Estados Unidos apreendem dois petroleiros em águas internacionais
Guglielmo Gallone - Vatican News
Os Estados Unidos apreenderam dois navios como parte de uma nova e significativa escalada do confronto estratégico na área de influência estadunidense, que também envolve a crise venezuelana.
As duas abordagens
A operação mais significativa envolveu o petroleiro Marinera, de bandeira russa, que foi interceptado e levado sob custódia estadunidense após uma perseguição de mais de duas semanas no Atlântico. Simultaneamente, as forças norte-americanas também apreenderam um segundo navio, o Sophia, pertencente à "frota fantasma" ligada à Venezuela, interceptado no Caribe enquanto tentava evitar o bloqueio naval de Washington. Com isso, o número de petroleiros atualmente sob controle dos EUA chega a quatro.
A petroleira russa
O episódio mais sensível diz respeito ao Marinera. A abordagem ocorreu em águas internacionais entre a Escócia e a Islândia, aproximadamente duzentos quilômetros ao sul da costa islandesa. Segundo fontes estadunidenses, a operação foi conduzida em conjunto pela Guarda Costeira e pelas Forças Armadas dos EUA, com apoio operacional dado pelo Reino Unido, que forneceu bases e vigilância aérea na área entre a Grã-Bretanha, a Islândia e a Groenlândia. O petroleiro, inicialmente conhecido como Bella-1, já havia sido alvo das autoridades norte-americanas no Caribe, onde repeliu uma tentativa inicial de abordagem. Segundo Washington, a embarcação era suspeita de violar as sanções estadunidenses, particularmente por transportar petróleo iraniano e venezuelano por meio de redes de evasão. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que "os Estados Unidos continuarão a impor um bloqueio contra todas as embarcações da frota sombra que transportam ilegalmente petróleo venezuelano". O ministro da Defesa britânico, John Healey, pronunciou-se nessa mesma linha, afirmando que a ação "faz parte dos esforços globais para reprimir a evasão de sanções". A Casa Branca acrescentou que o petroleiro era considerado apátrida no momento da intervenção e que a tripulação poderia enfrentar processo criminal nos EUA.
Resposta de Moscou
A resposta da Rússia foi rápida. O ministério das Relações Exteriores russo declarou que o Marinera estava em águas internacionais e operando em total conformidade com o direito marítimo internacional. Em um comunicado divulgado pela agência de notícias Tass, a Rússia classificou o uso da força pelos EUA como "ilegal" e pediu aos países ocidentais que respeitem o princípio da liberdade de navegação em alto-mar. Além disso, a apreensão dos petroleiros parece fazer parte de uma estratégia que desafia a hegemonia da OPEP+ e visa afirmar o controle dos EUA sobre os fluxos energéticos considerados vitais, bem como incidir sobre centenas de bilhões de barris de reservas adicionais.
Desafios em aberto
Nos últimos dias, Trump tem pressionado pelo retorno em massa de empresas estadunidenses à Venezuela e reivindicou um acordo para a entrega imediata de 30 a 50 milhões de barris. De fato, o país sul-americano continua sendo único: com aproximadamente 303 bilhões de barris de petróleo comprovado, detém 17% das reservas mundiais. Apesar desse potencial, no entanto, o cenário industrial da Venezuela ainda parece frágil. Usinas obsoletas, infraestrutura desgastada, falta de investimento, sanções, fuga de técnicos qualificados e dificuldades de refino impediram que as reservas se traduzissem em produção. A Venezuela atualmente extrai menos de um milhão de barris por dia, em comparação com 3,4 milhões no final da década de 1990. Além disso, o petróleo bruto venezuelano é pesado, difícil de processar e dependente de nafta importada, principalmente da Rússia e da China. Uma verdadeira recuperação poderia exigir investimentos de US$ 183 bilhões até 2040, segundo estimativas da Rystad Energy.
O significado do petróleo para Trump
Esta sexta-feira, Trump se reúne na Casa Branca com os chefes da Chevron, Exxon e outras gigantes nacionais do setor energético. Se o plano for bem-sucedido, Washington poderá passar a controlar uma parcela decisiva das reservas do Hemisfério Ocidental, atingindo dois objetivos estratégicos: reduzir a presença da Rússia e da China na Venezuela e diminuir os preços da energia para os consumidores estadunidenses.
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