Guerra na Ucrânia: militares mortos, feridos e desaparecidos seriam quase 2 milhões

A Rússia e a Ucrânia nunca publicaram números detalhados sobre suas baixas em combate, mas, de acordo com o relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o número de mortos ucranianos situa-se 500.000 e 600.000, em comparação com os 1,2 milhão de mortos, feridos e desaparecidos da Rússia.

Vatican News

A Rússia e a Ucrânia nunca publicaram números detalhados sobre suas baixas em combate. Mas segundo um estudo divulgado pelo New York Times, "as baixas entre as tropas na guerra na Ucrânia estão se aproximando de 2 milhões. Após quase quatro anos de combates na Ucrânia, o número de mortos, feridos e desaparecidos está atingindo uma marca sombria", escreve o jornal. 

Já um novo relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), divulgado em 27 de janeiro, afirma que a Rússia sofreu "mais perdas do que qualquer outra grande potência em qualquer guerra desde a Segunda Guerra Mundial", pagando um preço alto por ganhos territoriais limitados, enquanto sua guerra na Ucrânia se arrasta por quatro anos. O Kremlin, em um comunicato divulgado nesta quarta-feira, 28, desmente as estimativas apresentadas pelo CSIS.

De acordo com o relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o número de mortos e feridos ucranianos é estimado entre 500.000 a 600.000, em comparação com os 1,2 milhão de mortos, feridos e desaparecidos da Rússia. Somente os mortos nas fileiras russas seriam 325 mil soldados, constata o relatório.

Comparadas aos conflitos entre grandes potências desde a Segunda Guerra Mundial, as perdas de Moscou são impressionantes, observa o relatório. Os Estados Unidos perderam aproximadamente 57.000 soldados na Guerra da Coreia e 47.000 durante a Guerra do Vietnã. As perdas da Rússia na Ucrânia são cinco vezes maiores do que as perdas totais em todas as guerras russas e soviéticas desde a Segunda Guerra Mundial, incluindo a guerra no Afeganistão e as duas guerras na Chechênia, afirma ainda o CSIS.

O relatório do CSIS também afirma que a Ucrânia mantém uma vantagem significativa como força defensiva no campo de batalha: a estratégia de "defesa em profundidade" de Kiev — que envolve o uso de trincheiras, obstáculos antitanque, minas e outras barreiras, juntamente com drones e artilharia — tem dificultado as tentativas da Rússia de obter ganhos significativos, afirma o relatório. Enquanto isso, as perdas em combate favorecem a Ucrânia numa proporção de 2,5 ou 2 para 1.

Cruzes no cemitério de Mykolaiv, sul da Ucr}ania. (Photo by Bulent Kilic/AFP)
Cruzes no cemitério de Mykolaiv, sul da Ucr}ania. (Photo by Bulent Kilic/AFP)   (ANSA)

Embora o presidente russo, Vladimir Putin, tenha afirmado repetidamente que suas forças tomaram a iniciativa no campo de batalha, o CSIS conclui que os avanços da Rússia têm sido lentos e difíceis, mesmo após anos de combates.

Perto de Pokrovsk, a área mais tensa da linha de frente ao longo de 2025, as forças russas avançaram a uma taxa média de apenas 70 metros por dia — um ritmo mais lento até mesmo do que algumas das batalhas mais sangrentas do século passado.

No geral, as forças russas conquistaram menos de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024, o que destaca o que o relatório descreve como "a natureza desgastante da guerra", marcada por perdas maciças de pessoal e equipamentos, mas com ganhos limitados no campo de batalha.

O estudo também descreve a Rússia como uma "potência econômica de segunda ou terceira categoria", citando desafios como o declínio da indústria manufatureira, a escassez de mão de obra e a diminuição do capital. 

Da mesma forma, em tecnologias emergentes, a Rússia continua atrasada, já que o país não possui nenhuma empresa entre as 100 maiores empresas de tecnologia do mundo e permanece atrás das nações líderes em setores-chave, como inteligência artificial.

E em se tratando do uso de tecnologia no campo de batalha, o novo ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, nomeado em 14 de janeiro, tem ideias claras sobre seus planos futuros: passar do número recorde de "35.000 soldados russos eliminados em dezembro para uma média mensal de 50.000"; aumentando a produção de "drones de última geração"; estruturando cada vez mais a colaboração entre as indústrias militares e os soldados no campo de batalha.

Ele os chama de "a matemática da guerra", acreditando que o poderio militar russo é apenas aparentemente superior ao da Ucrânia, pois se Kiev for capaz de explorar racionalmente seus recursos, a ajuda de seus aliados e, sobretudo, a inteligência de seu capital humano, então a guerra poderá ser vencida. Colaborador de Zelensky desde a época em que o presidente era ator e recém-formado na faculdade, considerado um gênio da computação, Fedorov foi nomeado ministro da Transformação Digital antes dos 30 anos e hoje, aos 35, está à frente do que muitos especialistas militares e oficiais da OTAN consideram "o exército europeu mais forte e inovador".

O CSIS argumenta que a estagnação econômica da Rússia e sua ausência em setores em crescimento refletem seu declínio mais amplo como uma grande potência, cada vez mais incapaz de competir com líderes econômicos globais como a China e os Estados Unidos.

A publicação do relatório ocorre em meio a uma renovada pressão liderada pelos EUA para pôr fim à guerra na Ucrânia, bem como à crescente pressão sobre Kiev para que faça concessões territoriais — apesar da incapacidade da Rússia de garantir a segurança da região de Donbass, mesmo após mais de uma década de combates.

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28 janeiro 2026, 11:46