Na Venezuela, a ajuda da Cáritas Itália aos atingidos pelo terremoto de junho
Federico Piana - Cidade do Vaticano
As escavações continuam em La Guaira. Nesta cidade portuária venezuelana, localizada na costa caribenha, as equipes de resgate não desistem. Sob os imensos montes de escombros de prédios ruídos como palitos pelo duplo terremoto de magnitude 7,5 de 26 de junho — que atingiu justamente esta área turística com suas famosas praias — podem haver mais corpos. E muitos! Na terça-feira, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anunciou que o número de mortos havia subido para 6.301. Em 3 de agosto, os mortos eram de 6.125: 176 vítimas a mais em apenas oito dias não é um número insignificante. Isso demonstra que os esforços de escavação, que continuam por toda a área de Caracas devastada pelos terremotos, não são em vão.
Mudança de contexto
Sem dúvida, o contexto mudou radicalmente. Enquanto a busca por sobreviventes começou nas primeiras 72 horas após a tragédia, a esperança de encontrar alguém vivo sob os escombros é agora praticamente inexistente. Mas a questão dos desaparecidos permanece, que Rodríguez, em sua declaração oficial em 11 de agosto, definiu como "pessoas não localizadas".
Oficialmente, há 1.400 pessoas desaparecidas somente em La Guaira: elas podem ter sido levadas para hospitais ou abrigos sem serem identificadas. Ou podem estar sob os escombros. A continuidade das escavações continua sendo uma prioridade.
Dor imensa
Nas ruas de La Guaira, o padre Marco Pagniello também confirmou que a situação continua crítica. O diretor da Cáritas Itália liderou uma delegação da organização religiosa que, de 3 de agosto até ontem, se reuniu com famílias, paróquias, voluntários e comunidades, chegando inclusive a La Silsa, um dos bairros mais pobres de Caracas.
"Vimos prédios inteiros destruídos, que ceifaram a vida de famílias inteiras", afirmou. O que a delegação testemunhou foi um sofrimento imenso, que a Cáritas Itália quer ajudar a aliviar: "Fomos lá não apenas para apoiar e confortar a Igreja local, mas também para ouvir as necessidades dessas pessoas e, em colaboração com a Cáritas Venezuela, encontrar maneiras de ajudar."
Necessidades urgentes
Dados recentes do governo revelaram que mais de 73.000 pessoas necessitavam de cuidados hospitalares, enquanto o UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, continua estimando que a população que precisa de assistência humanitária chegou a 1,8 milhão, dos quais 680.000 são crianças.
Emergência habitacional e de saúde
Além da crise habitacional, com mais de 10.000 casas com alto risco e praticamente inabitáveis em todo o país, a saúde continua sendo uma das prioridades mais urgentes. Em um relatório detalhado, a Organização Mundial da Saúde apontou sérios problemas com o acesso a hospitais, a disponibilidade de medicamentos e suprimentos médicos, transfusões de sangue, cuidados de saúde materno-infantil e continuidade do atendimento, especialmente para os pacientes mais gravemente enfermos.
Coleta de amor
“Em 26 de julho passado - recorda o Pe. Pagniello - a Igreja italiana lançou uma coleta nacional em todas as comunidades. E com os fundos arrecadados, financiaremos atividades de ajuda e apoio na Venezuela.”
A missão italiana da Cáritas em La Guaira e Caracas se dedicou a identificar as necessidades que exigem ações concretas. Faremos isso em conjunto com a comunidade da igreja local, apoiando quaisquer iniciativas que desejem empreender. Algumas delas envolvem ajuda humanitária. Nesse sentido, por exemplo, existe um projeto para combater a desnutrição infantil, que se tornou ainda mais prevalente devido a este terremoto.
Os órfãos
As crianças órfãs pelo terremoto comoveram profundamente o sacerdote italiano e a Cáritas Itália. "Queremos apoiá-las - diz padre Pagniello - incentivando sua integração nas escolas, especialmente nas escolas católicas, que são muito numerosas." E poderíamos alcançar isso apoiando as congregações religiosas presentes na Venezuela.
Além disso, o padre está considerando a possibilidade de empregar aqueles que não conseguem mais encontrar trabalho. "Trata-se de implementar um programa que promova o trabalho autônomo, permitindo que eles redescubram a dignidade do trabalho que os liberta da dependência da assistência social."
Em busca de trabalho
Em toda a Venezuela, o terremoto destruiu instantaneamente milhares de empregos. Embora dados específicos ainda não estejam disponíveis, o Programa Mundial de Alimentos da ONU estimou que os mercados locais estão sofrendo graves interrupções operacionais, comprometendo a cadeia de suprimentos de bens básicos. "Pequenas propriedades rurais, comércio informal e salários diários foram severamente afetados", escreveu a organização. E se lojas, mercados e atividades produtivas não reabrirem, as famílias terão dificuldades para recuperar a independência econômica essencial para sua sobrevivência.
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