslocados internos
Enquanto isso, a situação humanitária também continua a piorar. Com cerca de sete milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas, a Colômbia é hoje o quinto país do mundo em número de deslocados internos. Nos primeiros meses de 2025, os deslocamentos aumentaram 462% em relação ao ano anterior, enquanto muitas das regiões mais afetadas pela violência continuam a viver em meio a combates, intimidações e ausência de controle estatal.
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