O funeral de Amal Khalil, a jornalista libanesa morta em 22 de abril durante um ataque israelense. O funeral de Amal Khalil, a jornalista libanesa morta em 22 de abril durante um ataque israelense.  (ANSA)

RSF: liberdade de imprensa no mundo nunca esteve tão ameaçada como agora

O novo relatório da RSF retrata uma deterioração sem precedentes do direito à informação em todo o mundo, com mais da metade dos países analisados ​​enfrentando condições "difíceis" ou "muito graves". Entre guerras, leis restritivas e pressão política, o jornalismo livre está cada vez mais sob ataque.

Stefano Leszczynski – Cidade do Vaticano

Desde a criação do relatório que há 25 anos analisa a liberdade de imprensa global, 2025 foi o ano mais sombrio da história do jornalismo. Pela primeira vez, segundo o mais recente Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, mais de 52% dos países enfrentam sérios desafios.

Enquanto em 2002 uma parcela significativa da população vivia em ambientes propícios à informação, hoje menos de 1% desfruta de verdadeira liberdade de imprensa. Esse declínio é resultado de um processo gradual, porém constante: o jornalismo é cada vez mais prejudicado por pressão política, dificuldades econômicas e regulamentações hostis.

Leis e segurança

 

Entre os indicadores considerados pelo Relatório, a legislação é a que mais se deteriorou. No geral, as regulamentações à imprensa foram endurecidas em mais de 60% dos países do mundo. Entre as principais ameaças estão as medidas adotadas em relação à segurança nacional: instrumentos criados para proteger os Estados são frequentemente usados ​​para restringir o direito à informação.

Como aponta Anne Bocandé, diretora editorial da Repórteres Sem Fronteiras, a criminalização do jornalismo é agora um fenômeno global. Isso afeta não apenas regimes autoritários, mas também democracias, onde leis de emergência, ações judiciais frívolas e processos legais são usados ​​para intimidar jornalistas.

Informar tornou-se perigoso

 

Os conflitos armados continuam sendo uma das principais causas do declínio da liberdade de imprensa. Países como Iraque, Sudão e Iêmen enfrentam condições extremamente difíceis. A situação nos territórios palestinos é particularmente grave, onde centenas de jornalistas foram mortos nos últimos anos. Ao mesmo tempo, regimes autoritários em todo o mundo continuam a sufocar todas as formas de reportagem independente.

Américas em dificuldade

 

As Américas estão mostrando sinais preocupantes. Os Estados Unidos caíram sete posições, refletindo um clima cada vez mais hostil à imprensa independente. A América Latina também está passando por uma deterioração, em meio à violência ligada ao crime organizado e à pressão política. Países como Equador e Peru, revela o Relatório, caíram no ranking após o assassinato de vários jornalistas, enquanto na Nicarágua e em Cuba o cenário midiático está agora gravemente comprometido.

Sinais de esperança e responsabilidades futuras

 

Há, no entanto, sinais positivos: a Noruega permanece em primeiro lugar pelo décimo ano consecutivo, enquanto a Síria apresentou a melhoria mais significativa após as recentes mudanças políticas.

Apesar disso, o panorama geral continua alarmante. A organização Repórteres Sem Fronteiras, portanto, faz um apelo claro: a inação equivale à cumplicidade. São necessárias medidas concretas para proteger jornalistas, fortalecer as garantias legais e combater a impunidade. A liberdade de imprensa, pedra angular das democracias, não está garantida para sempre. Seu futuro depende de escolhas políticas e da capacidade dos cidadãos de defendê-la.

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30 abril 2026, 21:07