O parque da Reserva Nacional de Khortytsia, próximo à usina hidrelétrica de Dnipro, em Zaporizhzhia, Ucrânia O parque da Reserva Nacional de Khortytsia, próximo à usina hidrelétrica de Dnipro, em Zaporizhzhia, Ucrânia 

Ucrânia: Zelensky propõe trégua energética à Rússia

Na última semana, a Rússia lançou 2.800 drones, 1.350 bombas e mais de 40 mísseis. No campo diplomático, os canais com Washington seguem abertos, como confirmou hoje o porta-voz do Kremlin, Dmitrij Peskov.

Guglielmo Gallone – Vatican News

"Se a Rússia estiver disposta a cessar os ataques ao nosso setor energético, nós também estamos dispostos a fazer o mesmo". Foi com essas palavras que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, voltou a propor uma trégua limitada às infraestruturas de energia, informando que a iniciativa foi encaminhada a Moscou por meio dos Estados Unidos.

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Em pronunciamento na noite desta segunda-feira (06/04), o líder ucraniano também acusou o Kremlin de ignorar apelos anteriores por uma suspensão, ao menos temporária, das hostilidades, incluindo a possibilidade de um cessar-fogo durante a Páscoa.

Canais abertos com Washington
 

A proposta surge após o conflito nos últimos dias ter sido marcado por ataques ucranianos à refinaria de Lukoil em Kstovo, região de Novgorod,  já alvo de ataques anteriores e localizada a cerca de 800 quilômetros da fronteira, além de um trecho de oleoduto próximo ao porto de Primorsk, na região de Leningrado.

O chefe do gabinete presidencial ucraniano, Kyrylo Budanov, reconheceu que aliados estrangeiros teriam pedido a Kiev que suspendesse ou limitasse os ataques contra refinarias russas, em um momento em que a guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã pressionam os preços globais da energia.

Nesse contexto se inserem as declarações de Zelensky, enquanto, no plano diplomático, permanecem abertos os canais com Washington. A informação foi confirmada nesta terça-feira (07/04) pelo porta-voz do Kremlin, Dmitrij Peskov, que afirmou que tanto Moscou quanto Kiev seguem mantendo diálogo com os Estados Unidos pelos meios disponíveis.

Entretanto, Peskov afirmou que as negociações de paz estão, por ora, paralisadas, porque “os americanos têm muitas outras questões para tratar”. O Kremlin também disse não ter conhecimento de uma possível visita dos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Kiev, cogitada para depois de 12 de abril.

Sem trégua no campo de batalha
 

Em terra, porém, a guerra continua sem tréguas. Durante a última noite, segundo a força aérea ucraniana, as defesas de Kiev abateram 77 drones russos, embora a queda de destroços tenha provocado danos materiais em diversas regiões do país.

O ataque mais grave ocorreu em Nikopol, na região de Dnipropetrovsk, onde um drone atingiu um micro-ônibus, deixando ao menos três mortos e 12 feridos. Autoridades locais classificaram a ação como um ataque deliberado contra civis.

Drone russo atinge ônibus em Nikopol, matando 3 e ferindo dezenas em 7 de abril de 2026
Drone russo atinge ônibus em Nikopol, matando 3 e ferindo dezenas em 7 de abril de 2026   (AFP or licensors)

No dia anterior, um bombardeio russo atingiu Odessa, matando três pessoas, entre elas uma criança, e ferindo outras 16. Segundo Zelensky, milhares de famílias ficaram sem energia elétrica.

O presidente ucraniano afirmou ainda que, apenas na última semana, a Rússia lançou contra o país mais de 2.800 drones, quase 1.350 bombas aéreas guiadas e mais de 40 mísseis de diferentes tipos. Ele voltou a pedir aos aliados ocidentais o reforço dos sistemas de defesa aérea.

Do outro lado, o território russo também segue sob ataques. Na região de Vladimir, três pessoas, incluindo uma criança de sete anos, morreram após drones atingirem um edifício residencial no distrito de Aleksandrovsky.

Moscou acusou ainda Kiev de danificar um terminal do Consórcio do Petróleo do Cáspio (CPC), em Novorossiysk, no Mar Negro. Segundo o Ministério da Defesa russo, o ataque provocou um incêndio que atingiu tanques de armazenamento, um oleoduto e uma área de carregamento. Kiev assumiu o ataque ao porto, mas não confirmou ter atingido diretamente a estrutura do CPC.

Apoio britânico a Kyiv
 

No campo militar, segundo o jornal britânico The Telegraph, forças ucranianas teriam destruído uma ponte sob controle russo sobre o rio Dnipro, próximo a Kherson, utilizando drones britânicos do modelo Malloy T-150 adaptados para transportar explosivos.

Se confirmada, a ação pode representar um dos primeiros casos de destruição de uma infraestrutura estratégica realizada exclusivamente com o uso de drones.

Enquanto isso, o comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, afirmou que o país recuperou mais de 480 quilômetros quadrados de território desde o fim de janeiro.

Por fim, na região ocupada de Luhansk, autoridades pró-Rússia informaram ter resgatado mineiros que ficaram presos na mina Belorechenskaya após uma queda de energia atribuída a bombardeios ucranianos.

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07 abril 2026, 12:01