Infância deslocada: guerra na Ucrânia afeta quase 2,6 milhões de crianças
Matheus Macedo - Vatican News
Prestes a completar quatro anos desde o início da guerra na Ucrânia, quase 2,6 milhões de crianças ucranianas estão deslocadas. Os dados foram divulgados por Munir Mammadzade, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na Ucrânia.
Segundo Mammadzade, quase 1,8 milhão dessas crianças vivem como refugiadas fora do país, enquanto mais de 791 mil estão deslocadas dentro do próprio território ucraniano. Durante entrevista, o representante do UNICEF afirmou que os ataques contra áreas civis continuam em todo o país, destruindo a vida das crianças, suas casas, escolas, hospitais e as infraestruturas das quais dependem. “No ano passado, o assassinato e a mutilação de crianças na cidade e na região de Kiev, por exemplo, aumentaram quase quatro vezes em relação a 2024”, afirmou.
Uma pesquisa recente do UNICEF revelou que um em cada três adolescentes entre 15 e 19 anos foi deslocado pelo menos duas vezes, indicando que a busca por segurança é o principal motivo da fuga. A procura por melhor acesso à educação e por oportunidades de desenvolvimento também foi um fator determinante na decisão de se deslocar.
Na cidade de Kherson, no sul da Ucrânia e próxima à linha de frente, os intensos combates transformaram a região em um cenário de devastação. A vida cotidiana tornou-se uma questão de sobrevivência para crianças e famílias. “Essa área da linha de frente está coberta por redes antidrones, e a infância literalmente se transferiu para o subsolo”, relatou o representante do UNICEF.
De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, restam cerca de 5 mil crianças das 60 mil que viviam pacificamente com suas famílias e amigos antes de terem suas vidas transformadas para sempre em 24 de fevereiro de 2022.
O representante do UNICEF na Ucrânia contou que esteve em um centro de proteção à infância apoiado pela organização, onde conversou com famílias e profissionais, incluindo psicólogos e assistentes sociais. Segundo ele, os relatos apontam para um alto nível de estresse, já que muitas famílias vivem 24 horas por dia em estado de alerta extremo.
O medo constante de ataques, o abrigo prolongado em porões e o isolamento social têm afetado profundamente crianças e adolescentes, com consequências para sua saúde mental e física. Mammadzade ressaltou, porém, que esses espaços de acolhimento também oferecem algum alívio diante dos horrores da guerra e revelam uma notável capacidade de resistência por parte das famílias.
“Em colaboração com as autoridades locais e parceiros, apoiamos sete centros de proteção à infância na região de Kherson e fornecemos assistência emergencial vital por meio de equipes de intervenção, ao mesmo tempo em que fortalecemos soluções alternativas de cuidado para as crianças mais vulneráveis”, afirmou.
Outra iniciativa do UNICEF foi a criação de espaços voltados à educação infantil e à aprendizagem digital, além de centros juvenis que promovem o desenvolvimento de competências e as relações sociais. “Também fornecemos assistência financeira durante o inverno e apoiamos os serviços públicos locais com reparos e melhorias para garantir o funcionamento do aquecimento e do abastecimento de água. Essa resposta está sendo replicada em todas as áreas da linha de frente e além”, completou.
“As crianças e os jovens não desistiram do seu futuro, e nós também não desistiremos. O UNICEF está trabalhando em toda a Ucrânia e nos países vizinhos que acolhem refugiados, para apoiar as crianças afetadas pelo deslocamento e pela violência em curso”, disse.
O representante concluiu afirmando que a instituição, em parceria com organizações locais, continuará sua resposta humanitária em larga escala para salvar vidas, ao mesmo tempo em que promove a recuperação e reformas que colocam crianças e jovens no centro das ações.
“O que toda criança precisa agora é de uma paz duradoura, para que possa crescer em segurança e estabilidade. Esse é um direito que deve ser respeitado sem exceções. As crianças da Ucrânia sofreram por tempo demais. Elas continuam a sonhar com o futuro, e cabe a todos nós ajudá-las a transformar esses sonhos em realidade”, concluiu.
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