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Foco na História: as grandes civilizações africanas.  Foco na História: as grandes civilizações africanas.  

Foco na História: as grandes civilizações africanas. Império de Axum

Alguns dos reinos existentes na África podiam se rivalizar com qualquer uma das grandes civilizações que existiram no Oriente Médio ou Extremo Oriente. Uma dessas civilizações foi formada pelo Império Axum.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista

Durante o período que chamamos de Idade Média até o início da Idade Moderna que classificam a História Europeia (séculos V ao XV), poderosos Estados se desenvolveram na África Ocidental. Por sua enorme riqueza, tornaram-se o principal eixo de comércio entre o Mar Mediterrâneo e o interior da África. Vários deles deram origem a algumas das modernas nações africanas e também influenciaram a cultura e a religião de outras realidades como o Brasil.

Alguns dos reinos existentes na África podiam se rivalizar com qualquer uma das grandes civilizações que existiram no Oriente Médio ou Extremo Oriente. Uma dessas civilizações foi formada pelo Império de Axum.

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Império de Axum

O Império de Axum (ou Aksum) foi uma antiga e poderosa civilização africana localizada na região também conhecida como “Chifre da África”, norte da atual Etiópia e Eritreia, abrangendo o Djibuti e partes do Sudão, estendendo-se até o sul da Arábia. 

 O Império floresceu entre 100 e 940 d.C., transformando-se aos poucos num importante centro comercial entre o Egito, o Mar Vermelho e a Índia, famoso por sua riqueza.

O Império desenvolveu sua própria escrita, cunhou as próprias moedas e sua capital, Axum, se transformou num grande mercado e centro cultural. Em seu apogeu, Axum foi o principal centro de comércio entre o vale do Rio Nilo e os portos do mar Vermelho, sendo um importante ponto na rota comercial entre o Império Romano e a Índia.

No século IV, já haviam se transformado no Estado de maior expressão do reino da Núbia e, por conta das relações com o mar Vermelho, local de articulação entre populações africanas e árabes, adotaram o cristianismo, que se espalhou em boa parte do território sob o domínio romano, inclusive no Egito.

A cidade de Axum, localizava-se num planalto, acima do nível do mar e longe do litoral, o que facilitava a sua defesa, conseguindo ainda um grande aproveitamento dos recursos minerais, desenvolvendo o cultivo de cereais como a cevada e o sorgo e o Tefé que até os dias atuais compõe a base da alimentação das populações etíopes.

Como controlava algumas das rotas comerciais cruciais do Mar Vermelho, trocando marfim, ouro, incenso e escravos por luxos romanos como tecidos e vinho e asiáticos como especiarias e seda usados, sobretudo, pela nobreza do império, isso garantiu um grande esplendor de vida.

No império o poder era centralizado, e isso facilitava a construção de palácios e outras obras como estátuas e obras de devoção encontradas. Vestígios deste Império mostram que era uma sociedade complexa, hierarquizada e diversa, que tinha como representante máximo o título de negus.

Era comparado a grandes impérios como Roma e Pérsia, sendo uma das quatro maiores potências mundiais em seu auge.

O declínio do império começou a partir do século VII, devido à ascensão do poder árabe muçulmano no comércio do Mar Vermelho e conflitos internos. 

Legado:

Segundo uma tradição religiosa não confirmada, Axum é o suposto local onde estaria guardada a Arca da Aliança com as tábuas dos Dez Mandamentos. A língua falada no império se transformou na língua litúrgica da Igreja Etíope. Axum é também o suposto lar da rainha de Sabá, mencionada na Bíblia, ainda que outras versões, apontem o atual Iêmen como o local de origem da rainha.

Sua herança influenciou o desenvolvimento posterior do Reino da Abissínia e sua cultura cristã única na África Oriental, com a cidade de Axum, localizada no norte da Etiópia, ainda sendo um importante centro espiritual. 

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28 janeiro 2026, 09:45