UE envia geradores para socorrer população ucraniana assolada pelo frio
Vatican News
Em meio aos contínuos ataques russos, a Ucrânia continua enfrentando uma profunda crise energética. O recém-nomeado ministro da Energia, Denys Shmyhal, classificou o dia 22 de janeiro como "o dia mais difícil para o sistema elétrico ucraniano desde o apagão de novembro de 2022". A Rússia intensificou os ataques direcionados ao setor energético da Ucrânia, já que as temperaturas permaneceram abaixo de -10 graus Celsius nas últimas semanas.
Em 23 de janeiro, a maior empresa privada de energia da Ucrânia, a DTEK, anunciou cortes de energia emergenciais nas regiões de Odessa e Dnipropetrovsk. Esses cortes estão se espalhando por grande parte da Ucrânia, incluindo as regiões de Chernihiv, Zhytomyr, Sumy, Kharkiv, Kyiv, Kirovohrad, Poltava e Cherkasy.
Segundo o representante do UNICEF na Ucrânia, Munir Mammadzade, muitas famílias adotaram soluções improvisadas para tentar manter algum calor dentro de casa, incluindo o uso de brinquedos e tecidos para vedar janelas.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Ifrc, confirmou que, apesar de em ataques anteriores a energia ter sido restaurada em poucos dias em cidades como Kharkiv e Odessa, a situação em Kiev é mais grave. As interrupções prolongadas afetam um número elevado de residentes, aumentando a pressão sobre os serviços de resposta humanitária.
Quem puder, deve deixar a cidade, é o pedido do prefeito de Kiev
Em Kiev, a situação permanece extremamente difícil devido aos danos causados à infraestrutura energética pelos ataques russos. Lar de mais de 3 milhões de pessoas, a capital ucraniana ainda luta para restabelecer a energia elétrica, o aquecimento e o abastecimento de água após os ataques russos à infraestrutura crítica da Ucrânia em 9 e 20 de janeiro. Algumas casas estão sem aquecimento e energia desde 9 de janeiro.
O aquecimento foi restabelecido em 600 prédios durante a noite e ao longo do dia 22 de janeiro — pela segunda vez em duas semanas, após dois grandes ataques russos terem como alvo a capital ucraniana, de acordo com o prefeito. A maioria dos prédios fica na zona leste de Kyiv, na margem esquerda do rio Dnipro
Diante desta situação, o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko, fez um apelo pela segunda vez em poucas semanas aos moradores para que deixem a cidade, se possível.
"A situação é extremamente difícil, e este pode não ser o pior momento", escreveu o prefeito no Telegram, alertando que "o inimigo provavelmente continuará atacando a infraestrutura vital da cidade e do país". "Estoquem alimentos, água e medicamentos necessários. Aqueles que ainda têm a opção de deixar a cidade, para ir a lugares com fontes alternativas de energia e aquecimento, não devem descartar essa possibilidade", foi o apelo do prefeito.
Impacto sobre as crianças
Quase quatro anos após o início da invasão em larga escala, o Unicef alerta que a vida das crianças na Ucrânia continua dominada pela luta pela sobrevivência.
Em 2025, registou-se um aumento de 11% no número de vítimas infantis verificadas em comparação com o ano anterior, evidenciando o impacto contínuo do conflito sobre a infância no país.
O envio de geradores pela UE
A Comissão Europeia está enviando nesta sexta-feira, 23, 447 geradores de emergência, no valor de 3,7 milhões de euros, provenientes das reservas estratégicas da UE, para restabelecer o fornecimento de energia em hospitais, abrigos e serviços essenciais na Ucrânia. Mais de um milhão de ucranianos, segundo um comunicado, estão sem eletricidade, água e aquecimento devido às temperaturas congelantes resultantes dos contínuos ataques russos à infraestrutura energética.
Os geradores, mobilizados a partir das reservas estratégicas da rescEU, sediadas na Polônia, serão distribuídos às comunidades mais afetadas pelo Ministério do Desenvolvimento Comunitário e Territorial da Ucrânia, em colaboração com a Cruz Vermelha Ucraniana. A remessa de geradores visa responder a necessidades urgentes e baseia-se no apoio contínuo da UE à resiliência energética da Ucrânia.
Desde o início da invasão russa em grande escala, a UE enviou quase 10.000 geradores à Ucrânia por do Mecanismo de Proteção Civil. Antes deste inverno, a Comissão também concluiu a relocalização de uma central termoelétrica inteira doada pela Lituânia — a maior operação logística coordenada da história do Mecanismo — para restabelecer a capacidade crítica da rede elétrica ucraniana.
A Comissão, afirma também Berlaymont, condena veementemente os ataques da Rússia à infraestrutura energética crítica e os consequentes danos humanitários. A UE não permitirá que a Rússia force a Ucrânia à submissão e continuará a ajudar os ucranianos a enfrentar este inverno.
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