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Mulher deslocada com uma criança caminha do lado de fora de uma escola transformada em abrigo, após a escalada entre o Hezbollah e Israel em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, em Beirute, Líbano. Mulher deslocada com uma criança caminha do lado de fora de uma escola transformada em abrigo, após a escalada entre o Hezbollah e Israel em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, em Beirute, Líbano. 

Mais de 275 mil pessoas deslocadas com escalada da guerra no Oriente Médio

Dados do ACNUR e UNICEF mostram impacto crescente sobre civis e urgência de ajuda humanitária

Matheus Macedo - Vatican News

A guerra no Oriente Médio entrou no sexto dia, com o Irã lançando novos ataques contra Israel e bases americanas em países árabes. No início da manhã desta quinta-feira (5/3), Israel anunciou ataques adicionais e afirmou estar interceptando mísseis lançados contra seu território.

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O exército israelense informou ter realizado bombardeios baseados em inteligência contra diversos centros de comando do Hezbollah na capital libanesa, Beirute, incluindo um centro utilizado pela unidade aérea do grupo. De acordo com o Ministério da Saúde libanês e a agência estatal de notícias, pelo menos oito pessoas morreram entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta.

Moradores observam os danos causados por ataques aéreos no bairro Ghobeiry, em Beirute, enquanto a guerra no Oriente Médio provoca destruição e deslocamentos.
Moradores observam os danos causados por ataques aéreos no bairro Ghobeiry, em Beirute, enquanto a guerra no Oriente Médio provoca destruição e deslocamentos.   (AFP or licensors)

Dados recentes divulgados pelo UNICEF mostram que a escalada da violência tem causado graves consequências para as crianças no Líbano. Pelo menos sete crianças foram mortas e 30 ficaram feridas, enquanto deslocamentos massivos aumentam a pressão sobre uma situação humanitária já frágil. Segundo a agência, quase 60 mil pessoas, incluindo 18 mil crianças, foram forçadas a deixar suas casas, somando-se às dezenas de milhares que já haviam sido deslocadas anteriormente.

“Nenhuma criança deveria jamais ser morta ou obrigada a carregar por toda a vida as cicatrizes físicas e emocionais da violência”, declarou Marcoluigi Corsi, representante do UNICEF no Líbano. “A violência deve acabar. As crianças devem sempre ser protegidas.”

Diante da crise, o UNICEF mobilizou equipes para os abrigos coletivos, fornecendo bens de primeira necessidade e distribuindo suprimentos médicos essenciais às unidades de saúde públicas em coordenação com o Ministério da Saúde libanês. A instituição também ampliou para 37 unidades móveis de atenção primária à saúde, oferecendo consultas, vacinação e atendimento médico às famílias deslocadas.

Nos abrigos, equipes do UNICEF e parceiros seguem oferecendo apoio psicossocial, além de identificar e assistir crianças feridas, desacompanhadas ou separadas de suas famílias. A organização estima que são necessários US$ 48 milhões para atender a um milhão de pessoas em situação de necessidade, mas até o momento apenas 16% dos recursos do Plano de Resposta e Preparação do UNICEF foram recebidos.

Mulheres e crianças deslocadas pelo conflito no sul do Líbano buscam refúgio em uma sala de aula de uma escola transformada em abrigo em Sidon.
Mulheres e crianças deslocadas pelo conflito no sul do Líbano buscam refúgio em uma sala de aula de uma escola transformada em abrigo em Sidon.   (AFP or licensors)

O UNICEF reafirmou seu apelo a todas as partes envolvidas para respeitarem o direito internacional humanitário, protegerem civis, especialmente crianças, e garantirem acesso seguro e sem obstáculos à ajuda humanitária.

A escalada de conflitos no Oriente Médio também gerou alerta do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Dados divulgados nesta quinta-feira (05/03) indicam que mais de 275 mil pessoas foram deslocadas internamente em países como Irã, Líbano, Afeganistão e Paquistão.

Deslocados pelo conflito encontram refúgio improvisado em Beirute, enquanto a escalada dos ataques israelenses contra posições do Hezbollah força milhares de civis a deixarem suas casas.
Deslocados pelo conflito encontram refúgio improvisado em Beirute, enquanto a escalada dos ataques israelenses contra posições do Hezbollah força milhares de civis a deixarem suas casas.   (ANSA)

No Irã, pelo menos 100 mil pessoas deixaram suas casas após ataques norte-americanos e israelenses, enquanto 115 mil pessoas saíram do Afeganistão devido a conflitos com o Paquistão. No Líbano, ao menos 58 mil pessoas foram deslocadas, e no Paquistão, 2.600.

O ACNUR ressalta que as áreas afetadas já concentravam mais de 24 milhões de deslocados. Na terça-feira (5/3), a agência alertou que a escalada da guerra contra o Irã ameaça ultrapassar a capacidade humanitária no Oriente Médio, que já se encontra praticamente no limite.

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05 março 2026, 12:14