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Relatório revela que quase metade das mortes de crianças menores de cinco anos ocorre nos primeiros meses de vida. Relatório revela que quase metade das mortes de crianças menores de cinco anos ocorre nos primeiros meses de vida. 

Cerca de 5 milhões de crianças morrem anualmente por causas preveníveis, alerta UNICEF

Relatório conjunto do UNICEF, OMS, Banco Mundial e UNDESA aponta que quase metade das mortes ocorre nos primeiros meses de vida, e a desnutrição grave é um fator subestimado.

Matheus Macedo - Vatican News

Estima-se que cerca de 5 milhões de crianças morreram em 2024 antes de completar cinco anos, incluindo 2,3 milhões de recém-nascidos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (18/03) pelo UNICEF, em parceria com OMS, Banco Mundial e UNDESA. O estudo Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil revela que a maior parte dessas mortes poderia ser evitada com intervenções comprovadas e de baixo custo e acesso a cuidados médicos de qualidade.

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Catherine Russell, diretora geral do UNICEF, alerta: “Nenhuma criança deveria morrer por doenças que sabemos prevenir. No entanto, observamos sinais preocupantes de desaceleração no progresso da sobrevivência infantil, justamente num momento em que há novos cortes nos orçamentos globais”.

Progresso global e desaceleração
 

Globalmente, a mortalidade infantil abaixo dos cinco anos diminuiu mais da metade desde 2000. Porém, desde 2015, a redução desacelerou mais de 60%.

O estudo apresenta, pela primeira vez, estimativas de mortes diretamente causadas pela desnutrição aguda grave (SAM). Em 2024, mais de 100 mil crianças entre 1 e 59 meses morreram devido a essa condição. O impacto real é provavelmente maior, já que a desnutrição enfraquece o sistema imunológico e aumenta a vulnerabilidade a doenças comuns. A desnutrição grave muitas vezes não é registrada como causa de morte, e recém-nascidos com menos de 1 ano não estão incluídos nos números, com maior incidência no Paquistão, Somália e Sudão.

Campanha de vacinação contra doenças preveníveis, essenciais para reduzir mortes infantis.
Campanha de vacinação contra doenças preveníveis, essenciais para reduzir mortes infantis.   (© Notice: UNICEF photographs are copyrighted and may not be reproduced in any medium without written permission from authorized)

Óbitos neonatais e doenças contagiosas
 

Quase metade das mortes de crianças menores de cinco anos ocorre nos primeiros meses de vida, principalmente por complicações do parto prematuro (36%), complicações durante o trabalho de parto (21%), infecções e anomalias congênitas.

Após o primeiro mês, doenças contagiosas como malária, diarreia e pneumonia lideram as causas de morte, concentradas na África Subsaariana, onde conflitos e ameaças biológicas dificultam a prevenção e cuidados. A região registrou 58% de todas as mortes de crianças menores de cinco anos, enquanto na Europa, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia, essa proporção cai para 9% e 6%, respectivamente.

No Sul da Ásia, 25% das mortes de crianças menores de cinco anos são causadas por complicações neonatais, muitas preveníveis, evidenciando a necessidade de cuidados pré-natais e neonatais de qualidade.

A proteção e os cuidados essenciais na infância podem salvar milhões de vidas todos os anos.
A proteção e os cuidados essenciais na infância podem salvar milhões de vidas todos os anos.

Riscos na adolescência e jovens
 

O relatório aponta que mais de 2 milhões de crianças, adolescentes e jovens entre 5 e 24 anos morreram em 2024. Enquanto doenças infecciosas e acidentes predominam entre os mais novos, na adolescência o risco muda: suicídio é a principal causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos, e acidentes de trânsito entre os meninos.

Financiamento e prioridades
 

Cortes em aportes internacionais pressionam programas essenciais de saúde. Sem financiamento contínuo, pesquisas, sistemas de informação e funções essenciais que sustentam a assistência não podem ser mantidos.

Especialistas defendem que a sobrevivência infantil se torne prioridade política e financeira, com foco em mães e crianças de maior risco na África Subsaariana, Sul da Ásia e em zonas de conflito. Recomenda-se reforçar a responsabilização, melhorar a transparência de dados e investir em atenção básica à saúde, incluindo profissionais comunitários e assistência qualificada no parto.

“A história mostrou o que é possível realizar quando o mundo se compromete a proteger suas crianças. Com investimentos contínuos e vontade política, podemos consolidar esses resultados para as gerações futuras”, conclui Catherine Russell.

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18 março 2026, 14:49