Uma coluna de fumaça se eleva após uma explosão relatada em Teerã em 28 de fevereiro de 2026. Uma coluna de fumaça se eleva após uma explosão relatada em Teerã em 28 de fevereiro de 2026. 

EUA e Israel atacam o Irã, Trump quer mudança de regime

Explosões foram relatadas em Teerã e outras cidades, incluindo Qom e Isfahan. As autoridades não divulgaram um número oficial de mortos ou de danos. Mas Teerã anunciou que está se preparando para responder. Israel declarou estado de emergência e impôs restrições em todo o país em antecipação a possíveis represálias.

Francesco Citterich e Guglielmo Gallone - Cidade do Vaticano

Na madrugada deste sábado, 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel lançaram uma grande operação militar contra o Irã. A notícia foi anunciada pelas autoridades de ambos os países e pelas principais agências internacionais. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou em uma mensagem de vídeo o lançamento de "grandes operações de combate" contra a República Islâmica, descrevendo uma ação "massiva" destinada não apenas ao programa nuclear, às capacidades de mísseis e à marinha do Irã, mas sobretudo a alcançar uma mudança de regime no país.

Os objetivos do ataque

 

Em seu pronunciamento desta manhã, Trump afirmou que o objetivo da operação é garantir que "os americanos nunca sejam ameaçados por um Irã com armas nucleares", reiterando ao povo iraniano que "a hora da sua liberdade está próxima. Quando terminarmos, assumam o controle do seu governo; caberá a vocês fazê-lo".

Israel declarou estado de emergência e impôs restrições em seu território em antecipação a possíveis represálias. Entretanto, na capital iraniana, ataques atingiram a área ao redor da residência do Líder Supremo Ali Khamenei, do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do gabinete presidencial. Fontes locais afirmam que Khamenei foi levado para um local seguro. O complexo do Ministério da Inteligência, no nordeste de Teerã, também foi alvo de ataques.

Autoridades militares estadunidenses declararam que o ataque ao Irã será muito mais extenso do que o realizado em junho passado contra instalações relacionadas ao programa nuclear da República Islâmica. Numerosas e contínuas explosões também foram ouvidas em Qom, Isfahan, Tabriz, Karaj e Kermanshah. As autoridades de Teerã não divulgaram um número oficial de mortos ou de danos.

As comunicações de internet no país estão parcialmente interrompidas, enquanto o Ministério da Educação anunciou o fechamento de escolas e uma transição temporária para o ensino à distância.

Presença dos EUA no Oriente Médio

 

A operação foiprecedida por um aumento da presença militar dos Estados Unidos na região, que durou cerca de um mês. Dois porta-aviões, o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald R. Ford, foram deslocados para as proximidades do palco de operações, juntamente com destróieres de mísseis guiados e dezenas de aeronaves posicionadas em bases na Jordânia, Israel e Arábia Saudita.

Os recursos mobilizados incluem caças F-35, F-15, F-22 e F-16, bem como aeronaves de radar e guerra eletrônica. Uma fonte de segurança israelense, citada pelo Canal 12, afirmou que o ataque preventivo de Israel contra o Irã ("Fúria Épica") foi planejado em conjunto durante meses, enfatizando que Tel Aviv e Washington estão "em sintonia". Além disso, acrescentou, a "fase inicial" do ataque conjunto deverá durar quatro dias.

Negociações nucleares

 

Ainda no sábado, as últimas negociações nucleares entre os EUA e o Irã, mediadas por Omã, foram concluídas em Genebra. Segundo informações iniciais, Washington pediu a Teerã que desmantelasse seus três principais complexos nucleares em Fordow, Isfahan e Natanz, e que enviasse todo o seu urânio enriquecido para o exterior.

De acordo com um relatório divulgado ontem pela Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã possui atualmente urânio enriquecido a 60%, próximo ao limite necessário para produzir uma arma nuclear. No entanto, Teerã teria rejeitado os pedidos. Isso levou às declarações iniciais de Trump: "Ainda não me decidi sobre o Irã", disse ele a repórteres na noite passada, esclarecendo, porém, que "o Irã não pode ter armas nucleares e não estou satisfeito com a forma como estão negociando, mas novas conversas estão planejadas. Quero chegar a um acordo. Gostaria de evitar uma ação militar contra o Irã, mas às vezes é necessário".

O vice-presidente J.D. Vance argumentou, nos últimos dias, que Teerã não havia atendido às exigências dos EUA durante as negociações realizadas em Genebra. Imediatamente depois, a China e a Itália instaram seus cidadãos a deixarem o Irã e a exercerem "máxima cautela" em Israel; a Grã-Bretanha retirou temporariamente seus diplomatas de Teerã, enquanto a França e a Alemanha desaconselharam "urgentemente" viagens a Israel. No início desta semana, em um claro sinal diplomático e estratégico, Washington reduziu o número de funcionários em suas embaixadas em Jerusalém e Bagdá, evacuando posteriormente a base aestadunidense em Al-Ubeid, no Catar. O programa nuclear de Teerã tem sido um foco de intensos confrontos há décadas.

No último fim de semana, Steve Witkoff, principal negociador do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã estava "provavelmente a uma semana de ter material de grau industrial para fabricar uma bomba", mas o então secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o Irã "não está enriquecendo [urânio] neste momento" — embora tenha acrescentado que gostaria de fazê-lo.

Outra questão crucial continua sendo o vasto arsenal de mísseis e drones do Irã, em sua maioria produzidos internamente, visto como o principal fator de dissuasão contra ataques dos EUA e de Israel. Rubio declarou esta semana que a República Islâmica possui "milhares de mísseis balísticos de curto alcance" que ameaçam as forças estadunidenses, suas bases e parceiros na região, bem como ativos navais que "ameaçam a navegação e buscam ameaçar a Marinha dos EUA".

O arsenal de mísseis balísticos do Irã foi reduzido durante a guerra do ano passado. Teerã lançou aproximadamente 550 mísseis de médio e longo alcance, enquanto muitos outros foram destruídos em solo por ataques aéreos israelenses. Desde então, o Irã vem produzindo mísseis "continuamente", de acordo com o Instituto de Estudos de Segurança Nacional.

O front israelense

 

Enquanto isso, o Comando da Frente Interna das Forças de Defesa de Israel (IDF) impôs restrições em todo o país: proibidas reuniões, aulas e trabalho, exceto em setores essenciais, segundo o jornal "Times of Israel". O ministro da defesa israelense, Katz, assinou uma ordem especial impondo estado de emergência na frente interna em todo o território do Estado de Israel. Sirenes de alarme foram ouvidas em Tel Aviv, Jerusalém, Cisjordânia, Galileia e nas Colinas de Golã. "Israel e os Estados Unidos lançaram uma operação para eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã", disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, agradecendo ao presidente Trump "por sua liderança histórica".

Reação do Irã

 

O Irã, por sua vez, anunciou que está se preparando para responder. A agência de notícias Nour, próxima ao Conselho Supremo de Segurança Nacional, descreveu uma "resposta esmagadora", enquanto veículos de comunicação ligados à Guarda Revolucionária divulgaram imagens de mísseis prontos para lançamento. As autoridades iranianas já haviam alertado que qualquer ataque poderia desencadear um conflito regional. Os últimos relatórios sugerem que todo o país está agora sob um bloqueio total de internet.

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28 fevereiro 2026, 09:43